“Linkar” ainda mete medo a alguns jornais?
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Uma das muitas características que distingue um blogue comum de alguns órgãos de comunicação é que o primeiro, mesmo tendo que fazer pela vida de modo a não ser fonte de custos para os seus autores, e, portanto, podendo ter algumas preocupações comerciais, geralmente atribui um valor informativo intrínseco à disponibilização aos leitores da ligação via hiperlink à fonte primária da informação ou ao fenómeno alvo de notícia, suficientemente elevado (para fidelizar os seus leitores e para a qualidade daquilo que oferece) que supera o valor comercial que se pode atribuir à compra de um link, elo ou ligação. Linkar uma instituição, serviço ou afim não é estar a embaretecera indústria dos links comprados, deve ser estar a enriquecer o conteúdo noticiado. Fala-vos um leigo, naturalmente.
Ninguém por aqui teme linkar, e felizmente, já lá vai o tempo em que transformar um endereço da internet num pedaço de texto que, se clicado, reencaminharia o leitor para a correspondente morada. Aos poucos esta característica distintiva dos blogues foi-se diluindo, certamente à medida que o online foi ganhando peso relativo na própria estrutura do media tradicionais profissionais, mas é ainda comum ver endereços web no meio de notícias de jornais nacionais nas suas versões online que não permitem o simples clique e redireccionamento.
O artigo seguinte que abordará o serviço de vendas de bens penhorados do Estado português deparou precisamente com um caso desses. Aparentmente, no Diário Económico há ainda obstáculos que dificultam que um endereço como http://www.e-financas.gov.pt/vendas/ possa ser incorporado na notícia como http://www.e-financas.gov.pt/vendas/ .
Publicidade online ultrapassa publicidade na TV
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A notícia é do Jornal i, refere-se ao Reino Unido e dá testemunho da superação de um limiar que se adivinhava: no primeiro semestre de 2009 houve mais libras investidas em anúncios na internet do que na Televisão, representando 23,5% do mercado contra 21,9% da TV. Aparentemente a crise acelerou este recorde ao penalizar a publicidade na TV em favor da publicidade online.
O momento é histórico, a tendência parece ser inexorável. É por aqui que passarão cada vez mais os investimentos publicitários da mesma forma que é por aqui que cada vez mais pessoas passam mais horas do seu tempo, nomeadamente em busca de entretenimento e informação. Se tem curiosidade em conhecer o relatório completo (tem alguns detalhes interessantes sobre a relvância do investimento por formatos de anúncios e por sector de actividade emissor de publicidade) elaborado pela PricewaterhouseCoopers pode aceder-lhe aqui: Internet Advertising Revenue Report.
Futebol português: Receitas publicitárias versus retorno publicitário
No muito recomendável Futebol Finance apresenta-se hoje um resumo de um estudo da Cision que analisa o retorno dos patrocinadores do futebol português face ao investimento realizado. Sendo um exercício algo subjectivo encontra-se contudo estabelecido na praça e estudos deste género são frequentemente utilizados como referência, quer nas decisões de investimento publicitário, quer na formação de preço dos contratos. Eis alguns dados de balanço entre investimento e retorno:
“(…) Com um ROI de 259,9 milhões de Euros, a Portugal Telecom ocupa lugar de destaque no que diz respeito ao retorno da sua publicidade, pela divulgação do seu conjunto de marcas (PT, Meo, Sapo e TMN). Deste valor só com os patrocínios a Benfica, Sporting e Porto a TMN tem um retorno de 90 milhões de Euros. No entanto ao avaliar o ROI das marcas individualmente, o BES é o que obtêm maior retorno com 126 milhões de Euros. (…)”
Retenho ainda os últimos dois parágrafos de opinião neste artido do Futebol Finance, “O retorno publicitário do futebol Português 2008“:
” (…) Este estudo da Cision vem por a nu a fragilidade do poder de negociação dos clubes Portugueses, no que diz respeito à angariação de patrocinadores. Percebe-se que o futebol é o desporto, palavra e marca que mais receitas gera em Portugal e já vai sendo altura dos clubes elevarem o patamar dos contratos publicitários que efectuam com as grandes empresas nacionais, que anualmente revelam lucros astronómicos.
