"Verdade" da DECO não resiste às declarações da Endesa

A DECO que ontem chamou mentirosos a vários órgãos de comunicação social e a quem reproduziu a informação disponível, lavrando um comunicado de vitimização (pode ler aqui), afinal ainda está a negociar a comissão que vai receber junto do vencedor do leilão. É o que o vencedor do leilão, a Endesa, afirma em entrevista ao Jornal de Negócios pela voz do seu presidente em Portugal. Nuno Ribeiro da Silva admite que a comissão possa ser de €15 (contrariando assim a perspetiva de que nunca poderia ser superior a €5 como a DECO ontem avançou) e está disponível para a pagar, ainda que o valor não esteja fechado – é o que afirma.

Mas qual é o “crime” da DECO? O que se exigia era que assumissem que são uma central de compras em grupo e que têm por objetivo maximizar o volume de negócios. A defesa imparcial dos interesses dos consumidores não é compatível com o recebimento direto de comissões que não sejam pagas diretamente pelos consumidores que visa proteger. É uma questão de conflito de interesses que a negociação direta do valor da comissão com o vencedor só torna ainda mais evidente. É assim tão difícil perceber isso? A DECO percebe muito bem este tipo de conflito quando é chamada a opinar sobre as relações dos consumidores com outros prestadores de serviços, infelizmente não o reconhece dentro de casa.

Quanto à Endesa, obviamente, não merece qualquer reparo, muito pelo contrário, seja qual for o negócio que esteja a decorrer nos bastidores para se chegar a um acordo quanto à comissão a pagar ao angariador de clientes.

P.S.: Usamos livremente a expressão DECO como sinónimo para DECO-Proteste por ser esta a designação que cremos melhor é reconhecida pelos nossos leitores, pratica que aliás a própria empresa utilizou no comunicado a que aqui deixamos ligação.

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23 Comments

  • VascoResponder

    Bem verdade, bom artigo

  • Joaquim MarquesResponder

    Intrujas!!

  • João PedroResponder

    Porque será que a DECO não pode impor condições negociais como qualquer outra empresa. os fornecedores de electricidade carregam as facturas com cobranças muito superiores ao custo da electricidade e mantém-se sem grandes criticas ou solução.
    Quando uma associação de defesa de interesses de consumidores (que se não existisse estavam abandonados) pretende uma comissão por obter para os consumidores melhor preço atribui-se este facto a um escândalo!
    Logicamente que a ex-monopolistas EDP «combate» este tipo de defesa aos consumidores ( o que oferece, no mercado livre é um desconto de 5% muito menos que outros concorrentes!)
    Julgo que esta campanha agora depois do leilão tem por base é que a comissão irá reforçar financeiramente a DECO e logicamente terá mais meios para defender os seus associados e os consumidores. É evidente que esta força incomoda muito o mercado….

    • MapariResponder

      A resposta está dada no artigo João Pedro. Só não vê o insanável conflito de interesses quem não quer mesmo ver. Não lhes convém. Mas é bom que a DECO seja percebida como uma empresa qualquer, os termos exatos em que se referiu a ela. Acaba com um mito que vai na cabeça de muitos “associados”.

  • Helder MurraçasResponder

    Então vamos fazer o seguinte. Por cada português que o Estado poupar dos sacrifícios a Deco recebe 50€. Se isto fosse verdade qual era o comentário que faziam?

    • MapariResponder

      O que se põe em causa não é a existência de uma empresa orientada para as compras/vendas em grupo. Já há muitas por aí e não as criticamos por isso. O que se põe em causa é a DECO querer parecer que é outra coisa. A partir do momento em que recebe comissões pelas vendas que faz, é uma empresa de vendas em grupo paga por quem quer vender produtos. Isto retira-lhe independência para se poder arvorar em associação de defesa dos consumidores, isenta e independente dos vendedores de bens e serviços. Como pode ser independente se é paga diretamente por eles? É este o comentário que fazemos e faríamos em qualquer circunstância similar.

  • José CasimiroResponder

    É importante que a Deco esclareça com o máximo de urgência as comissões que recebe em todos os produtos que promove, como por exemplo os seguros.
    É claramente incompatível a defesa dos interesses dos consumidores e a venda, mesmo que indirecta, de produtos e serviços.

  • Helder MurraçasResponder

    Porque será que ninguém respondeu à minha pergunta colocada hoje às 16h59? Se calhar o silencio diz tudo.
    Porque razão o “economias e finanças” diz como cancelar assinatura da Deco Proteste? Ora aqui esta uma atitude que não compreendo, com que direito o faz? Acho estranho…será para agradar alguém?
    E já agora, será quando informam dos melhores depósitos também não recebem nenhuma comissão? A pergunta é legitima.

