BPI: de besta a bestial

23/07/2010 por Mapari · 1 comentário
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Media 

Foi com grande supresa e algum desconfiança que há poucos dias lemos isto: “KBW diz que BPI vai falhar testes de stress“. Hoje, perante os resultados efectivos, lêmos isto: “BPI é o melhor entre os grandes bancos ibéricos e o 18º a nível europeu“.

O que valem hoje as análises da KBW ou da Macquarie Securities? Voltarão a ter espaço nos media nos próximos tempos? Julgo que estes eventos devem ficar ao cuidado do mercado, naturalmente, mas também ao cuidado dos editores que escolhem notícias a veicular ou não. A credibilidade de quem é citado é fundamental e os erros não podem ser injustificáveis. Esta é uma responsabilidade tanto mais importante quanto mais diminuida estiver a capacidade crítica de alguns leitores.

Como saber se a sua empresa tem boa reputação?

12/07/2010 por Mapari · Deixe um comentário
Arquivado em: Empresas, Media, Números Estatística 

Sem qualquer detalhe além de se afirmar que se trata de uma sondagem na internet na qual se recolheram 1790 respostas, 1462 de público em geral e 328 de investidores frequentes, avança-se com uma peça de jornal com o seguinte título “Saiba se a sua empresa tem das melhores reputações do país“. Uma notícia que discorre sobre variadíssimas conclusões e cruzamentos de dados. Talvez sejam legítimos mas o detalhe dado deve merecer por parte do leitor todas as cautelas e, diria que do lado do jornalista, deveria ter merecido um pouco mais de jornalismo.

Algumas dúvidas:

  • Como se recolheram os dados? Um inquérito num sítio onde respondeu quem quis e apareceu por lá?  Pesquisa por e-mail? Entre os fãs do facebook da empresa que fez o inquérito?
  • Qual a definição de investidor frequente e de público em geral?
  • Houve alguma cautela de despiste de enviesamento das respostas recolhendo dados de caracterização dos respondentes além dos que terão permitido classificar por tipo de investidor? Se sim com que padrão foram confrontados?
  • Por sondagem deve entender-se que se tratou de um exercício probabilístico? Se sim qual o universo considerado e respectiva população de referência?
  • Quantas pessoas foram contactados (se é que alguma) para se obterem as 1790 respostas? Ou, por outras, quantas pessoas visualizaram a “sondagem” para que se conseguissem obter 1790 respostas?

Permitam-me duvidar do mínimo de utilidade e representatividade deste estudo até ser minimamente esclarecido.

E se amanhã tiver de pagar para ler esta notícia? A Google está a tratar disso

24/06/2010 por Mapari · 3 comentários
Arquivado em: Consumo e Produtos, Dinheiros, Media, Mercados 

O título deste pequeno artigo poderia ser outro; podiamos começar por perguntar quando foi a última vez que pagou directamente para ler notícias. Com os media a constatarem que o dinheiro recolhido através das receitas publicitárias não é suficiente para sustentar uma redacção e com as receitas dos suportes físicos em queda, vão-se multiplicando os meios de comunicação que se rendem à necessidade de monetarizar os seus conteúdos de forma directa na internet. As modalidades de monetarização são diversas e nem todas particularmente felizes (por exemplo, por reproduzirem online a lógica offline, com preços idênticos e conteúdos não diferenciados) mas o tempo é de tentativa e erro como se, de repente, os últimos 10 anos não tivessem existido e todos tivessemos acordado do sonho para o pesadelo: afinal, o dinheiro tem de entrar de outra forma.

A Google marca terreno libertando a novidade de que vai ter novidades (passe o pleonasmo). Informa que está a desenvolver uma ferramenta destinada a gerir a cobrança de conteúdos pagos. Uma ferramenta que procurará servir os editores facilitando a cobrança junto dos leitores. Já tem nome, chama-se Newspass e é claramente um dos sinais dos tempos que aí vêm.

Está aberta a batalha pela conquista da intermediação universal dos conteúdos notíciosos pagos na internet. Mas será essa intermediação mesmo precisa? Não haverá melhor imaginação para flexibilizar o esquema de assinaturas e de micro-pagamentos no seio de cada grupo de media? Não havendo uma brutal falta de papel que impeça a impressão de publicações durante uma semana para que alguns responsáveis comerciais de meios de comunicação aceitem arriscar outra forma de monetarizar o meio online teremos de aguardar. Tempo de perguntas, aguardemos pelas respostas. Até lá é aproveitar enquanto é grátis.

Novo acordo ortográfico: descarregue gratuitamente o mais recente conversor (act.)

09/06/2010 por Monica · Deixe um comentário
Arquivado em: Media, Sociedade 

O Portal da Língua Portuguesa (um portal do Estado português) está a disponibilizar gratuitamente para download um conversor ortográfico - o Lince – que respeita o novo acordo ortográfico já em vigor. Poderá descarregar gratuitamente o conversor numa das três versões ajustadas a outros tantos sistemas operativos (Windows, MAC OS X ou Linux) nesta ligação (clique aqui).

