Alterações práticas no crédito bancário (actualizado)

Para quem, como eu, tem curiosidade mas pouca (in)formação na economia bancária, recomenda-se este texto de Cristina Casalinho hoje publicado no Diário de Notícias: “Capital dos bancos: impacto no crédito“.

Nele antecipam-se as consequências ao nível do crédito a particulares e do crédito a empresas das novas regras de solvabilidade acordadas para os bancos europeus, a vigorar a partir de 2007, ou por outras as novas regras “relativas a requisitos de capital necessário ao desenvolvimento da sua actividade“.

Adenda: Na opinião on-line da imprensa especializada de hoje a ler também o texto de Camilo Lourenço no Jornal de Negócios: “Porque o BCE devia fazer uma pausa“.

Moedas Visigodas em Território Português

29 November, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
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Inaugurou-se ontem no Banco de Portugal a exposição temporária “Moedas Visigodas em Território Português“. Até ao próximo dia 26 de Janeiro poderá ser visitada nas instalações do Banco na Avenida Almirante Reis em Lisboa. Por lá podem ser apreciadas moedas de ouro únicas cunhadas um pouco por toda a antiga Gallaecia e Lusitânia. Moedas que teriam entre outros um papel publicitário da figura do rei. Em tempo de sucessivos assassinatos e no qual não havia sucessão dinásticas mas antes electiva, a moeda poderia ser a única forma de dar a conhecer ao povo a figura real… Passar os olhos pelo folheto percorrendo no mapa nomes de terras como Veseo, Flavas, Nandolas, Pannonias e Egitânia, entre outros, é já de si um exercício que se recomenda.

Horário: Dias úteis – das 10h às 17h
Fins de semana – 6-7, 13-14 e 20-21 de Janeiro de 2007 – das 10h às 17h
Local da Exposição: Av. Almirante Reis, 71 Lisboa
Acesso livre

Qual é o diferencial entre os custos com matérias-primas e os preços de venda final de combustíveis?

GasolinaEsta é uma pergunta a que finalmente algum órgão de comunicação especializado em Economia dá algum relevo (ainda que numa muito interior página 26).

E em que ficamos afinal? Segundo cálculos do Jornal de Negócios, pegando no “brent” como matéria-prima de referência, o preço cresceu até ao momento 1% durante 2006. Estas contas baseiam-se contudo na valorização considerando a sua cotação em dólares. Se este valor for convertido em euros, moeda usada pelos fornecedores portugueses para efectuar as cobranças ao consumidor final, o preço da matéria-prima registou, até ao momento, uma queda de 8,4%.

Perante esta referência qual foi então, no mesmo período, a evolução dos preços da gasolina e do gasóleo nas bombas? Citando apenas o exemplo da Galp, os preços cresceram 2,2% e 3,3% respectivamente. Perante esta disparidade ficam motivos para a suspeita de que as margens comerciais tem estado em alta significativa durante o ano de 2006. E tratando-se de um movimento generalizado - nos exemplos dados pelo Jornal de Negócios envolvendo a Galp, BP, Repsol, as diferenças nas variações de preços finais são marginais – fica também a forte suspeita de que nenhum dos operadores está interessado em concorrer pelo preço, sendo legítimo questionar se não estaremos perante uma concertação de preços. As evidências suportam claramente esta hipótese. Ao cuidado da Autoridade da Concorrência?

Quem tem coragem de apostar que os lucros das gasolineiras não vão voltar a registar novamente lucros record na área Euro?

Talvez durante 2007 passe a aparecer aqui pelo Economia e Finanças um indicador actualizado com alguma regularidade destinado a acompanhar esta evolução.

Adenda: nesta página da Autoridade da Concorrência pode encontrar a legislação mais importante em vigor em Portugal sobre estas matérias.

Actualização das rendas para 2007 – mais alguns detalhes

24 November, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 13 comentários
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Na sequência deste artigo de 22 de Outubro aqui publicado; do interesse revelado pelos comentários de leitores e de mais alguns textos subsequentes presentes no Economia e Finanças aproveito para recomendar o artigo hoje do suplemento de Economia do Diário de Notícias do jornalista Manuel Esteves (“Rendas aumentam entre 3,1% e 4,7% já em Janeiro“) que acrescenta alguma informação útil relativamente à aplicação da actualização extraordinária prevista para as rendas com contrato anterior a 1980, definida pela nova lei de arrendamento. Adicionalmente, o DN confirma que para os contratos posteriores a 1980 não sujeitos ao ” antigo mecanismo de actualização extraordinária de rendas”, deverão ser actualizados no mês em que se completa um ano desde a actualização anterior, ou seja, no mês homólogo do ano seguinte.

Financiar a dívida pública e dever dinheiro ao Estado ao mesmo tempo

23 November, 2006 por Rui Cerdeira Branco · Deixe um comentário
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Financiar a dívida pública e dever dinheiro ao Estado ao mesmo tempo. É esta a situação em que parecem encontrar-se alguns portugueses. Só assim chegamos a notícias como esta: Fisco penhora certificados de aforro a devedores fiscais. Em bom rigor, aqui está um “risco” acrescido, uma desvantagem deste produto financeiro. Nada que afecte um contribuinte exemplar, naturalmente.

Síntese Económica de Conjuntura de Novembro

(…) O indicador de actividade melhorou, sendo de notar que tal melhoria se foi acentuando intratrimestralmente, se bem que o seu nível tenha ficado aquém do alcançado no primeiro trimestre.