São centenas os meios de comunicação e empresas que retiram do futebol a sua cota parte de receitas, no entanto os clubes Portugueses não conseguem retirar das empresas patrocinadoras 10% do valor do ROI estimado neste estudo. Quando uma das maiores fontes de receita dos clubes é a venda de publicidade, é notório que o futebol oferece mais às marcas, do que as marcas oferecem ao futebol.”
Aos poucos a imprensa lusa vai percebendo que tem mais a ganhar
Aos poucos a imprensa lusa vai percebendo que tem mais a ganhar com a aposta na simbiose com os blogues do que em diabolizá-los.
O Público que insiste na sua política de restrição de acesso na edição impresa abriu esta semana ligeiramente a porta, piscando o olho à net ao activar o velhíssimo sistema de trackback que fomentou e fomenta a interacção na blogoesfera.
O Portugal Diário, numa operação de actualização do seu portal noticioso resolveu-se a seleccionar alguns blogues especializados e a recomendá-los juntamente com os blogues dos seus editores e jornalistas. Outro tipo de piscadela de olhos que leva a ligações como esta e que acaba por ser um serviço útil para o leitor comum, particularmente aquele que anda meio perdido em busca de “outra informação/entretenimento”, minimamente recomendada e recomendável.
O serviço publico de sindicância do Economia & Finanças está neste momento a ser usado e difundido pelo Portugal Diário. Tiveram a gentileza de pedir ainda que não fosse necessário, pelo menos para o uso que actualmente fazem desse serviço; da minha parte, isento de críticas.
Dizem-me que o novo enamoramento entre media profissionais e a blogoesfera terá outros episódios em breve na nossa aldeia. Aguardemos.
Quanto vale um Ponto Base?
Este artigo “Euribor a 6 meses sobe 140 pontos em pouco mais de um mês” não será seguramente dos mais felizes escritos pelo jornalista André Veríssimo no Jornal de Negócios. Afinal, a taxa ao ter passado de 4,293%% para 4,437% não subiu nem 144 pontos base, nem 1,44 pontos percentuais como se escreve no artigo. A taxa aumentou 0,144 pontos percentuais. Ora um ponto percentual convencionou-se como sendo 100 pontos base. O resto é matemática simples.
Todos temos os nossos momentos.
Certificados de aforro: Chapelada para o Diário Económico
Finalmente um artigo que revela alguma “digestão” sobre o que vai mudar nos certificados, confirmando largamente o que escrevi aqui em “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse) – actualizado“. Refiro-me a esta peça do Diário Económico Online assinada por Barbara Barroso: “Tudo o que muda nos certificados de aforro“.
“(…) O Governo revolucionou as regras dos certificados de aforro: vai poupar dinheiro mas os mais de 700 mil portugueses que optam por colocar as poupanças neste tipo de produto vão ser prejudicados. Os certificados de aforro da série B, a emissão que actualmente está a ser vendida ao público, vão passar a receber juros mais baixos, no âmbito da alteração do regime apresentado ontem pelo Governo.
Actualmente, estes títulos de dívida do Estado pagam um juro de 3,72%. Com a aplicação do novo regime, estes certificados da série B passarão a pagar apenas 2,79%, uma descida de quase um ponto percentual. Uma notícia que não irá agradar aos investidores que procuraram nestes produtos rendibilidades atractivas, mas com um baixo nível de risco. (…)”
Nada que o leitor do Economia & Finanças não soubesse já há umas horitas
O jogo começou há 7 minutos e ainda ninguém marcou golos
Percorrendo a imprensa especializada em Economia & Finanças online, de vez em quando, surgem notícias parecidas com o título deste artigo. Hoje, por exemplo, com hora de edição das 8h07m, ou seja, 7 minutos depois da Euronext Lisboa ter aberto a sessão do dia, o Jornal de Negócios acha razoável escrever cinco parágrafos inteirinhos sobre o que se passou nesses 7 minutos apresentando análises pontuais para vários títulos . Na minha modesta opinião seguem os piores exemplos “lá de fora” e caiem no ridículo, particularmente nesta época de volatilidade extrema das bolsas de valores. Já foi tempo em que o início da sessão marcava o que se iria passar durante o dia. E escrever tanto texto para estar, em regra, completamente desfasado da realidade quando este lido não é prestar um serviço muito útil. Por estes dias, quando a abertura marca a sessão inteira, estamos de facto perante uma autêntica notícia. Talvez tenham sorte nesta terça-feira. Em todo o caso, mais profundidade e menos espuma recomendam-se. Nas mesmas páginas, este exemplo, parece mais interessante de seguir.
