Saiba como ficar sem o subsídio de natal e parte do subsídio de férias quase sem se aperceber

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Segue opinião. Ainda que as medidas não seja todas suficientemente claras para uma correcta quantificação, assim por alto, uma família com crianças em idade escolar que tenha de recorrer ao privado (por exemplo, com crianças com menos de 6 anos que não têm oferta do Estado), que esteja a pagar casa própria ao banco e que recorra, por exemplo, a pediatria e dentista no privado, por manifesta carência de oferta no serviço público, muito provavelmente, bem feitas as contas, vai mesmo ficar sem o equivalente a um mês ou mais do ordenado, caso sejam trabalhadores por conta de outrem.

Se o nosso entendimento estiver correcto, o objectivo é as deduções de IRS associadas a despesas de saúde caírem para um terço.

Se a família do exemplo gastar 1000€ por ano em despesas de saúde perde o equivalente a 200€/ano de deduções.

O benefício fiscal associado às despesas com casa própria (crédito ou renda) estão também condenados a desaparecer ainda que faseadamente. O maior impacto deve notar-se logo no primeiro ano pois apenas os juros/rendas serão parcialmente dedutíveis. Dependendo de aspectos como a eficiência energética a perda  com o final desta dedução rondará os 600€/ano podendo ser superior.

Por outro lado, a dedução das despesa da creche/escola será também deduzida. Se passar para metade (pode ser pior) poderá perder-se um pouco mais de 300€/ano.

E vamos, por alto com um aumento do IRS de 1.100€ neste exemplo grosseiro. Se juntarmos a subida de IVA na electricidade (deverá passar para 13%), o aumento do IMI (impossível de calcular ao nível da família), o aumento das taxas moderadoras no acesso ao serviço nacional de saúde, as restantes subidas de IVA que irão inevitavelmente afectar bens de consumo obrigatório e o aumento dos transportes, facilmente se comprova que, para a maioria dos que ficarem nesta situação, o equivalente ao subsídio de Natal e, quem sabe, o subsídio de Férias, acaba por ser “comido” pelo IRS e restantes taxas e impostos.

Contudo, estas medidas faseadas, dispersas, ajudam a configurar uma situação ilusória de menor choque imediato. No final do mês ou do ano, contudo, a ilusão deixará cair a sua mascara.

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