A singularidade lusa na responsabilização da gestão das empresas

Em linha com o que aqui se escreveu na passada terça-feira, “Fernando Ulrich e Joe Berardo – o caso Millenium BPI“, uma síntese acutilante que se pode ler hoje no Jornal de Negócios.

“(…) O modelo justiceiro norte-americano não é um manto de virtudes, propicia bodes expiatórios, injustiças e deslealdades organizacionais. Mas há poucas coisas piores que a certeza da impunidade que protege alguns audazes em Portugal. Nem é preciso ir muito atrás, por exemplo à Operação Furacão. Ao lermos estes casos com grandes bancos americanos não podemos deixar de pasmar com as coexistências e sobrevivências num BCP moralmente saqueado.

A CMVM veio ontem pedir contenção ao BCP e ao BPI, para que a negociação da fusão não seja feita na praça pública. A CMVM é prudente. Mas também é púdica: é incapaz de travar Joe Berardo, que se tornou um incendiário inimputável, talvez aprendendo com o seu conterrâneo Jardim (o político, não o banqueiro?), e pôde desfraldar no “Prós e Contras” desta segunda-feira enormes bandeiras de informação inexacta ou mesmo errada sobre o banco de que é accionista e que tem grande peso na Bolsa. Se Fernando Ulrich tivesse dito, como Berardo disse, que tem estudos que provam que as acções do BCP valem 5,8 euros caso o banco seja vendido aos bocados, alguém duvida que a CMVM pediria explicações? A Berardo só os jornalistas as pediram: Que estudos são esses? “De três economistas”. Quais? “Não digo”. Perfeito? (…)”

Pedro Guerreiro, Editorial de hoje no Jornal de Negócios.

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