Consumo perde gás e procura externa sustenta crescimento do PIB

O PIB português no segundo trimestre de 2016 cresceu 0,8% face ao igual período de 2015 e 0,2% face ao primeiro trimestre de 2016 (mantendo assim o ritmo de crescimento). Esta informação está presente na estimativa rápida do INE e será revista com mais informação a 31 de agosto, onde serão também conhecidos os detalhes da composição do PIB.

 

Consumo perde gás e procura externa sustenta crescimento do PIB

Para já, o INE avança que a procura interna continuou a contribuir positivamente para o PIB mas de forma muito menos relevante, assinalando um crescimento menos intenso do consumo privado e uma redução maior do investimento (inclui investimento público e privado).

Consumo perde gás e procura externa sustenta crescimento do PIB
Consumo perde gás e procura externa sustenta crescimento do PIB
Fonte: INE

Pela positiva, o INE destaca que a “procura externa líquida passou a ter um contributo ligeiramente positivo, refletindo a desaceleração mais acentuada das Importações de Bens e Serviços em comparação com a das Exportações de Bens e Serviços.”

Na comparação em cadeia, ou seja com o trimestre imediatamente anterior, o INE revela um cenário praticamente idêntico, ou seja, a procura externa líquida positiva e a procura interna, no caso, estagnada.

 

Sinais positivos: ameaças e oportunidades

Esta desaceleração do PIB surge ao mesmo tempo em que o INE revela um aumento do emprego e uma queda do desemprego, em que os indicadores de confiança estão a recuperar, em que a capacidade de equilibrar a balança comercial de bens comercial de bens com os nosso parceiros comunitários está a aumentar e em que os empresários reforçam as suas intenções de retomar o investimento até ao final do ano.

Para já é evidente que a meta de crescimento económico do PIB traçada no início do ano é agora praticamente inatingível, contudo, parece também evidente que não se regista um descontrolo orçamental havendo indicadores promissores em outras variáveis económicas acima referidas.

 

Algumas variáveis relevante para o resto do ano:

  • O efeito do maior afluxo de fundos comunitários a chegar às empresas no segundo semestre;
  • O impacto completo da recuperação de rendimento pelas famílias (salário mínimo, reposições salariais, redução da sobretaxa, aumento dos reembolso do IRS e do emprego);
  • A melhoria das condições de acesso ao capital por parte das empresas e do estado português que se vem aprofundando nos meses mais recentes;
  • O aumento das margens no turismo em simultâneo com aumento da atividade;
  • A recomposição das opções de despesa/poupança pelas famílias;
  • Concretização dos planos de investimento pelas empresas e impactos positivos no emprego;
  • Clarificação quanto aos impactos efetivos do Brexit;
  • Clarificação quanto às opções de política económica a nível das várias instituições europeias;
  • Clarificação quanto à necessidade e dimensão da intervenção no setor bancário;
  • Clarificação quanto à recuperação de créditos junto da banca;
  • Capacidade de aceleração dos pagamentos em atraso por parte do Estado;
  • Capacidade de recuperação de créditos fiscais;
  • Resultados do combate à fraude e evasão fiscal e contributiva.

 

Mais informação:

O INE irá complementar esta informação com os dados da balança de pagamentos, balança de bens e serviços e revisões dos deflatores divulgando a primeira estimativa completa do PIB do segundo trimestre de 2016 a 31 de agosto de 2016.

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