  • Carlos RibeiroResponder

    Do que tenho lido nas várias threads entendo que existe alguma confusão sobre o presente processo.
    Irei antes expor as premissas que considero existir sobre este tema:
    – A Deco intitula-se uma empresa na defesa do consumidor. Isto faz parte do ADN da Deco
    – A Deco passa a imagem/mensagem de uma entidade idónea, livre de conflitos de interesses e que a sua existência é proteger os consumidores.
    – A Deco como empresa não (presumo) patrocinada pelo estado tem que sobreviver, como qualquer outra empresa.
    Disto isto entendo que:
    – A DECO tem todo o direito de ser ressarcida das despesas efetuadas com o leilão.
    – A DECO tem o dever de garantir imparcialidade neste e em todo o processo que atue na defesa dos consumidores
    – A DECO tem que ter um comportamento acima de qualquer suspeita, de forma a garantir a imagem de transparecia, sem conflitos de interesses e idónea.
    De toda esta confusão retiro que:
    – A DECO tendo todo o direito a ser ressarcida das despesas feitas, deveria ter apresentado um preço fixo a quem ganha-se o leilão. Foi um serviço que fez. E isto indicado no contrato inicial e publico.
    – A DECO nunca deveria ter tomado uma postura de comissionista, como qualquer outra empresa, pois tal leva a:
    – Conflito de interesses, quem dá mais de comissão.
    – Falta de transparecia, pois tudo isto deveria estar claro no
    contracto inicial, incluindo valores a cobrar fixo.
    – Duvida Plausível – A Deco, com isto, perdeu anos de confiança dos
    consumidores, pois agora, qualquer protocolo DECO levanta sempre
    a questão, que ganhará a DECO com isto?
    Ou seja,o que deve estar em cima da mesa, não é que a DECO deva ser paga pelo seu trabalho mas sim, se a DECO continua a ser uma entidade de confiança acima de qualquer suspeita, a partir do momento que a mesma recebe rendimentos na forma de comissão, negociáveis à posteriori e aparentemente em clausulas confidenciais. E ai entendo que não, ou que tenho pelo menos uma duvida plausível muito forte para desconfiar da DECO.
    Tudo o resto é ruído, as empresas de eletricidade vivem neste mercado e tem o direito de atuar como queiram, dentro de legalidade e de defender os seus interesses. Está mal a situação, está, mas a culpa é da Lei e das decisões políticas que o permitem, não delas.
    Assim, o foco deverá ser a DECO com duas perguntas essenciais:
    – Pode uma empresa que tem no ADN a defesa do consumidor ter clausular confidenciais e definir comissões depois de o leilão ter ocorrido (sendo assim já conhecido a sua força) sujeitando-se a conflito de interesses.
    – Qual deverá ser o comportamento de um empresa que nos representa, a nós, o elo mais fraco

    • MapariResponder

      Pela nossa parte, de acordo Carlos Ribeiro. Abordou o fundamental!

  • henrique luisResponder

    Andais muito incomodados por a Deco ter mexido nos vossos interesses. Andais nervosos com a possibilidade de a gamela ficar mais vazia. Só mesmo neste País é que isto funciona assim. Recentemente comprei casa e fiz os melhores negócios. Falamos do preço, falamos da água,falamos da luz, falamos do gas. Eu perguntei á Deco e eles disseram. Faça assim. E eu fiz.

  • MiguelResponder

    Viva,
    A DECO/PROTESTE realiza, em conjunto com as suas congéneres europeias, testes e ensaios a produtos e serviços disponibilizados em Portugal, e que têm custos que não podemos esquecer. A DECO/PROTESTE publica anualmente os seus resultados económicos e esta atividade estará lá refletida.
    Relembo que a DECO/PROTESTE representa os consumidores seus associados.
    Para a defesa dos interesses dos consumidores em geral existe a Direcção Geral do Consumidor (http://www.consumidor.pt/). Consultem a DGC sobre iniciativas deste género e coloquem aqui a resposta sff.
    O tempo vai ajudar a esclarecer este assunto… acho que todos ganhamos se conseguirmos ter uma perspetiva positiva sobre os leilões de serviços e devemos procurar uma forma transparente de os realizar novamente no futuro, pois servem o interesse dos consumidores.

