Taxa de Desemprego por NUTS II - 2º trimestre de 2026

Desempregado: “espécie” em vias de extinção. Mais 150 mil empregos num ano – 2º Trimestre de 2026

Cinco virgula três por cento. Desde 2002 que Portugal não registava uma taxa de desemprego tão baixa segundo revela o INE nas suas Estatísticas do Emprego referentes ao segundo trimestre de 2026. Ao todo haverá 300.800 pessoas desempregadas, uma quebra de cerca de 45 mil pessoas face ao primeiro trimestre de 2025 e de cerca de 29 mil face ao primeiro trimestre de 2025.

Desemprego por região NUTS II

Se ventilarmos esta informação por região (NUTS II) revelamos que a Região Autónoma da Madeira regista a mais baixa taxa de desemprego do país com apenas 3,5% da população desempregada.

Das nove regiões NUTS II do país há seis que registam valores abaixo da média nacional de 5,3%. Apenas o Norte, a Grande Lisboa e a Península de Setúbal revelam valores acima da média, com a Península de Setúbal a destacar-se com 7,4% (ainda assim um valor inferior aos 8,6% verificados no segundo trimestre de 2025).

A Região Autónoma dos Açores foi a única NUTS II do país em que o desemprego subiu desde há uma ano, passando de 3,9% para 5,0%.

 

Taxa de Desemprego por NUTS II - 2º trimestre de 2026
Fonte: INE

Além do desemprego estar em mínimos históricos, a “reserva” de possíveis pessoas que poderiam ser cativadas a juntar-se ao mercado de trabalho (e que, por exemplo, não estão a procurar emprego) também continua a diminuir. A taxa de subutilização do trabalho caiu de 10,1% no segundo trimestre de 2025 para 9,1% um ano depois. O total de pessoas que estão em Subemprego de trabalhadores a tempo parcial, ou são Inativos à procura de emprego mas não disponíveis ou ainda de Inativos disponíveis mas que não procuram emprego, totalizam 224,9 mil pessoas, menos 18,7 mil pessoas do que há um ano.

A Estatísticas do Emprego do INE na versão simplificada revelada a 5 de agosto de 2026 pelo INE não ventilam informação por setor de atividade mas será importante obter dados que revelam se teremos já vários setores de atividade em pleno emprego ou mesmo com sérias carências de mão-de-obra, impedindo o normal desenvolvimento da atividade económica.

Por idades, destaca-se que o desemprego caiu em todas as coortes etárias, como quedas homólogas relativas verdadeiramente significativas entre a população com 25 a 34 anos (-19,1%) e com 45 a 54 anos (-14,3%).

Por nível de escolaridade, o grupo que registou a maior queda relativa de desemprego foi o da população com o ensino básico: -17,3%.

Um último número sobre o desemprego que merece referência nesta análise rápida é a queda expressiva da população que procura emprego há mais de 12 meses: caiu 11,1% face ao segundo trimestre de 2025. Mais um indício de que a economia está a utilizar todos os recursos disponíveis para colmatar a carência de mão-de-obra.

População ativa atinge os 5,7 milhões de pessoas

Ao mesmo tempo que o desemprego está em mínimos de 15 anos, a população ativa bate recordes, atingindo os 5.700,6 mil pessoas.

Destas, 5.399,8 mil estava empregadas tendo-se criado 151.500 empregos líquidos num único ano. O aumento líquido homólogo foi ainda superior (153,5 mil) na população empregada a tempo inteiro; a população empregada a tempo parcial caiu ligeiramente num ano (2 mil).

Por nível escolaridade, a criação líquida de emprego foi maior entre a população com:

  • ensino superior: +99 mil pessoas;
  • ensino secundário:  + 72,1 mil pessoas;

Entre a população com até ao ensino básico (3º ciclo) o emprego líquido foi negativo: -19,7 mil pessoas. Um dado curioso se o cruzarmos com os dados do desemprego (foi o grupo onde o desemprego caiu mais depressa neste período). Como é isto possível? A população ativa global aumentou de 5577,8 mil pessoas para 5.700,8 mil pessoas entre o segundo trimestre de 2025 e o de 2026, mas a população ativa com uma escolaridade até ao ensino básico (3º ciclo) caiu de 1.754,4 mil para 1713,7 mil. Ou seja, o número de pessoas com o ensino básico disponíveis para trabalhar, em Portugal, está em queda.

Porquê? Perda de população imigrante menos qualificada? Sobre-representação desta população entre aqueles que estão a atingir a idade de reforma? Fuga de nacionais com este nível de escolaridade para a emigração? Estas são perguntas que encontrarão respostas noutros dados.

Em sentido oposto, o INE apurou que a população ativa com o ensino superior aumentou em 94,7 mil indivíduos e a população co mo ensino secundário aumentou 68,9 mil indivíduos.

Por idade, destaca-se o aumento percentual expressivo da população empregada entre quem tem 65 e mais anos: +16,8% do que no mesmo período do ano anterior (+40,5 mil pessoas). Será o prémio salarial mais atraente ao ponto de estar a mobilizar mais pessoas seniores a “regressar” e/ou a não sair do mercado de trabalho? O custo de vida estará a fazer mais pessoas adiarem a reforma ou a terem de acumular emprego com reforma para reforçarem o rendimento? mais uma vez, estas são perguntas a que estes dados do INE não conseguem responder.

Mais detalhes no destaque do INE e nos ficheiros excel/CSV facultados pela instituição.

Artigo revisto corrigindo a data do recorde de 2011 para 2002.

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