Qual é o diferencial entre os custos com matérias-primas e os preços de venda final de combustíveis?

GasolinaQual é o diferencial entre os custos com matérias-primas e os preços de venda final de combustíveis? Esta é uma pergunta a que finalmente algum órgão de comunicação especializado em Economia dá algum relevo (ainda que numa muito interior página 26).

E em que ficamos afinal? Segundo cálculos do Jornal de Negócios, pegando no “brent” como matéria-prima de referência, o preço cresceu até ao momento 1% durante 2006. Estas contas baseiam-se contudo na valorização considerando a sua cotação em dólares. Se este valor for convertido em euros, moeda usada pelos fornecedores portugueses para efectuar as cobranças ao consumidor final, o preço da matéria-prima registou, até ao momento, uma queda de 8,4%.

Perante esta referência qual foi então, no mesmo período, a evolução dos preços da gasolina e do gasóleo nas bombas? Citando apenas o exemplo da Galp, os preços cresceram 2,2% e 3,3% respectivamente. Perante esta disparidade ficam motivos para a suspeita de que as margens comerciais tem estado em alta significativa durante o ano de 2006. E tratando-se de um movimento generalizado – nos exemplos dados pelo Jornal de Negócios envolvendo a Galp, BP, Repsol, as diferenças nas variações de preços finais são marginais – fica também a forte suspeita de que nenhum dos operadores está interessado em concorrer pelo preço, sendo legítimo questionar se não estaremos perante uma concertação de preços. As evidências suportam claramente esta hipótese. Ao cuidado da Autoridade da Concorrência?

Quem tem coragem de apostar que os lucros das gasolineiras não vão voltar a registar novamente lucros record na área Euro?

Talvez durante 2007 passe a aparecer aqui pelo Economia e Finanças um indicador actualizado com alguma regularidade destinado a acompanhar esta evolução.

Adenda: nesta página da Autoridade da Concorrência pode encontrar a legislação mais importante em vigor em Portugal sobre estas matérias.

10 comentários sobre “Qual é o diferencial entre os custos com matérias-primas e os preços de venda final de combustíveis?

  1. Este blogue acompanho-o à pouco tempo. Ao contrário que seria de esperar nesta área, muito dada a complexos de “modernidade e progressimos”, que pulam de dogmas em dogmas, tem se revelado uma experiência muito positiva. O não hesitar em questionar e suscitar discussões é algo muito raro.

    Muito parabéns por este artigo pertinente.

  2. Esse comentario parece saido de um anuncio da galp 😛

    Uma pergunta, o que entendes por concertação de preços? Um acordo implicito ou explicito para fazer subir os preços e as margens ou também incluis a estrategia em que os diversos intervenientes veem o jogo dos concorrentes e se abstraem de tb eles competir pelos preços? Esta ultima é ilegal e pode a AdC obrigar as empresas a mudar o seu posicionamento porque este desfavorece os consumidores?

  3. E já agora, a quem de direito isto de “submeter” é para a malta das pilinhas curtas, arranjem la outra tradução 😆

  4. Sendo a lei muito clara, António (ver aqui) é preciso reconhecer que também permite muita “longitude” para a actuação da Autoridade da Concorrência, daí suponho as tuas perguntas. Acho que a nossa lei é muito boa nestes aspectos. Atenta particularmente nos artigos 4º, 5º e 6º.
    Acresce que este mercado da distribuição de combustíveis tem um conjunto de características intrínsecas (até pela desproporção dos distribuidores) que justificam uma atenção enviesada por parte da Autoridade da Concorrência (face a outros mercados). Por outro lado trata-se também de um mercado muito condicionado à partida, com fortes barreiras à entrada, não é qualquer um que pode ir a jogo até por ironia das ironias restrições estatais. Perante o estado de coisas que temos a intervenção do “fiscal” parece-me particularmente importante.
    Se os preços no consumidor final mantiverem a tendência de aumento, se os custos de matérias primas mantiverem a tendência de diminuição, se não houver nenhuma justificação técnica ligada ao processo produtivo ou distributivo que suporte um aumento dos custos e se os sinais “exteriores de riqueza” via lucros continuarem a bater record nunca visto e crescentes nesta indústria (tendo implícito o cenário de que existe muita rigidez na procura) a Autoridade da Concorrência deve intervir disciplinando uma relação entre custo final e custo de produção tendo por base por exemplo informação histórica.
    Havendo concertação, seja ela de jure ou de facto, neste mercado, é isto que penso que se deva fazer. Não será a solução óptima, mas a simples ameaça desta intervenção (e alguns casos práticos de implementação) talvez sirvam para dar um sinal de alguma contenção aos agentes em causa. Ao menos que disfarcem um pouquinho e compliquem a prova, assim é demasiado fácil apontar o dedo. Críticas, comentários?

  5. Interessante. Pelo que li e dizes o regulador quase que pode impor uma margem ao mercado, o que coloca a questao da liberdade de mercado. Q tb nao nasceu livre…

    E se os operadores desatarem a criar 2 ou 3 self-service de desconto (3, 5 centimos mais baratas) localizadas em cu de judas e com acesso exclusivo a detentores de cartao de cliente, isso ja e capaz de baralhar as contas… ou nao?

    PS:que tal a minha tradução nos blogues wp.com ?

  6. Acho que não será suficiente até porque essas situações já existem. Tens que ter em conta situações de monopólio/oligopólio/concertação regional… Lá porque há uma Galp na A25 que faz 3 cêntimos de desconto (e há mesmo) se a generalidade do negócio é indiferenciado entre concorrentes e tem comportamentos miméticos a cada nova actualização de preços convem estar atento quanto disso se justifica por “boas razões”.
    A tua tradução se não estou em erro é uma homenagem ao Gromit do Wallace and Gromit. O submit é um primo do gromit, certo?

  7. Estou a ver. Um dos casos de estudo de preços e concorrencia – ou pelo menos estava no meu manual, era o de uma gasolineira independente algures no sul da california e da dança que a Shell lhe propos com sucessivas mudanças de direcção até acertar o passo à independente – que foi “autorizada” a descontar x centimos do preço da Shell.

    ah, a minha tradução (é mesmo minha) não esta publicada no meu blogue, parte daquele template ainda está por traduzir.. Tenta aqui 😉

  8. Garantidamente os lucros rondam para cima dos 60% uma coisa é certa ,caso de um momento para o outro faltar o crude ,o pais cai numa banca rota ,visto que a pais está pendorado somente nos lucros do ouro negro ,

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.