DECO – Proteste – associação de comissionistas à custa dos consumidores? (Nota editorial – atual.)

Segundo a Rádio Renascença, a razão pela qual quase todos os distribuidores de energia elétrica terão recusado participar no leilão organizado pela DECO – Proteste  por nós aqui várias vezes publicitado – prende-se com o facto de esta associação ter exigido o pagamento de uma comissão ao vencedor do leilão, por cada consumidor participante do leilão que venha a aderir aos seus serviços de distribuição elétrica.

DECO – Proteste:

Segundo a Renascença, tal comissão chegou a ser de €30 por novo cliente tendo-se fixado finalmente nos €15 o que, na hipótese teórica, de todos os inscritos virem a aceitar os termos resultantes do leilão (que a DECO – Proteste hoje anunciará) representariam uma receita de quase 9 milhões de euro para a associação.

Recorde-se que a DECO é uma associação de consumidores que pagam quotas regulares. Os receitas da associação advirão destas quotas e  da venda de livros e revistas especializados em direitos dos consumidores (sem qualquer outra publicidade remunerada). A confirmar-se a notícia da Rádio Renascença a DECO – Proteste terá alargado a forma de geração de receitas.

NOTA EDITORIAL:

Não negando o direito da DECO – Proteste em se consubstanciar como prestadora de serviços ao consumidor, exigindo a respetiva remuneração, a confirmarem-se os termos da notícia e após aferirmos a sensibilidade de vários participantes no leilão incluindo alguns sócios da DECO – Proteste, estamos em crer que tal associação não cumpriu de forma suficientemente esclarecedora o seu papel nesta iniciativa ferindo uma relação de confiança assumida implicitamente por muitos associados e forçando-nos a promover um logro junto dos nossos leitores.

Recordamos que a DECO – Proteste possui vários protocolos com vários prestadores de serviços que apresenta aos seus associados como melhores escolhas (seguros, crédito, etc). Desconhecemos se nesses casos também existe pagamento de comissões por cada associado que se converte em cliente, mas parece-nos legítimo extrapolar tal conclusão em virtude da denúncia agora feita pelos distribuidores de eletricidade, tal como nos parece legítimo admitir que, a existirem, a DECO – Proteste não efetua a devida publicitação de tal relação comercial com os prestadores de serviços, uma prática que, a confirmar-se, desvirtua plenamente o estatuto de “defesa do consumidor” imparcial que a DECO – Proteste reclama (em nosso entender).

Em suma, como medida de prudência e reconhecendo que o risco da existência de tais práticas constitui um comportamento que não nos parece aceitável e digno de promoção no nosso sítio (quem conhece a nossa política de divulgação integral de relações comerciais com anunciantes, percebe que temos particular cuidado com a nossa relação com os nossos leitores), decidimos suspender, até melhor informação, a publicidade à DECO – Proteste que temos vindo a promover ao longo de vários anos.

P.S.: Quem se deu ao trabalho de ler “Perguntas sobre o leilão” poderá ter lido também a seguinte prosa da DECO – Proteste que no fundamental não nos leva a alterar a posição acima enunciada. Recordamos que o valor da comissão foi o argumento avançado pela maioria dos distribuidores desistentes do leilão:

“O que ganha a DECO neste leilão?

A DECO tem diversas iniciativas em curso no âmbito da liberalização dos mercados de energia, como sejam, a disponibilidade de simuladores para a escolha de melhores tarifas de eletricidade, sessões de informação em acordo com a ERSE, bem como disponibilização de diversos artigos na revista e no site sobre o assunto. O leilão é mais uma iniciativa para ajudar consumidores a aderirem ao mercado liberalizado nas melhores condições. A DECO, através da DECO PROTESTE, organiza o leilão. A DECO poderá vir a receber uma comissão por cada contrato assinado pelos consumidores junto do fornecedor que ganhar o leilão. Aos associados, será devolvido todo o montante respetivo recebido. A DECO apenas poderá vir a reter a parte respeitante aos contratos celebrados pelos consumidores que não forem nossos associados. Por sermos uma organização sem fins lucrativos, este montante servirá para cobrir os custos administrativos, de organização, de publicidade e de gestão da ação. Em suma, tudo o que permite a boa organização do leilão de eletricidade. Desta forma, a DECO garante os seus compromissos fundamentais: defender os interesses dos consumidores, permanecendo independente, sem receber subsídios do poder público, nem qualquer financiamento de empresas.”

Sobre a DECO – Proteste consultar também: Como cancelar a assinatura da Deco Proteste?

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26 Comentários

  • Rui Responder

    Ao menos, dignaram-se a perguntar á DECO se isso é realmente verdade?
    Era bom que o fizessem antes de lançar artigos a explicar em como se deixa de ser sócio da associação.

