Itália e Espanha abandonam Conselho Europeu – PM português qualifica de “repugnante” intervenção dos Países Baixos

Europa

Itália e Espanha abandonam Conselho Europeu. Terminou abruptamente a reunião de hoje (26 de março de 2020) do Conselho Europeu, seguindo a tendência de dissensão quanto à melhor forma da União Europeia para enfrentar a crise global que se está a formar na sequência da pandemia do COVID-19 que já se havia constatado na última reunião do Eurogrupo.

O Primeiro Ministro Italiano Giuseppe Conte, secundado pelo Primeiro Ministro Espanhol Pedro Sanchez abandonaram o Conselho Europeu, num ato com poucos ou nenhum antecedentes na história da União Europeia, lançando um ultimato às instituições europeias. Ou apresentam, nos próximos 10 dias, um plano e um conjunto de soluções inovadoras para apoiar os países mais afetados pela pandemia e suas consequências ou a Itália e a Espanha trataram de lidar com a crise sozinhas.

No final do Conselho Europeu também o Primeiro Ministro Português reagiu com palavras invulgarmente duras dirigidas ao Primeiro Ministro dos Países Baixos qualificando o discurso do líder holandês de “Repugnante numa União Europeia”.

“É inaceitável que um responsável político, seja de que país for, possa dar respostas dessa natureza perante uma pandemia como aquela que estamos a viver. Já todos percebemos que era insuportável trabalhar com o Sr. Dijsselbloem, mas há países que insistem em mudar nomes, mas em manter os mesmos perfis.

Ninguém está disponível para voltar a ouvir ministros das finanças holandeses em 2008, 2009, 2010 e anos consecutivos e é boa altura de compreenderem todos que não foi a Espanha que criou o vírus, nem foi a Espanha que importou o vírus, o vírus infelizmente atingiu-nos a todos por igual. E se nós não nos respeitarmos todos uns aos outros e se nós não compreendermos que perante um desafio comum, temos que ter capacidade de responder em comum, então ninguém percebeu o que é que é a União Europeia.

(…) É uma absoluta inconsciência esse tipo de resposta e essa mesquinhez recorrente mina completamente aquilo que é o espírito da União Europeia e é uma ameaça ao futuro da União Europeia. E se a União Europeia quer sobreviver, é inaceitável que um responsável político, seja de que país for, possa dar respostas dessa natureza perante uma pandemia como aquela que estamos a viver.”

António Costa, 26 de março de 2020

O primeiro-ministro dos Países Baixos – país onde reconhecidamente milhares de empresas europeias “otimizam” a sua política fiscal escapando a impostos em vigor nos locais onde, de facto, exercem atividade – terá pedido aos serviços da União para averiguarem porque é que a Espanha não tem margem fiscal para enfrentar sozinha a atual crise gerada pela pandemia do COVID-19.

Não deixe de ler os artigos sobre o surto do COVID-19 que temos publicado.

Este artigo foi atualizado.

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19 Comentários

  • Octávio Luis da Costa Franco Responder

    Muito bem dito Senhor Primeiro Ministro.

    Antigamente os corsários holandeses andavam nos barcos. Agora mudaram-se para o Areópago da União Europeia .

    Seria bom que os países do Sul conseguissem juntar esforços para meter na ordem os que pensam como este tipo de holandeses .
    Obrigado por todo o esforço que está a desenvolver em prole das melhores soluções para esta crise

  • joão afonso Nunes Responder

    Bravo! Foi uma boa resposta do PM de Portugal.

  • José Marques Responder

    Mais uma vez se prova que os países do norte da Europa tem uma ideia completamente errada e pensam que são donos disto tudo.
    Eu pessoalmente estou certo de que ” quando passar a crise sabe-se lá quando” esta Europa e mesmo o mundo em geral jamais será como foi até agora. Das duas uma, ( ou esta Europa sai mais coesa……, ou a desintegração avança a passos muito rápidos).
    Relativamente ao que se passou no conselho Europeu é de louvar a atitude dos governos Italiano e Espanhol , no entanto o governo de Portugal qual foi a atitude?, parece que tem medo! é nestas alturas que se devem unir e mostrar que se querem Europa não é desta forma que se consegue.

    • Ana Maria Lares da Costa Responder

      Acha que o governo português teve medo com a intervenção que António Costa fez????? Há alturas em que virar as costas não é linguagem suficiente … há que ser duro e contudente e António Costa FOI, não meteu o rabinho entre as pernas e baixou a cuequinha, como os cãezinhos amestrados dos passistas fizeram … politiquices à parte!!!

