Ode a João Vieira Pereira: Lay On para os FP

Ode a João Vieira Pereira! O João, no seu editorial de hoje no Expresso indigna-se por os funcionários do Estado não estarem a contribuir para o sacrifício nacional pois não há um único em lay off com corte de salário (que seria pago pelo mesmo Estado). De quem falará ele?

Diz que não é dos 30.569 médicos, nem dos 49.022 enfermeiros. Nem será dos 9.670 técnicos de diagnóstico e terapêutica. Bem como dos 1.962 técnicos superiores de saúde. Também não será dos 51366 polícias das forças de segurança ou dos 1.548 polícias municipais. Ou dos 2.292 Bombeiros.

Se bem percebi também não fala dos 136.150 professores dos vários níveis de ensino básico e secundário que continuam a dar aulas à distância e a preparar o que aí vem. Ou dos 15.241 docentes universitários e 10.470 docentes superior politécnico que continuam com aulas não presenciais.

Mesmo os políticos nacionais, regionais, locais estarão em overdrive como nunca pelo que também não será desses 2 374 que fala ou sequer dos autarcas q na larga maioria ñ contam para este totobola pois recebem senhas e não salário.

Será que fala dos 157.990 assistentes operacionais/operário/auxiliar (aqueles que constituem, no Estado, o grupo com mais infetados) que contém, lá pelo meio, a malta que está nos hospitais, centros de saúde, que nas autarquias continuam a desinfetar ruas e enterrar mortos? Se calhar não.

Talvez sejam os 87.448 assistentes técnicos/administrativos bom, mas também nesses os há que estão em teletrabalho a apoiar os 67.965 técnicos superiores que desenham e acodem a empresas e particulares com todas as medidas de exceção.

Já sei, são os dirigentes, os 11 107 dirigente intermédios e os 1 713 dirigentes superiores. Mas espera, quem define trabalho, organiza o trabalhado à distância, distribui pessoas para outras áreas críticas neste período? Não também não devem ser esses.

Talvez os 5 181 informáticos? Eh pá, também não! Esse andam completamente debaixo de água a tentar q tudo funcione à distância e a trabalhar como nunca. Os 403 diplomatas? Bom, esses anda em roda viva à procura de garantir equipamentos e razoabilidade entre pares

Serão os magistrados, todos os 3 801? Bom, parece que há muitos processos ainda em curso e muito trabalho acumulado que implica ler, estudar e despachar. Ná. Também não andam a coçar a micose.

Estão -se-me a acabar os suspeitos. Mas… serão os 3 441 tipos da Investigação Científica? Os de biomédicas? Os de economia? Quais? Sim haverá alguns que ficaram em casa mas até esses estão de prevenção e podem ser chamados a qualquer momento como determina o Estado de Emergência.

Pois é JVP, provavelmente NUNCA em tempo de paz os mandriões do Estado mandriaram tão pouco. Se calhar NUNCA tantos sentiram o peso e importância de cumprirem e se calhar NUNCA os q eles servem reconheceram tão facilmente quão importante é o seu trabalho para comunidade.

Saúde!

Fonte para os dados: Quantos médicos, professores, polícias havia no Estado em 2019? 

Texto extraído desta thread do twitter com algumas correções ortográficas.

Tagged under:

13 Comentários

  • Caetano Ferreira Responder

    Os meus parabéns! Vamos pressionar para que esse incompetente seja demitido. Já partilhei o voso texto no Facebook!

  • JOSE Responder

    Realmente os números são impressionantes, ora veja Alunos matriculados no ensino público: total e por nível de ensino . 1 617 570 agora faça as contas … atenção que eu não defendo nada mas estes números sem saber deles vieram confirmar que algo está mal

    • afonso Responder

      Realmente, 1 professor para 10 alunos na função publica.. algo está mesmo mal …muitos andam a …………

      • Rui Cerdeira Branco Responder

        Na próxima década, cerca de metade reforma-se.

      • Rui Cerdeira Branco Responder

        E nos próximos 15 anos serão cerca de 2 em cada 3.

      • Artur Valter Responder

        Devia saber que a média é a medida estatística mais “mentirosa”… Mas já agora, aconselho a que se informe quanto ao número de alunos por turma, na Finlândia, que é, como se sabe, uma referência… E não é um país rico…

  • Jokka Responder

    Excelente texto.

  • Artur Valter Responder

    Infelizmente há muitos anormais neste país que dizem o mesmo que ele… Nem se dão ao trabalho de pensar… E ainda são considerados, neste país, as pessoas bem pensantes… Muitos parabéns ao Sr. Jornalista.

  • Valdemiro Mergulhão Responder

    parabéns por se insurgir contra a canalha pseudo intelectual que encarna bem o principio de Peter

  • Luís Ferreira Responder

    Muitos Parabéns! Obrigado pela sua e nossa indignação contra as barbaridades proferidas por esse e tantos outros energúmenos/parasitas que atacam sistematicamente os FP para à conta deles terem o seu minutinho de fama.

  • ricardo cordeiro Responder

    …distração? Má vontade? falta de decoro profissiomal? alucinogenios? encomenda politica?…infeção covid 19 com elevadas temperaturas?…ESTRANHO!

  • Anónimo Responder

    Pois a mim parece-me que se refere àquela parte dos trabalhadores FP que está a trabalhar 50/50. No privado é redução de horário, o que dão o nome de layoff parcial, e que na maioria dos casos vai ficar no ordenado mínimo 635€. Ah, ordenado mínimo no privado!

Deixar uma resposta