Série Europa V: Os Fundos Rasos

Os Fundos Rasos é a continuação de Série Europa IV: A Zona Euro.

A dimensão desses estabilizadores administrativos – os fundos europeus – sempre foi discutível, e o racional para a sua implementação não aceitou verdadeiramente que devesse servir como almofada face aos choques diferenciados entre países que antes se corrigiam com a taxa de câmbio ou com a taxa de juro definida localmente por cada banco central nacional.

Os fundos visavam – visam – reduzir diferenças estruturais, ou seja, as que já existiam previamente à entrada na Zona Euro. Não tem especial vocação para enfrentar choque imediatos e que afetam de forma muito diferente cada país. Por isso, os fundos foram insuficientes ou inadequados para “compensar” Portugal de uma subida e inusitada aceitação de produtos chineses e indianos entre outros que vieram dinamitar os setores mais dinâmicos e relevantes no tecido empresarial e no emprego da nossa economia (vestuário e calçado). Nem tão pouco foram suficientes ou adequados para amenizar o impacto da acelerado alargamento da União Europeia à vizinhança de leste que veio aumentar o hinterland germânico e reforçar o carácter periférico da península ibérica.

Os fundos europeus rapidamente passaram a ser encarados como subsídios, apoios generosos para quem os financiava e parcos para quem os recebia e os viu diminuir de escala, precisamente quando de multiplicavam os desafios e as ameaças. Para quem paga, são também apresentados como forma de solidariedade para com os menos desenvolvidos, talvez mesmo ligeiramente incivilizados playboys do sul e, com o tempo, um estorvo e fonte de acrimónia, até porque alguns deles eram muito mal geridos localmente.

Esse dinheiro nunca foi visto como algo que, na realidade, substituía um mecanismo de correção automática. Como dissemos são agora “vendidos” como um sacrifício para os que pagavam e um triste remedeio para os que foram sujeito a sucessivos choques que foram aceite cuidado pouco do que iriam sofrer. E até hoje, não há um mecanismo alterativo de estabilização interna na U.O. Pelo menos um politicamente aceitável a médio prazo.

Continua em Série Europa VI: Gato escondido com Desequilíbrio de Fora

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