    • LUIS MANUEL ARAUJO MARQUES Responder

      Parece que não viu as notícias, ou está a omitir propositadamente a atitude do Primeiro ministro. Tenha vergonha na cara e não escreve se não tiver a certeza do que está a fazer,+

    • Maria Gabriela Bueri Responder

      O Primeiro Ministro de Portugal, deu a resposta dura e certa ao energúmeno holandês! Vocês não sabem que a política se faz com palavras e atitudes? É preciso ser um Grande Estadista, para o Dr AC dar a resposta certa e merecida ao palerma holandês!

  • Carlos Santos Responder

    A Europa acabou!!

    • José Carapeto Responder

      E isso é para celebrar?
      Poderá ser o funeral dos vivos que sobreviveram ao Covid

      • Catarina Marques Responder

        O funeral dos vivos será mantermos esta UE imperialista, belicista.

  • José Conchinha Responder

    A Holanda está a necessitar de uma resposta de força dos países que mantêm sedes de empresas como paraísos fiscais como é o caso de várias empresas portuguesas. Que esses países criem legislação de forma a isso impedir; a Holanda ficará descalça. E bem o merecem

  • J.P. Responder

    Este artigo acaba por ser parcial pois não transcreve o mais importante, as respectivas declarações do PM Holandês/país baixenence…

  • victor pereira Responder

    Começo a dar razão á Inglaterra de sair da UE. Esse Sr. politico ou lá o que é, não é aquele que disse que em Portugal gastavam o dinheiro da UE em vinho/gajas? É o mesmo gajo que diz isso? Se é o mesmo ou não que vá para o raio que o parta.

  • João Pedro Alegria Responder

    Parabéns Sr Primeiro Ministro. Finalmente temos um Governante que não se cala como na anterior crise com um Primeiro Ministro à sombra da Chanceler Alemã. Esta Europa não pode continuar a ser apenas uma Europa Monetária. Não foi esse o objetivo da sua criação, Foi criada depois da última grande Guerra precisamente para se tornar um continente uno e não um conjunto de com dois blocos os grande e os pequenos! Os países do Sul têm uma importância estratégica de defesa importante ao contrário da Holanda. No entanto quando a Europa se tornou apenas o Euro abandonou politicas de defesa.As duas Guerras Mundiais foram na Europa sempre com a mesma origem e na última valeu a ajuda dos EUA. Hoje sabemos que os EUA , com Trump, não está disposta a manter uma NATO para salvar a incapacidade de uma Europa que, durante anos após a guerra se mostrou incapaz de formar um bloco entre a Rússia e os EUA. Hoje é um continente vulnerável ( o COVID é o exemplo mais desunida do que unida) e arrisca-se a que, numa terceira Guerra, acabe como a Alemanha pós guerra, mas dividida entre a parte oriental dominada pela Rússia e a Ocidental pelos americanos

  • José Luís Graca Responder

    Neste tempo do Vale tudo, os tristes custava a entender eu, nestes contextos, prevalecem, não os mais justos, mas sim os mais poderosos. A crise de valores e de ideias, está a conduzir-nos para novas, velhas, visões autocentricas, egoistas, que desprezam a solidariedade e o universalismo como o principal desafio e a maior construção da humanidade. Pobres de espírito os que julgam que o seu mundinho está a salvo da gula alheia. Que União (?) Europeia é está? E não! Os egoistas e autistas ingleses não têm razão! Dos holandeses nem se deve falar: mas acho que o vírus não discrimina na taxa de juro.

    • Gisela Responder

      Pela 1a vez gostei da atitude do nosso 1ro ministro.Mas gostaria de ver os país do sul todos unidos e darem o fora da U E, certamente os outros não se aguentarão muito tempo. A UE e uma farsa!!!

  • Ads Responder

    O povo é que pelo passado e presente muitas governantes de alguns países incluindo Portugal foram e são os protagonistas das bancarrotas, da corrupção e da gestão danosa e agora por qualquer coisa que peçam não têm credibilidade, em Portugal os média são vítimas de censura e exclusão, mas nos outros países o Costa não controla nada e depois dá no que dá. Agora pergunto eu? Acham que existe algum país que se prive de luxus e tem almofada financeira para lidar com a crise devido aos esforços do seu povo, quer estar sempre a ajudar Portugal? Portugal só pede ajudas parece um mendigo e quer ter respeito como um dirigente que tem prosperidade, claro que não pode. O pessoal da Europa está farto de nós e das nossas políticas responsáveis. Neste caso Costa tem razão, mesmo se ultrapassou de longe o discurso moderado e que pode por em risco algumas ajudas para o futuro, por arrogância a mais, mas já estamos habituados a ele a arrogância não lhe faz mal, é tão competente que perde a paciência e faz birra até parece que quer fazer como no velhote da campanha eleitoral que quase lhe batia. Enfim a falta de cultura e competência é compensada pela agressividade.

  • Moncho de Fidalgo Responder

    A UE é um clube de corruptos que não defende aos povos.

  • renato Responder

    a uniao europeia nuca foi igual para todos nem é!

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