  • jose diogoResponder

    A DECO é uma das entidades mais agressivas em termos de publicidade para comercialização dos seus produtos, a DECO à “pala” da defesa do consumidor, tornou-se uma organização altamente lucrativa e não perde oportunidades para se tornar cada dia mais poderosa em termos económicos.
    É pena, isso sim, é que a DECO não se proponha em alterar os seus estatutos e passe a uma Sociedade Comercial normal, neste caso uma SA, transformando as quotas dos seus associados em acções da empresa, mas isso poderia ser um problema não só para a sua gestão pois estaria sujeita às regras impostas pela Lei, mas também para a sua tesouraria, pois estaria sujeita aos mesmos impostos e à mesma organização contabilistica e transparência a que hoje as scoiedades comerciais normais o estão.
    Enfim Associações, Fundações e coisas afins que por aí proliferam e que têm por objetico servir-se a si próprias (diga-se quem as fundou e quem a gere) e não àqueles que dizem nos seus estatutos defender, é uma boa forma de ter “empresas” e bons empregos, alguns pagos pelo orçamento do estado (diga-se com o dinheiro de todos nós) sem estar sujeito às regras normais das sociedades.

  • DomFernaResponder

    Bom dia
    folgo ver uma boa discussão e opiniões diversas, a democracia está a funcionar, ainda bem que funciona em certos locais. Já deixei a minha no outro artigo da Economia e finanças e venho aqui fazer um reparo. Diz-se, defende-se at´´e se aventou a hipotese de a Deco cobrar uma taxa se nos “livrasse” de impostos. meus caros acho, é minha opinião, mas acho dizia que está tudo ao contrário, estamos a assumir que nos podem fazer tudo e depois terá de haver um “cavaleiro montando num cavalo branco” que nos vem salvar. è minha opinião que a deco teria de existir para conflitos particulares, aconselhar na nossa escolha, nunca para questões de fundo, como o bem essencial que é a electricidade ou como alguem diz os impostos. Se assim não fosse, a deco receberia uma fortuna em comissões, energia, gasolina, impostos, saude, educação, porque está tudo mal em Portugal !!!!!!
    um bom dia

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  • Nuno José AlmeidaResponder

    A dECO não perdeu confiança nenhuma minha, nunca teve, basta ver os testes que fazem, quem percebe de uma área que testam ve logo as maroscas. Pior, usam e abusam do SPAM, têm um marketing super agressivo e já viram bem a “prenda” que dão quando assinamos a revista. É o tipo de produto que deviam criticar. Tipicamente uma ONG que se aproveita da suposta defesa do bem público para ganahr vantagens pessoais de quem lá anda.

  • PedroResponder

    O que entendo disto é que agora está toda a gente a duvidar da imparcialidade das análises da DECO a produtos, quando recebe comissões duma marca (vencedora do leilão), mas o que parece que ninguém ainda viu é que reviews de produtos são uma coisa, leilões são outra. A DECO não analisou a qualidade de nenhum fornecedor de electricidade (portanto não há nenhuma análise ‘manhosa’ aqui), apenas tentou negociar qual dos fornecedores exigia menor pagamento da electricidade que fornecem, e anunciou-o, é tudo. Anunciou os preços com a confirmação do fornecedor, e até os fornecedores concorrentes poderiam confirmá-los se estivessem lá. Foi algo público, e não uma review feita sabe-se lá por quem e como. Não disse que é o melhor, apenas que é o mais barato (ou seria, se houvesse mais participantes). Pareceu-me ser tudo às claras.
    Tendo em conta que sempre disseram que iriam receber comissão do vencedor por cada novo consumidor, e que se este estivesse na DECO registado essa comissão IRIA SER OFERECIDA AO CONSUMIDOR –e nessa altura ninguém disse nada–, não estou a ver a razão de tanto alarido. Ou se calhar até estou….
    @Nuno José Almeida, esperava grande qualidade nos brindes? Esperava ali um produto com a melhor relação qualidade/preço à borliú, não? Até pode ser o tipo de produto que podiam criticar, *caso o consumidor tivesse gasto dinheiro com ele*, mas é à borla, e a cavalo dado…. a não ser que assine as revistas só pelo brinde, e aí sim, está a ser roubado, mas por si próprio.

    • Nuno JoséResponder

      @Pedro
      O Pedro não entendeu a ironia de uma empresa cheia de telhados de vidro. Foram só exemplos para demonstrar que a DECO-proteste é eticamente reprovável e este foi só mais um exemplo de falta de transparência, algo que em Portugal já estamos habituados.
      Incrivelmente este tipo de comportamentos são defendidos por algumas pessoas. Transparência, ética e dignidade vão faltando neste novo século.

