E se a Economia for incapaz de se reinventar apesar da falência do neoliberalismo?

Hoje trazemos uma sugestão para o serão sob a forma de um documentário com o título “Mão Invisível – uma história do neoliberalismo em Portugal” de João Ramos de Almeida, produzido em Portugal em 2020 e dedicado a acompanhar a ascenção e consolidação do pensamento económico neoliberal e das respetivas políticas em Portugal, enquandrando o fenómeno no seu contexto histórico e político nacional e internacional.

O documentário tem como palco privilegiado, que lhe confere um fio condutor, uma aula de Ricardo Paes Mamede em 19 de outubro de 2019, no Instituto Superior Técnico, mas recorre igualmente a testemunhos vários (ver lista em baixo) bem como aos arquivos históricos da RTP.

Em pouco mais de uma hora precorre-se a histórica política e da ascensão e consolidação da corrente económica ainda dominante em Portugal e um pouco por todo o mundo, desde meados do século XX até praticamente à atualidade. E remata-se confrontando a corrente hegemónica e o monolitismo de pensamento económico e seu ensino na Universidade, com os paradoxos empíricos que apesar de contruibuirem para a sua falência no campo do pensamento, não foram (ainda?) suficientes para questionar o seu domínio nas esferas institucional e de governo das sociedades.

O documentário conta com intervenções e recolhas de arquivo de pessoas de pensamento tão dispare quanto:

João Cravinho, João Ferreira do Amaral, João César das Neves, Luís Campos e Cunha, Ricardo Paes Mamede, João Rodrigues, Ana Costa, Jorge Braga de Macedo, Miguel Beleza,Vitor Constâncio, Mário Soares, Francisco Pereira de Moura, Alfredo de Sousa,
António Borges, Sousa Franco, António Guterres e Mário Soares.

Revisitam-se momento chave e recupera-se ou obtém-se acesso ao pensamento fundador de muitas das políticas públicas implementadas ou descontinuadas ao longo das últimas décadas, fazendo-se acompanhar o percurso pela linha temporal de algum pensamento crítico que se adensa com a aproximação da atualidade.

O documentária aborda brevemente a génese da escola fundadora do ensino da economia em Portugal (ISCEF/ISE/ISEG) passando pelo surgimento da Católica e da Nova e percorrendo todos os eventos mais dramáticos da vida política nacional ,deste a tentativa de libertação do condicionamento industrial ainda no Estado Novo, até à crise financeira de 2007 passando pela revolução de 1974, pela adesão à Comunidade Económica Europeia, pela queda do muro de Berlim e pela adesão à Moeda Unica.
Será um documentário interessante para economistas mas preparado de forma a poder chegar a um público mais vasto e não necessariamente iniciado em Economia.

A iniciativa partiu de economistas não engajados no mainstream neoliberal, claramente de esquerda, em termos ideológicos, mas está longe de se poder confundir com um panfleto ideológico árido.
Os paradoxos identificados, tendo por base a experiência dos últimos anos, são oferecidos como gatilhos do pensamento crítico e servirão neoliberais e heterodoxos de igual modo, assim não se deixem vencer pela preguiça intelectual.

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