  • Miguel Ferreira Responder

    E desta forma se desvia a atenção dos grandes lobbys…

  • Pingback:DECO Proteste – pedido de desculpas | Economia e Finanças

  • Nuno José Almeida Responder

    Uma vergonha 15 euros de comissão, alías a DECO de imparcial não tem nada, basta ter conhecimento numa área que testam e perceber que os testes são falsos.

  • carlos mendes Responder

    D outores
    E specializados
    C hulice
    O rganizada

  • jorge santos Responder

    D outores
    E specializados
    C hulice
    O rganizada

  • Carlos Monteiro Responder

    E pronto, já conseguimos arranjar uma cortina de fumo para esconder o facto de estarmos a ser roubados no preço da electricidade, tal como explicado pelo ex-secretário de estado da energia no programa Negócios da semana de 24-4.

  • Nuno Sousa Responder

    Tanta gente “indignada”… mas quando se falou em pagar menos pela tarifa da luz ninguém se queixou. A DECO até podia cobrar 50€ por contrato… se é um valor que é o fornecedor de electricidade a pagar não afecta os consumidores!!
    Eu estou indignado é por a maioria dos fornecedores de electricidade terem arranjado uma qualquer desculpa e terem “fugido com o cu à seringa” e assim não apresentarem uma proposta de fornecimento. Só demonstram o conluio que existe neste mercado dito aberto.
    Haaa… e quem subscreveu o leilão não é obrigado a assinar contrato!

  • MIguel L. Responder

    Qual é o problema de a Deco ganhar comissões?! Se prestam um bom serviço ao cliente qual é o problema?!
    Vou passar para a Endesa imediatamente!

    • Mapari Responder

      O problema é que é dificil vender que €15 per capita são necessários para financiar custos com esta operação. Em particualr tratando-se de uma campanah que angariou publicidade gratuita (e com isso adesões e uma apetecível e valiosa base de dados) de uma forma muito expressiva. Neste momento, não se distinguem de uma qualquer revista (ou sítio da net) que angaria clientes e, claro, perdem a independência que tanto apregoam pois passam a ser pagos pelos fornecedores e não apenas pelos consumidores.
      Deixando tudo isso muito claro, não há problema nenhum. Só que a DECO-Proteste não é vista como uma empresa de angariação de clientes ou como um intermediário orientado para sobrevier à custa de comissões. Aparentemente devia ser e devia de o tornar mais claro, só que creio convem-lhes parecer ser aquilo que não são: uma associação independente e apenas orientada para defender os interesses dos consumidores. Afinal são um intermediário comercial como qualquer agente de seguros, bancário, de venda de enciclopédias, etc.

  • Mgaia Responder

    Desculpem lá mas, à aqui alguém que trabalhe de graça?! Eu aderi ao leilão e se for apresentada uma alternativa que me ajude a poupar relativamente à que atualmente tenho com a “toda poderosa” EDP (daquele sr. Mexia que em 2012 auferiu 3 milhões e uns trocos, lembram-se), mas estava eu a dizer, se me derem uma alternativa que me ajude a poupar quero lá saber se a empresa que apresentou uma propostas terá de pagar 10, 15, 20 euros por cada adesão !! É lá com eles !!
    Mas fica no ar…se a Endesa apresentou uma proposta com as condições da DECO, porque é que a GALP e a EDP, nascidas e mantidas “até idade adulta” com capital público, não apresentaram? (lá se iam os 3 milhões do Sr. Mexia, não era…)

  • António Silva Responder

    Concordo com a DECO, não posso estar de acordo com o Economia e Finanças. A DECO, de que NÃO sou associado, cumpriu o objectivo a que se propôs de reduzir o preço da electricidade a quem aderisse à sua iniciativa. E apenas não devolve a comissão cobrada à distribuidora ganhadora do leilão(destinada a custear despesas administrativas, etc.)a quem não seja associado. Qual é o espanto?! O que é de espantar é que o Economia e Finanças acolha o argumento dos potentados EDP e GALP, responsáveis pela prática de tarifários abusivos.

  • Pedro Costa Responder

    Sou socio da deco ja a alguns anos e so me teem trazido beneficios.
    Se me baixarem o preço da luz ao que pago actuamente prefiro pagar a Deco do que contribuir para o salario milionario do sr.Mexia e comitiva.