O ficheiro tem cerca de 11,5M,  suporta os formatos DOC, DOCX, ODT, HTML, XML, RTF, PDF e TXT e pode converter vários ficheiros de grande dimensão em simultâneo. Segundo se lê na página da apresentação do software “O objetivo do Lince é permitir uma rápida adaptação às novas regras, facilitando a atualização ortográfica de grandes volumes de texto.” 

Leia Mais

Custo das notícias: Pouco para muitos ou muito para poucos?

26/05/2010 por Mapari · 1 comentário
Arquivado em: Dinheiros, Media, Mercados 

Quem ainda não tem a experiência de ler um jornal em cópia integral da versão em papel na internet pode aproveitar a edição de aniversário do Jornal de Negócios hoje disponibilizada gratuitamente. A tendência clara para os tempos mais próximos parece ser a de se fecharem conteúdos; procurarem receitas directas para procurar assegurar a viabilidade dos projectos jornalísticos, mas o destino não é claro, nem o caminho.

Por aqui fica a curiosidade: estará o leitor disposto a receber conteúdos em casa, diferenciados face ao que aqui editamos (ou porque recebidos com antecedência, ou porque com outro grau de detalhe e análise ou porque preparados para utilização frequente como sejam cábulas estatísticas, fiscais,…) em troco de alguns cêntimos?

Talvez um dia façamos por aqui a experiência, entretanto, agradecem-se sugestões e, claro, continuaremos a procurar que os custos de manutenção sejam satisfeitos pela publicidade anexa. Uma coisa é certa, o status quo é algo que poderá bastar a um projecto semi-amador com objectivos comerciais mínimos e uma estrutura pequena, mas parece não bastar para aguentar uma redacção de qualidade, a avaliar pelas falências e pela degradação das condições disponibilizadas em muitos jornais. Este é um tema a acompanhar com interesse por aqui, como tem sido aliás no passado.

“Linkar” ainda mete medo a alguns jornais?

12/02/2010 por Mapari · 1 comentário
Arquivado em: Blogologia, Consumo e Produtos, Dinheiros, Media 

Uma das muitas características que distingue um blogue comum de alguns órgãos de comunicação é que o primeiro, mesmo tendo que fazer pela vida de modo a não ser fonte de custos para os seus autores, e, portanto, podendo ter algumas preocupações comerciais,  geralmente atribui um valor informativo intrínseco à disponibilização aos leitores da ligação via hiperlink à fonte primária da informação ou ao fenómeno alvo de notícia, suficientemente elevado (para fidelizar os seus leitores e para a qualidade daquilo que oferece) que supera o valor comercial que se pode atribuir à compra de um link, elo ou ligação. Linkar uma instituição, serviço ou afim não é estar a embaretecera indústria dos links comprados, deve ser estar a enriquecer o conteúdo noticiado. Fala-vos um leigo, naturalmente.

Ninguém por aqui teme linkar, e felizmente, já lá vai o tempo em que transformar um endereço da internet num pedaço de texto que, se clicado, reencaminharia o leitor para a correspondente morada. Aos poucos esta característica distintiva dos blogues foi-se diluindo, certamente à medida que o online foi ganhando peso relativo na própria estrutura do media tradicionais profissionais, mas é ainda comum ver endereços web no meio de notícias de jornais nacionais nas suas versões online que não permitem o simples clique e redireccionamento.

O artigo seguinte que abordará o serviço de vendas de bens penhorados do Estado português deparou precisamente com um caso desses. Aparentmente, no Diário Económico há ainda obstáculos que dificultam que um endereço como http://www.e-financas.gov.pt/vendas/ possa ser incorporado na notícia como http://www.e-financas.gov.pt/vendas/ .

Publicidade online ultrapassa publicidade na TV

A notícia é do Jornal i, refere-se ao Reino Unido e dá testemunho da superação de um limiar que se adivinhava: no primeiro semestre de 2009 houve mais libras investidas em anúncios na internet do que na Televisão, representando 23,5% do mercado contra 21,9% da TV. Aparentemente a crise acelerou este recorde ao penalizar a publicidade na TV em favor da publicidade online.

O momento é histórico, a tendência parece ser inexorável. É por aqui que passarão cada vez mais os investimentos publicitários da mesma forma que é por aqui que cada vez mais pessoas passam mais horas do seu tempo, nomeadamente em busca de entretenimento e informação. Se tem curiosidade em conhecer o relatório completo (tem alguns detalhes interessantes sobre a relvância do investimento por formatos de anúncios e por sector de actividade emissor de publicidade) elaborado pela PricewaterhouseCoopers pode aceder-lhe aqui: Internet Advertising Revenue Report.

Página seguinte »