Certificados de Aforro pagam mais do que inflação e voltam a captar investidores

Os “velhinhos” Certificados de Aforro pagam mais do que inflação e voltam a captar investidores, surpreendendo a prória Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, ao registarem um aumento líquido de investimento de €400 milhões nos primeiros seis meses de 2019.

A previsão do IGCP era de que ao longo de 2019 os resgates e as novas subscrições de certificados de aforro iriam praticamente anular-se não existindo captação líquida de novos investimentos, contudo, o primeiro semestre revelou uma capacidade de atração dos certificados de aforro significativa dado que há agora mais €400 milhões de dívida pública adquirida sob esta forma, por parte dos investidores nacionais.

 

Certificados de Aforro pagam mais do que inflação

A verdade é que com a queda expressiva das taxas de variação homólogas do indice de preços no consumidor (que anda pelos 0,4% já há alguns meses) e com a estabilização da taxa de remuneração dos certificados de aforro em torno do 0,67% (taxa para novas subscrições em julho de 2019), os certificados de aforro permitem pelo menos vencer a erosão do poder de compra provocado pelos atuais níveis e tendência da inflação. Mesmo após impostos, os certificados de aforro estão a pagar ligeiramente acima dos 0,4% das últimas variações homólogas dos preços (a taxa líquida para julho será de cerca de 0,48%).

 

Descida das taxas de juro deverá continuar

A contribuir para este reforço do recurso aos certificados de aforro também deverá estar a persistente descida das taxas de juro dos depósitos a prazo que são hoje, em média, claramente inferiores às oferecidas pela dívida pública. Destaque-se ainda que o retorno das obrigações do tesouro transacionados no mercado de valores mobiliários também não tem parado de descer, batendo sucessivos mínimos. À data em que escreviamos este artigo, a yield da dívida pública a 10 anos em mercado secundário registou o mínimo histórico de 0,28%, sendo já negativa para quase todos os prazos inferiores (ou seja, novas emissões de dívidas, por exemplo, a 5 anos, deverão render juros ao Estado em vez de representarem juros a pagar).

Sublinhe-se que a presidente do IGCP, apesar deste ambiente de juros baixos e do sucesso dos certificados de aforro, afirmou no Parlamento, não estarem projetadas alterações nas taxas de juro dos certificados de aforro estando a instituição mais focada em alargar os canais através dos quais consegue disponibilizar dívida para eventuais investidores.

Ao longo de 2019 deverá aidna ser feita mais alguma emissão de OTRV – Obrigações do Tesouro de Taxa Variável.

Além dos certificados de aforro os certificados do tesouro continuam tambe´m entre as aplicações de baixo risco com as melhores taxas de remuneração.

Os investidores interessados em subscrever poderão fazê-lo, por exemplo, através do Aforronet do IGCP que existe desde 2007.

Tagged under:

5 Comentários

  • Maria VeigaResponder

    Pena que não possam haver 2 titulares, como outrora e que para isso, em caso de algum problema, que um não possa mexer, ter de apresentar, ou procuração, ou se por morte, uma habilitação de herdeiros… Acho que muita gente desconhece isso.

    • Maria CabralResponder

      Contudo poderá minimizar esse incómodo que foi o que fiz só para testar, o facto de nestes últimos CA se poder resgatar online, o que não era possível até há pouco. Mas concordo que faz falta, e não foi por acaso que o fizeram, a possibilidade de um movimentador.

  • António LeiteResponder

    De facto, é uma pena que um segundo titular não possa movimentar como no passado!

  • João PestanaResponder

    Eles lá “sabem” . . .

Deixe um comentário

O seu email não vai ser publicado.