Portugal a caminho da deflação em 2020

Já o tinhamos projetado e agora surge confirmado: a primeira tendência forte em cenário de pandemia é no sentido da descida generalizada dos preços no consumidor. Ou seja, neste momento temos Portugal a caminho da deflação em 2020.

 

Portugal a caminho da deflação em 2020

Os dados definitivos de abril de 2020 revelado pelo INE apontam para uma variação homóloga negativa de 0,2%. Variaão essa que surge na sequência de uma taxa nula em março de 2020.

Esta queda dos preços mantém-se memso retirando da equação os preços dos produtos alimentares não transformados e os energéticos (a chamada nflação subjacente).

Por enquanto, a variação média anual dos preços (indicador de referência da taxa de inflação) ainda não atingiu valores negativos mas está já muito próxima, tendo-se fixado nos 0,1%. Se as variações mensais que comparam 2020 com 2019 repetirem mais variações negativas, o indicador anual irá, também ele, sinalizar uma descida de preços.

Destaque ainda que a situação em Portugal é um pouco diferente da média europeia onde a inflação ainda se mantém em valores claramente positivos, ainda que já abaixo de 1% (o diferencial em termos da taxa de inflação comparável a nível europeu – o IHPC – é de 0,5 pontos percentuais, mais baixa em Portugal).

 

O que está a provocar a descida dos preços?

Eis alguns dos destaques que o INE efetua para tentar explicar o andamento agora identificado na recolha que faz regularmente um pouco por todo o país, numa base mensal:

(…) Destaca-se o aumento da taxa de variação homóloga dos produtos alimentares não transformados para 6,5% (taxa superior em 3,6 p.p. à do mês anterior) e a variação de -9,4% para os produtos energéticos (-3,7% em março), refletindo reduções dos preços dos combustíveis e da eletricidade.

(…) é de destacar a diminuição da taxa de variação homóloga das classes do Vestuário e calçado (classe 3) e dos Transportes (classe 7) com variações de -7,0% e -3,3%, respetivamente (-1,7% e -1,6% no mês anterior).

Em sentido oposto, assinala-se o aumento da taxa de variação homóloga das classes dos Bens alimentares e bebidas não alcoólicas (classe 1) e dos Restaurantes e hotéis (classe 11) com variações de 3,8% e 3,2% (1,2% e 2,1% em março). (…)

Fonte: INERecorde-se que nos últimos 10 anos já houve dois momentos em que se registaram, no final do ano, descidas generalizadas dos preços: em 2009 (-0,84%) e em 2014 (-0,24%).

 

O que esperar num cenário de deflação?

Num cenário de deflação, o peso da dívida tende a aumentar e quem tem rendimento fixo estável tende a ganhar poder de compra.

Há também o perigo da deflação se tornar numa espiral onde as compras sejam adiadas com a expectativa de os preços estarem mais baixo “no dia seguinte” o que em si pode induzir contração da atividade económica e maior pressão para a descida dos preços com redução da população com capacidade económica.

Por outro lado, o ambiente económico é especialmente desfavorável para a contração de crédito e realização de investimento.

Para já ainda estamos longe destes cenários pois não é um mês de preços negativos que caracteriza uma deflação. Estes cenários tipicamente exigem deflação persistente.

No entanto, ter deflação – descida geralizada de preços – não é uma realidade necessariamente benigna como uma análise superficial poderia levar a crer.

Recomendamos esta ligação se quiser aprofundar leituras sobre deflação.

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