Como o BCE evitará que a liquidez prometida não redunde em bolhas?

Há uma frase enigmática na declaração de hoje do BCE, (ver “BCE passa a exigir pagamento aos depositantes“) entre as medidas de intervenção monetária cujo deciframento se revelará crítico para perceber até que medida as facilidades de crédito ao setor privado agora prometidas pelo BCE não terminarão do lado errado da equação desejada, ou seja, inflacionando bolhas sectoriais sem serem capaz de chegar às empresas com projectos de investimento sólidos mas que se encontram manietadas pelo risco-país e excesso de endividamento das suas pares.

E a frase surge na sequência dos Targeted LTRO quando, além de se garantir que não haverá financiamento indexado à carteira de crédito em dívida pública ou em habitação (e fala-se apenas de residências) se refere:

“(…) A number of provisions will aim to ensure that the funds support the real economy. Those counterparties that have not fulfilled certain conditions regarding the volume of their net lending to the real economy will be required to pay back borrowings in September 2016.  (…)”

Em que consistirão estas medidas? Até que ponto serão eficazes para evitar que, por exemplo, o dinheiro lançado para a economia não se concentre na valorização de ações? E, quem sabe, por efeitos indiretos, terminar induzindo deflação em áreas  que comparativamente passarão a ser menos interessantes e competitivas em termos de retorno?

Provavelmente o BCE ainda não está preparado para responder mas compromete-se, “em devido tempo” a fazê-lo, mas para já uma das dúvidas centrais do programa permanece por esclarecer.

Further technical details and an exact calendar of the operations will be announced in due course.

 

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