Se está a pensar em pedir um crédito pessoal, então o melhor é saber ao que vai. Não é preciso um diploma em finanças, mas também não vale avançar às cegas. Neste artigo, explicamos o que é exigido para obter crédito pessoal, desde a papelada até aos critérios de aprovação. Venha daí.
Antes de mais: precisa mesmo de um crédito pessoal?
Nem todos os créditos são criados da mesma forma e nem todos os momentos da vida pedem este tipo de compromisso. A primeira pergunta que tem de fazer é: precisa mesmo? Isto porque pedir um empréstimo pessoal não é algo que se faça “só porque sim”.
Serve para resolver um imprevisto, investir num projeto, juntar dívidas ou dar aquele empurrão num objetivo importante. Mas deve ser sempre pensado com cabeça, especialmente se está a tentar equilibrar o orçamento ou se já tem outras prestações a decorrer.
Posto isto, e se respondeu afirmativamente, o passo seguinte é garantir que está mesmo em posição de avançar.
Quem pode pedir um crédito pessoal?
Em Portugal, qualquer pessoa maior de 18 anos, com rendimentos regulares e um histórico financeiro saudável pode pedir um financiamento pessoal. Mas, novamente, isso não significa que deva fazê-lo em qualquer altura.
O momento certo é aquele em que o crédito faz sentido na sua vida e o orçamento consegue acomodar mais uma prestação sem tropeçar. Se for o caso, então está na altura de reunir os documentos e preparar o pedido, tranquilamente e sem surpresas.
Quais os documentos para pedir crédito pessoal?
Agora vamos ao que interessa: os documentos. Porque sim, ninguém escapa à burocracia, mas também não tem de ser um drama: desde que saiba exatamente o que é preciso. E, neste caso, é o seguinte:
- Documento de identificação (Cartão de Cidadão ou BI + NIF)
- Comprovativo de morada (ex: fatura da luz, água ou telecomunicações)
- Comprovativos de rendimento:
- Trabalhadores por conta de outrém: recibos de vencimento (normalmente dos últimos 3 meses)
- Trabalhadores independentes: declaração de IRS e/ou recibos verdes
- Reformados: comprovativo de pensão
- Declaração de IRS e nota de liquidação
- Extratos bancários recentes (geralmente 3 meses)
- Comprovativo de IBAN
- Contrato de trabalho, se for pedido (especialmente para reforçar a estabilidade).
Dica extra: reúna tudo isto com antecedência para acelerar o processo.
O que os bancos avaliam antes de aprovar um crédito
Agora vamos entrar nos bastidores do crédito pessoal. Porque pedir crédito é uma coisa. Ter o crédito aprovado… é outra conversa. Há alguns critérios que as instituições financeiras olham com atenção para decidir se avançam, ou não, com a proposta de financiamento:
- Taxa de esforço: representa a percentagem do seu rendimento líquido que já está comprometida com outras prestações. O ideal? Abaixo dos 35%
- Histórico de crédito: se tiver créditos em atraso ou registos negativos na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, vai ser mais complicado
- Estabilidade profissional: contratos sem termo e rendimentos consistentes dão mais segurança
- Comportamento bancário: uma boa movimentação na conta à ordem mostra que é responsável com o seu dinheiro, que sabe gerir tanto o que entra como o que sai.
Se quiser dar um passo extra, pode até fazer uma simulação de crédito pessoal online para ter uma ideia do que esperar, sem compromisso e sem sair de casa.
O que são as garantias no crédito pessoal?
Se já ouviu falar em crédito com garantia, podemos descansá-lo: apesar do nome fazer parecer coisa séria, a verdade é que, na maioria dos créditos pessoais, não é preciso dar nenhum bem como garantia. Este tipo de financiamento é feito com base na sua situação financeira e não no que tem para dar em troca.
9 dicas simples (mas valiosas) para facilitar o pedido de crédito
- Peça só o valor que precisa mesmo: quanto maior o montante, mais altos os juros (e maiores as prestações). Foque-se no essencial e evite esticar o orçamento
- Compare várias propostas antes de decidir: nem todos os produtos de crédito são iguais. Use a TAEG e o MTIC para perceber o custo real de cada opção
- Use simuladores de crédito para testar diferentes cenários: antes de submeter o pedido, experimente um simulador de crédito pessoal para perceber qual o prazo e valor de prestação mais confortáveis para si
- Leia tudo com atenção (sim, tudo mesmo): da FIN ao contrato final, não assine nada que não compreenda. Vale sempre a pena esclarecer dúvidas antes, em vez de lidar com surpresas depois
- Não ignore as “letras pequeninas”: são elas que escondem (ou revelam) detalhes importantes como comissões, seguros associados e penalizações por atraso
- Evite fazer vários pedidos ao mesmo tempo: pode parecer inofensivo, mas várias consultas de crédito em simultâneo podem afetar a sua avaliação e passar uma imagem de risco
- Organize a documentação com antecedência: reúna todos os documentos para pedir crédito pessoal antes de iniciar o processo. Vai ganhar tempo e mostrar que está preparado
- Evite mexidas bruscas nas suas contas antes do pedido: não é hora de fazer levantamentos elevados, transferências incomuns ou entrar em saldo negativo. Mantenha o comportamento bancário tranquilo e previsível nos meses anteriores ao pedido de crédito
- Considere adicionar um 2º titular ao pedido: incluir outra pessoa com rendimentos estáveis no pedido de crédito, ajuda a baixar a taxa de esforço e dá mais confiança à entidade financeira.
Conclusão
Se chegou até aqui, já está mais do que preparado para enfrentar o mundo dos pedidos de crédito e sair por cima. Já sabe o que é exigido para obter crédito pessoal, o que tem de reunir e o que esperar do processo.
E também já sabe: pedir um crédito pode fazer todo o sentido, desde que seja com calma e com os pés bem assentes na carteira. No fim de contas, é o seu orçamento que vai lidar com as prestações, por isso tudo o que puder fazer para facilitar o processo (e melhorar as suas hipóteses de aprovação) vale mesmo a pena.
Agora sim: junte os papéis, respire fundo… e siga tranquilo. Porque até os juros metem menos medo quando se vai preparado.