  • DomFerna Responder

    Não me surpreende esta atitude da DECO, só vem reforçar a opiniao que deles tinha desde o verão de 2009. se bem se lembram este verão teve um grave erro da CGD no capitulo dos juros bonificados á habitação durante todo o ano anterior e, pretendeu e conseguiu cobrar de uma só vez o valor, pondo ao dispor dos clientes uma linha de credito com juro vantajoso para quem nao disponha da verba… resumindo, a CGD errou e ainda ganhou dinheiro com isso, um escandalo a meu ver, a DECO colocou uma providencia cautelar, que obviamnete foi anulada. retorqui e a DECO limitou-se a enviar-me um email “simpatico” a dizer que nao podia fazer nada mas que me apoiava nos meus propositos (gostei…lol)Apresentei queixa ao BdeP…nada…ao BCE, valeu um puxao de orelhas á CGD mas obvio noa se ralaram nada….desisti imediatamente de socio da DECO (8€/mês nessa altura)que acho nao servem para nada, é a minha opiniao fundamentada e estou certo muitas pessoas tem razão tambem. E é assim que estamos, cada um por si opu formando alguns grupos de cidadãos…vejamos a gasolina! os operadores privados de tv! os operadores de telemoveis!! etc etc..tudo muito alinhadinho, arrumadinho…acho que esses gestores nao conhecem a palavra mercado liberalizado, e depois há as ERSES, as ANACOM que era suposto fiscalizar….enfim !!!! obrigado pelo vosso esclarecimento Economia e finanças.

  • AP Responder

    Apesar de associado, aguardo há dois meses por um pedido de informação sobre um determinado processo.
    A isto chama-se defesa do consumidor

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  • Gonçalo Pinto Responder

    Discordo totalmente da opinião do Economia e Finanças.
    A cobrança de comissão ao vencedor foi claramente anunciada pela Deco. Quando aderi já estava informado do facto.
    Foi também explicado que o valor cobrado seria totalmente devolvido aos associados pelo vencedor em desconto na fatura.
    Não sou sócio da DECO e portanto acho normal eles cobrarem-me por este serviço.
    O facto de 4 dos 5 operadores terem decidido não aderir ao leilão, mostra bem quanto têm a perder.
    Só espero que as condições da Endesa sejam boas para concretizar a mudança.

  • Helder Murraças Responder

    Vamos ao que interessa ao consumidor, vamos ou não ter vantagens com este leilão? É isto que esta em causa.
    Aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra – isto serve para todos…

    • Mapari Responder

      Por essa lógica Helder não há crime que se castigue ou pecado que se recrimine, pois somos todos pecadores 🙂

  • Helder Murraças Responder

    Reve-se nos pecados?
    Mas que crime é que esta aqui?
    Afinal ter a electricidade mais barata parece não ser o mais importante…preocupam-se demais com a vida dos vizinhos!!! O que eu quero é ter a electricidade mais barata!!!
    Sejam inteligentes e não entrem no jogo da escumalha…

    • Mapari Responder

      Respondemos-lhe o que já lhe deixámos noutro artigo apelando também à sua inteligência:
      O que se põe em causa não é a existência de uma empresa orientada para as compras/vendas em grupo. Já há muitas por aí e não as criticamos por isso. O que se põe em causa é a DECO querer parecer que é outra coisa. A partir do momento em que recebe comissões pelas vendas que faz, é uma empresa de vendas em grupo paga por quem quer vender produtos. Isto retira-lhe independência para se poder arvorar em associação de defesa dos consumidores, isenta e independente dos vendedores de bens e serviços. Como pode ser independente se é paga diretamente por eles? É este o comentário que fazemos e faríamos em qualquer circunstância similar.

  • António Ferrão Responder

    O modus operandi da DECO-Proteste sempre foi altamente questionável desde o primeiro momento, principalmente da parte de quem conhece os produtos e serviços testados, e a forma como tratam os seus associados pagantes. Quando alega a plenos pulmões que presta apoio comercial, jurídico, e ao endividado, o seu comportamento deixa a desejar.
    Eu já tentei recorrer aos apoios comerciais e jurídicos da DECO-Proteste, em situações pouco complexas e relativamente directas (como me vieram ensinar os conhecimentos que entretanto adquiri em Direito Comercial, e a forma como resolvi mais tarde essas situações sem a ajuda deles), em que me foi sempre transmitido que não teria razão, ou que não seriam a pessoa certa para me aconselhar.
    A juntar estes factos que mencionei, a quantidade de informação falsa que consta nas suas publicações (também já tive oportunidade de ler a publicação deste mês acerca de pneus, nem vale o papel em que foi impresso), e a quantidade de lixo que recebo tanto na minha caixa de correio física como electrónica que vem da parte deles e dos seus “parceiros”, abdiquei do meu estatuto de associado, processo que eles decidiram tornar difícil (e acredito que o façam com os demais). A adesão foi feita por telefone, sem um único papel assinado, mas a rescisão teve que ser um requerimento em que dava os meus dados pessoais e de associados, com fotocópias dos meus documentos pessoais (BI e CC), para ter efeitos a partir do mês a seguir (a quota que estaria prestes a vencer ainda teria que ser paga, disseram eles, mas imediatamente cancelei o débito directo, o que nunca reclamaram).
    Com este leilão da electricidade, finalmente posso exclamar: caiu-lhes a máscara. Não são nem nunca foram uma associação de defesa do consumidor independente dos mercados, mas sim agentes intermediários entre as empresas e os consumidores.

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