O indicador de clima também se manteve em recuperação, situando-se em Outubro no patamar mais elevado desde há dois anos. Os sinais favoráveis, tanto de natureza quantitativa como qualitativa, observaram-se na generalidade dos principais sectores de actividade, apenas com excepção da construção.

A procura externa manteve o dinamismo dos trimestres anteriores, impulsionando as exportações.

Verificou-se também alguma reanimação da procura interna, tanto do consumo como do investimento, o que induziu uma aceleração das importações.

No mercado de trabalho registaram-se melhorias significativas, o desemprego diminuiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2001 e a taxa de desemprego registou uma diminuição em termos homólogos, também a primeira desde aquela data. Por outro lado, o emprego continuou a aumentar, a um ritmo um pouco mais elevado do que no trimestre anterior.

A taxa de inflação situou-se em 3,0%, o que representa uma desaceleração face ao trimestre anterior. Esta evolução mais moderada, que se prolongou para Outubro, foi devida ao comportamento de ambas as componentes, especialmente da de bens."

in INE (clique aqui para consultar informação mais detalhada).

Crédito Mal Parado

22 November, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

(Ainda) é uma gota de água num imenso oceano mas já vai enchendo manchetes. Segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal, o crédito mal parado está em crescimento.

TV Cabo e Optimus vêem notas à imprensa de novos produtos convertidas em notícia

21 November, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
Arquivado em: Blogologia, Empresas, Media, Opinião 

PublicidadeÉ já habitual na imprensa especializada em matérias económicas e financeira (e não só!) encontrar, pelo meio das notícias do mercado e da actualidade económica, autênticos anúncios publicitários provenientes de comunicados à imprensa disseminados pelos departamentos de marketing de algumas empresas.

De memória recordo-me de ver referências a novos produtos do Banco Best, a um novo pacote promocional da TV Cabo (Agência Financeira), ou a uma promoção de Natal da Optimus (Agência Financeira e Jornal de Negócios).

Serão notícias? Pura publicidade? A fronteira é ténue mas choca um pouco ver textos reproduzidos à virgula em vários órgãos de comunicação social como se se tratassem de peças de uma agência noticiosa. Seria uma prática defensiva da salubridade informativa (e de respeito pelo leitor que procura notícias) que ao menos se indicasse a fonte da notícia.

Assim cheira que tresanda a publicidade encapotada. Por aqui fica a garantia de que se algum dia houver publicidade em corpo de artigo, o leitor será o primeiro a saber, à cabeça. Por enquanto limitamo-nos aos anúncios bem identificados do Google (que não controlamos) que encontra na barra lateral e como separador entre textos.

Leiden USD (actualizado)

20 November, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
Arquivado em: Blogologia, Sociedade 

Já ouviu falar do câmbio Leiden USD/USD? Não?! Get a life! Ou melhor get a Second Life! A Cat (que entende umas coisas de câmbios e economia) leva-nos até essa experiência de realidade paralela (um pouco mais que virtual atendendo, por exemplo, ao câmbio Leiden USD/USD que é bem real). Tudo isto num blogue acabado de estrear inteiramente dedicado a relatar a experiência de uma habitante nesse mundo que atrai já mais de um milhão e meio de habitantes.

Get a (second) life – you keep telling me to get a life, so now stop complaining! blog sobre a realidade virtual(?) de Second Life.

A popularidade dos Certificados de Aforro

Notas de Euro

Hoje, em três artigos, novamente ocupando a página dois e três do seu suplemento de Economia, o Diário de Notícias (DN) retoma a análise dos Certificados de Aforro (CA) equacionando prós e contras e conjecturando um pouco sobre o seu futuro perante a “impossibilidade” política de pôr termos a este instrumento de poupança até agora imbatível ao dispôr dos aforradores.

A análise não anda muito longe do que por aqui se escreveu (ver também os comentários). Num comparativo entre os CA e os depósitos a prazo dos cinco principais bancos nacionais, O DN concluiu que os primeiros se revelam claramente mais interessantes financeiramente, além de gozarem da maior rede de distribuição do pais (os balcões dos CTT). Aproveito para sublinhar que esta análise sendo sempre verdadeira para CA que beneficiem da totalidade do prémio de permanência que ascende a 2%, não resiste à comparação com algumas remunerações de depósitos a prazo disponíveis na Banca on-line (investimentos mínimos a partir de 500 €) para maturidades mais curtas. Por exemplo, é possível hoje mesmo obter um depósito a prazo a 3 meses que remunera 3,6% (TAEB*) contra os 2,78% dos CA (TAEB).

Finalmente, nas perspectivas para o futuro, adivinha-se uma eventual intervenção do Estado no sentido de voltar a abater a taxa de referência inicial dos CA, tornando esta forma de financiamento da dívida menos atraente para os aforradores e simultâneamente mais barata para o Estado. A margem para tal procedimento sem que se comprometa o actual estatuto dos CA (risco nulo, máxima remuneração de mercado) existe, contudo, pelo que acima de acabou se demonstrar via banca on-line, será maior junto de aforradores com maiores limitações de acessibilidade a esse tipo de bancos – que, não tenhamos ilusões, constituem o grosso da fileira em Portugal. Ainda assim, paulatinamente, e mantendo-se por um lado a tendência de absorver por via legal (com reduções adicionais do coeficiente aplicado à taxa de referência de mercado utilizada nos CA), e por outro, os métodos de indexação em alguns bancos on-line, os Certificados de Aforro deverão perder algum do seu interesse para aforradores com gestão de carteira mais dinâmicas, mesmo que fortemente avessos ao risco.

* Taxa Anualizada Efectiva Bruta

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