P.S.: No Diário Económico a situação repete-se com um lapso temporal mais longo, uns enormes 10 minutos depois.
Qual é o melhor Research a avaliar e a prever a evolução das acções?
Longe de estudarem um fenómeno obediente a uma ciência exacta e longe de estarem imunes a críticas de favorecimento dos negócios do banco (quando se tratam de unidades de análise dos próprios bancos) os research departments têm projecção mediática e são seguidos por vários tipos de investidores nos vários tipos de relatórios que produzem.
Hoje, o Jornal de Negócios releva uma notícia onde se apresenta um estudo de acuidade dos research da península ibérica. A notícia on-line é escassa mas ainda assim chama a atenção para que também nesta área há gotso e lebres. Um ranking de qualidade para estas unidades de análise que complemente a apreciação do próprio investidor é fundamental. Eis o lead da notícia em questão:
” A Espírito Santo Research (ESR) e o Banco Português de Investimento (BPI) foram os melhores bancos da Península Ibérica nas recomendações às empresas. A AQ Research, uma firma de análise da acuidade dos estudos de “research”, analisou para o mercado ibérico os analistas com as recomendações mais certeiras e com as previsões de resultados mais correctas. (…)”
Quantas acções da Galp tenho de comprar para anular o aumento dos combustíveis?
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O Jornal de Negócios publicou hoje umas contas engraçadas, cheias de hipóteses fortes, mas ainda assim acabando por chegar a um exercício meritório no qual se responde a “Quantas acções da Galp tenho de comprar para anular o aumento dos combustíveis?”.
A lógica é simples: se ao aumento dos combustíveis está associado um maior lucro das petrolíferas, toca a ser dono de uma petrolífera para receber via dividendos o que se pagou a mais no posto de abastecimento.
Sem prejuizo de vir aqui a (re)fazer as contas (até porque vem aí o número mágico dos $100 por barril) desafiava o Jornal de Negócios a fazer outra conta: a apurar quanto é que o preço dos combustíveis subiu de facto ao longo do ano até ao momento. Sugiro apenas que se fizessem as contas em euros.
Qual o site mais visitado na net em Portugal?
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Pergunte a quem quiser mas saiba desde já quem não lhe pode responder: a Marktest.
Lendo a Meios & Publicidade e depois o testemunho na primeira pessoa por parte do Paulo Querido ficamos esclarecidos: a Marktest saberá responder apenas à seguinte pergunta: "Qual o site mais visitado na net em Portugal que me pagou 3500€ mais IVA?"
A Marktest tem sido seguida por muitas centrais de meios (mega agência publicitárias num português simplificado) no sentido de indicar em que rádio, televisão, jornal ou revista é que se devem colocar os anúncios de acordo com audiências e perfil de utilizadores. Ora se na net o método de funcionamento é deste calibre (se seguem a audiência de quem paga a e bem para eles o fazerem) o que dizer do resto dos meios e fundamentalmente dos métodos de trabalho?
Caros anunciantes, já que as agências andam de olhos fechados e parecem andar conluiadas com este estado de coisas, tenha cuidado, afinal é o seu dinheiro que anda a sustentar este negócios de milhões. Exija um melhor serviço, defenda o mercado.
Uma nota pessoal: Em todos os meus sítios segui sempre uma política de transparência total quanto às audiências. O mesmo acontece por aqui. Quer ter ideia das page views e das visitas do Economia & Finanças? Consulte o nosso statcounter, uma ferramenta consagrada internacionalmente. E se quiser aceder aos relatórios do google analitics também se arranja. De borla!


