BCE passa a exigir pagamento aos depositantes (atualizado II)

O BCE passa a exigir pagamento aos bancos depositantes a partir do próximo dia 11 de junho de 2014. Esta alteração para taxas nominais negativas na taxa de remuneração dos depósitos colocados junto do Banco Central Europeu é histórica e era já esperada. Estas taxas negativas deverão manter-se por um longo período podendo vir a ser ainda reforçadas (negativamente). Trata-se contudo de apenas uma das faces do programa de quantitative easing hoje enunciado. O BCE não quer que a liquidez que tem colocado no mercado lhe seja devolvida sobre a forma de depósito, preferindo que seja aplicada em novos créditos na “economia real”, que não em setores especulativos (como o imobiliário), daí penalizar dos depositantes. Este parece ser assim o racional das medidas hoje avançadas pelo BCE.

O BCE dá indicação de que estará mobilizado para enfrentar o período de baixa inflação com novas medidas de injeção de liquidez/penalização de depositantes.

O BCE apresentou medidas adicionais de financiamento à economia. Uma nova buzz word: Targeted  LTROs. O TLTRO são empréstimos direcionados de longo prazo orientados para empresas não financeiras e privados da Zona Euro devendo contudo ter restrições quanto ao destino dos créditos relevantes. A ideia será permitir o acesso a crédito barato, numa fração dos créditos já em balança que não se destinem a crédito à habitação (pelo menos) ou a financiar a dívida pública, de modo a que esse crédito possa chegar a novos intestimentos em áreas não associadas à construção/dívida pública. O BCE refere que existirão mecanismos de avaliação para garantir que o dinheiro agora facilitado seja efetivamentedirecionado para a atividade produtiva. A taxa de juro a aplicar nos crédito será a que estiver em vigor para as Main Refinancing Operations (hoje de 0,15%) acrescida de 0,10%.

Por outro lado, o BCE continua a afirmar que que irá em breve iniciar a compra de valores mobiliários garantidos por ativos (ABS), emitidos por sociedades não financeiras das Zona Euro, remetendo-se, contudo, aos ABS considerados simples e transparentes.

O MRO (Main Refinancing Operations) continuarão e o BCE deixará de esterelizar as medidas com impacto nos mercados de valores mobiliários.

Em termos globais, este parece ser um programa de intervenção monetária ambicioso com vista a estimular a concessão de cr´dito a atividades produtivas, penalizar a poupança excessiva e estimular o consumo.


Taxas BCE

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