O PIB do nosso contentamento

Aquele que é um indicador incompleto, grosseiro e excessivamente valorizado, desta vez atreve-se a ser o PIB do nosso contentamento, tal a coincidência virtuosa com outros indicadores com referências positivas como os referentes à taxa de desemprego e emprego, à evolução do défice do estado, do nível de endividamento das empresas e das famílias (que ainda continua em queda, apesar da aceleração da concessão de crédito).

Segundo o INE, o PIB português no segundo trimestre de 2017 manteve o mesmo ritmo de crescimento face a igual período do ano anterior que já se havia registado no primeiro trimestre e que, então, havia surpreendido pela positiva os mais otimistas: 2,8%.

Este valor de crescimento real leva Portugal para o crescimento semestral mais elevado em muitos anos – também de 2,8% – e para mais um trimestre em que o ritmo de crescimento na economia local é superior à média do crescimento da União Europeia (que cresceu a 2,2%).

Na estimativa rápida do INE divulgada em meados de agosto de cada ano, há ainda poucos detalhes sobre o que justifica o andamento da economia no segundo trimestre, mas é possível desde já assinalar-se um contributo ligeiramente negativo da balança de bens e serviço “refletindo uma mais acentuada desaceleração em volume das Exportações de Bens e
Serviços do que das Importações de Bens e Serviços” e uma contributo mais positivo do que no trimestre anterior da procura interna “em resultado da aceleração do Investimento”.

Face ao que já vinha sendo divulgado em outros indicadores do INE este crescimento de 2,8% no segundo trimestre é perfeitamente natural e expectável. Houve aspetos em que a economia registou uma franca melhoria e outros (como o comércio internacional) onde nem tanto. Comparando o segundo trimestre com o primeiro verificou-se umcrescimento real de 0,2%, bem menor do que o apurado entre o quarto trimestre de 2016 e o primeiro trimestre de 2017 (1,0%).

 

O que esperar do segundo semestre?

Há vários indicadores que permitem esperar uma aceleração da atividade económica em setores relevantes como o da construção e também o de obras públicas. A indústria automóvel deverá retomar progressivamente ritmos de produção de que há muito andam arredados, devendo promover um novo impulso das exportações. O investimento tem também margem para continuar a progredir positivamente dado que se encontra ainda em níveis historicamente baixos e há fundos comunitários ainda por ativar, alavancando o investimento publico e privado.

Por outro lado, esse investimento pode também ainda estimular as importações de materiais e equipamento que garantam maiores produções futuras, contribuindo no curto prazo para um minimizar o fulgor nas contas nacionais a nível do saldo comércio externo. Resta saber qual do efeitos (mais exportações ou importações) revelará maior intensidade.

A componente externa é sempre largamente incerta, contudo o cenário mais provável aponta para que não surjam grandes surpresas ou oscilações, a menos que algum conflito político militar inusitado surja no horizonte. Na Europa há várias razões para que não se levantem demasiados ondas em 2017: o ciclo eleitoral interno ainda não terminou (na Alemanha, por exemplo) e há até indicadores de redobrado otimismo nas expectativas económicas.

Finalmente, é preciso recordar que a economia portuguesa esteve uns furos acima, em termos de dinamismo, no segundo semestre de 2016 face ao primeiro, pelo que, para que se mantenham níveis de crescimento homólogo assinaláveis, a economia terá de acelerar face ao patamar atual para que se termine o ano nuns surpreendentes 2,8% de crescimento anual, ou perto disso.

PIB acima dos 2%

O crescimento acima dos 2% é um “número mágico” para várias variáveis relevantes como a atualização das pensões e até mesmo a remuneração dos certificados do tesouro poupança mais. O ano de 2017 deverá ser o primeiro em que a economia nacional irá superar esse limiar desde que ele foi introduzido na legislação nacional como um “mínimo olímpico” para vários dispositivos de atualização automática. Resta saber se a receita fiscal o acompanhará e, claro, como evoluirá o PIB nominal, aquele que entra para as conta da evolução da dívida pública.

Para já, pelo primeiro semestre, 2017 promete em termos de macro e micro economia.

Deixar uma resposta