A esperança de vida está a diminuir apenas entre os mais pobres há vários anos – O exemplo Alemão

A ler “A esperança de vida dos alemães com rendimentos mais baixos diminuiu fortemente nos últimos dez anos” no Dinheiro Vivo. Um excerto:

“Enquanto a esperança de vida dos alemães com rendimentos médios continua a aumentar, a das pessoas com rendimentos mais baixos passou de 77,5 anos em 2001 para 75,5 anos em 2010, segundo números oficiais, obtidos e publicados pelo grupo parlamentar da esquerda radical Die Linke depois de um pedido por escrito ao governo.  (…)”.

E cá em Portugal, teremos estatísticas que permitam efetuar estes cálculos?

Tomando por bons os números na Alemanha justifica-se perguntar se não será justo ajustar a idade da reforma à esperança de vida de cada grupo social discriminado pelo rendimento. Definir uma idade da reforma tomando por referência um valor de aumento da esperança de vida médio que pode resultar de fortes ganhos entre os mais abastados que compensam perdas de esperança de vida entre os menos abastados resulta, na prática, numa subsidiação dos primeiros pelos segundos, pois os menos abastados terão um período de reforma muito inferior aos segundos, (afinal, morrerão muito antes!) e estarão sujeitos ao mesmo limiar de idade de reforma. Isto sem relevar a iniquidade social de âmbito mais genérico que tal fenómeno pode traduzir.

Por tudo isto, seria muito interessante que tivéssemos estatísticas divulgadas publicamente que detalhassem a tábua de mortalidade (que define a esperança de vida) por algumas características chave/grupos da população. Fica o repto… Talvez fizesse sentido, como consequência, que o factor de sustentabilidade das pensões fosse um pouco menos grosseiro do que é hoje, no caso português.

 

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