Zopa: Crédito directo entre indivíduos à moda peer-to-peer (última parte)

(continuação daqui)

A auto-promoção do Zopa sublinha desde logo as principais vantagens: taxas muito mais baixas para os devedores e mais interessantes para o credores (algo possibilitado pela ausência de spread bancário), ausência de pagamento de penalizações por amortização antecipada do empréstimo, a rapidez e agilidade disponibilizada pelo serviço online e a “humanidade” do processo afinal: “Your money helps real people rather than the banks.

Resta então a segurança. Numa troca directa como confiar? Quem certifica o risco associado à outra parte? O Zopa anuncia que os devedores são “credit-checked” e “risk-assessed” e que o dinheiro colocado por um credor é depois disperso por vários devedores e não concentrado apenas num número limitado. Aliás, o montante máximo emprestado a cada candidato a devedor é definido directamente pelo candidato a credor. Se esta última regra me parece interessante resta explorar o que é que é feito em termos de “credit-check” e de avaliação de risco.

O Zopa garante que todos os candidatos a credores têm de enviar informação que permita confirmar a identidade, a história de crédito e de cumprimentos de crédito e um rendimento anual mínimo acima de um determinado montante (£10,000). Recolhida a informação, o Zopa classifica o devedor de acordo com uma tabela de 4 níveis, faz algumas verificações adicionais (não especificando a que informação recorre ou em que consistem) e apresenta o potencial devedor a potenciais emprestadores que previamente definiram que taxa de juro querem receber de retorno e qual o nível de risco que estão dispostos a aceitar para os indivíduos entre os quais será distribuido o seu dinheiro.

Concluidos os procedimentos e iniciada a relação de crédito, efectuam-se pagamentos mensais que remuneraram o credor à taxa acordada sendo que o Zopa apresenta soluções de seguro para os devedores que tenham mais receio de cair numa situação de incumprimento.

Uma última informação sobre o serviço: o que acontece ao dinheiro depositado junto do Zopa oferecido para empréstimo pelos candidatos a credores? Até encontrar um devedor interessado recebe uma remuneração de tabela (4,5% – atenção que o serviço é Britânico e por lá as taxas de referência estão acima dos 5% =>dados de 2007) com pagamentos mensais.

Resumindo e concluindo, eis um serviço original que teria muito gosto em ver por cá e em incluir por exemplo na listagem de possibilidades de aforro dos investidores nacionais. Para já, tanto quanto consegui apurar, só está disponível no Reino Unido (e na Alemanha?) ainda que estejam para breve expansões internacionais, nomeadamente para os Estados Unidos da América. Seguramente um assunto a acompanhar aqui no Economia & Finanças e que chegará mais cedo ou mais tarde aos media tradicionais (indo além de uma breve nota num suplemento de Sexta-Feira- ver página 2).

 

2 comentários sobre “Zopa: Crédito directo entre indivíduos à moda peer-to-peer (última parte)

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