Quais as três despesas em que as famílias portuguesas gastam 60% do orçamento?

Com base nos dados do Inquérito às Despesas das Famílias 2015 2016 divulgados pelo INE, em julho de 2017, as despesas com habitação, transportes e alimentação levam 60% do orçamento familiar, mais 3,3 pontos percentuais do que o apurado em 2010/2011 no anterior inquérito deste género realizado pelo INE (peso deste trio de despesa passou de 57,0% para 60,3% no período).

Contudo, o peso destas três despesas não tem evoluído no mesmo sentido como se apresenta de seguida.

No gráfico do INE que aqui reproduzimos pode ficar a conhecer mais detalhes.

Estrutura da Despesa Familiar - 2015/2016
Estrutura da Despesa Familiar – 2015/2016
Fonte: INE

 

Despesas com habitação com peso crescente na despesa familiar desde o ano 2000

O INE destaque que esta evolução ficou a dever-se a um aumento do peso das despesas com “Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis” que aumentou de 19,8% em 2000 para 31,9% em 2015/2016, tendo sucedido o inverso com as despesas com “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” que passaram de 18,7% do total da despesa em 2000 para 14,3% em 2015/2016, ou seja, menos 4,4 p.p. entre 2000 e 2015/2016.

 

Famílias com crianças registam o valor médio recorde de despesa familiares

Segundo o INE a despesa total anual média dos agregados com crianças dependentes atingiu os €25.254€, um valor superior à dos agregados sem crianças dependentes em cerca de 44% (€17 494).

Por regiões, a Área Metropolitana de Lisboa,a despesa média foi de €23.148) e mantém-se como a única a ultrapassar a média nacional (€20.363), assinalando-se, no extremo oposto, a Região Autónoma
dos Açores (€16.856).

 

Autoconsumo, autoabastecimento e autolocação reduzem desigualdades

Sem surpresas, face ao que vem sendo uma constante histórica, o rendimento não monetário obtido pelas famílias através do autoconsumo, autoabastecimento, autolocação e ainda por via de recebimentos e salários em géneros contribuem, de forma muito significativa, para a redução das desigualdades ao nível de rendimentos entre as famílias portuguesas. O peso destas fontes alternativas de rendimento, aferido no Inquérito às Despesas das Famílias 2015/2016 atingiu 22,2% no rendimento total das famílias o que, segundo o INE permitiu “uma
redução de 3,4 p.p. no coeficiente de Gini e de 3,3 p.p. na taxa de risco de pobreza em 2014“.

O peso destas fontes alternativas de rendimento, atinge o seu valor mais elevado na região do Algarve (25,7%) e o mais baixo em Lisboa (20,6%).

 

Cada vez há mais famílias com bicicleta

Quatro em cada 10 famílias têm bicicleta. Há cinco anos (2010/2011) eram só três. Sobre os padrões de consumo, o INE destaque como evoluiu o acesso das famílias a bens de transporte, entre 2010/2011 e 2015/2016.

Inquérito às Despesas das Famílias 2015 2016
Inquérito às Despesas das Famílias 2015 2016
Fonte: INE

Vale a pena ler estes três parágrafos do INE:

“O Inquérito às Despesas das Famílias 2015/2016 permitiu ainda obter um conjunto de informação sobre bens e equipamentos de conforto básico dos agregados familiares, nomeadamente no que se refere a meios de transporte.
Em 2015/2016, mais de três quartos dos agregados familiares em Portugal (76,0%) tinham automóvel, ou seja, um aumento de quase 5 p.p. face a 2010/2011.
A bicicleta era um meio de transporte detido por quase 40% das famílias portuguesas, uma proporção
significativamente diferente da relativa a ciclomotores (7,8%) e motociclos (6,0%). Verificou-se ainda que esta proporção foi a que mais aumentou (10,7 p.p.) face a 2010/2011.”

 

Publicação Inquérito às Despesas das Famílias 2015/2016

O INE oferece gratuitamente ao público um repositório vasto de informação obtida, de cinco em cinco anos através do Inquérito às Despesas das Famílias, seja sob a forma de ficheiros de dados, seja sob a forma da publicação de 107 páginas sobre este que é o inquérito mais relevante realizado pelo INE – só superado em relevância em termos de operação estatística, pelos censos à população realizados a cada 10 anos.

Este inquérito permite conhecer com detalhes aspetos fundamentais das famílias portuguesas nas suas diversas tipologias quanto ao rendimento e despesa. Por outro lado, permite conhecer melhor as assimetrias regionais, o que se passa em termos de pobreza, estrutura de despesa, preços, distribuição do rendimento, e padrões de consumo.

Pode encontrar as bases de dados, bem como as análise do INE, sobre este inquérito nas suas várias facetas no sítio do INE. Para aceder aos microdados para efeitos de investigação mais aprofundada recomendamos que contacte o INE.

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