  • jose moraisResponder

    DECO, sou associado não sei por quanto tempo ainda, já que como defesa do consumidor que é, nos últimos tempos deixou-me algumas dúvidas, e as experiencias que tenho, será que vale a pena acreditar.
    A primeira má experiencia, foi quando me chegou a minha casa uma publicidade em adquirir uma de uma publicação, com ofertas, a dita publicação seria grátis nas quatro primeiras entregas, enviavam-me uns brindes, se quisesse assinava, se não desistia.
    Resolvi enviar o respetivo cupão, e enviaram-me a primeira revista, o tempo foi passando, as revistas vinham, e passado quase três meses os brindes não chegaram, aborrecido escrevi em carta registada a reclamar, e a cancelar o envio de mais revistas, em três dias enviaram-me os brindes sem dar uma palavra, e as revistas continuaram a ser enviadas, enviei mais uma carta a cancelar, e tudo continuou na mesma, acabei por telefonar, e ai depois de uma conversa que não me satisfez lá foi feito o cancelamento e me enviaram uma carta a informar, porem até à data as revistas continuam a vir, outra das coisas incorretas que verifiquei foi que me debitaram na conta o valor da assinatura, sem meio consentimento, o que me desagrada imenso e irei protestar, porque como DECO fez o mesmo que outras empresas.
    Este um dos casos que tive com a DECO, porem numa abordagem com um problema com a compra de um imóvel, onde da parte da imobiliária existiu má fé, tentei por intermedio da DECO um pedido de ajuda, depois de mais de 4 horas nas suas instalações em espera, e depois de ser atendido, apenas me aconselharam a consultar um advogado, já que nada poderiam fazer, a isto pergunto será este o apoio aos associados.
    Por fim, sobre este leilão de eletricidade, penso que acaba de ser uma autentica palhaçada, porque a Endesa ganhou, o prazo que o preço se mantem é apenas de 1 anos, depois logo se vê, apenas garantido, dizem? que não existe fidelização obrigatória, mas quem garante que 1 ano depois o preço não seja superior, ponhamos os olhos nos combustíveis, e outra coisa, como será feita a distribuição, pelos postes da EDP, pelos contadores da EDP, ou será que haverá instalações próprias, penso que não, será o caso dos telefones da Telecom, as linhas e os equipamentos eram destes, e apenas os operadores novos recebiam, mas e quando existir avarias, quem serão os primeiros a ter prioridade?
    No caso da eletricidade será que a Endesa, ou outros operadores farão a manutenção, ou continua a ser a EDP, e no final quem sofre é o consumidor.
    Por fim deixo ainda a pergunta, e quem será o grande ganhador deste negócio, a DECO, que vai ganhar uma comissão, porque com tanta gente a ganhar será que ao fim do ano os preços se irão manter, porque a Endesa pratica mais baixo, dá comissão, tem de pagar á EDP, e ainda terá lucros? vamos pensar…

  • desconhecidoResponder

    Eu trabalho nos famosos contactos telefónicos para os inscritos do leilão, e posso-vos dizer que a Deco é tudo menos defesa do consumidor.
    Passando pela não existência de mais do que uma forma de pagamento (algo que a deco gosta de dizer que deveria de existir nas outras empresas, o caso do pingo doce é um exemplo. tão preocupados e ofendidos ficaram quando pasosu para 20€), ou até às frases sobre as vendas agressivas e a falta de tempo para o cliente decidir (coisa que no call centre é quase o diabo em pessoa, o cliente tem de decidir praticamente na hora se quer, ou não, ser associado da DECO).
    Resumidamente,
    A deco é tão aldrabona como quem ela tanto denuncia.

  • Arnaldo SilvaResponder

    Caros amigos,
    Sou sócio da DECO desde a sua formação.Até hoje só tenho a agradecer os conselhos que me deram.Ganhei muito dinheiro nas escolhas acertadas.Ganhei dois processos contra uma grande empresa sendo apoiado pela DECO.Afinal ainda há muitos ingratos por aqueles que defendem os consumidores a custo zero.Peço á DECO que continue a fazer este bom trabalho.Obrigado.

  • PedroResponder

    Venho aqui fazer mea culpa por ter defendido a Deco no comentário de 06/05/2013, depois de ter visto nas notícias que a endesa afinal passa a ser o fornecedor mais caro do mercado após apenas alguns meses. Apesar disto srª deco continua a mandar-me emails a convencer-me a mudar para a endesa, pq é mais barato e blábláblá. Esta empresa deveria ser investigada a fundo.

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