Desemprego real caiu mais do que o desemprego oficial desde 2013

Segundo um estudo realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Universitário de Lisboa e hoje divulgado em manchete pelo Jornal Público, o desemprego real, ou seja aquele que soma às estatísticas oficiais, situações como os desencorajados, os subempregados e os que estão a frequentar alguma ação patrocinada pelos centros de emprego, terá terminado o ano 2017 nos 17,5%. Por definição o desemprego real terá sempre de ser superior ao oficial mas é especialmente interessante avaliar como compara a evolução dos dois indicadores desde o pico da crise recente até ao final de 2017.

Como referência no ponto de chegada, o desemprego real compara com os 8% a 8,5%, intervalo em que se deverá vir a fixar a taxa de desemprego oficial para o ano de 2017 (8% em dezembro de 2017).

 

Desemprego real caiu mais do que o desemprego oficial

Esta realidade – de que a definição oficial do desemprego não esgota os indicadores úteis para o conhecimento da realidade e para a tomada de decisão –  não é de hoje e é interessante ver como este mesmo indicador alternativo tem evoluído ao longo dos anos, nomeadamente, é importante verificar se a tendência está alinhada com a das estatísticas oficiais.

Neste sentido, os investigadores calcularam, seguindo a mesma definição, que o desemprego real se fixou sempre acima dos 25% até ao primeiro trimestre de 2015, tendo atingido o seu valor máximo no primeiro trimestre de 2013: 28,1%.

Nesse mesmo primeiro trimestre de 2013, a taxa de desemprego oficial atingiu os 17,5%. Ou seja, daí para cá a taxa de desemprego oficial terá caído cerca de 9 pontos percentuais. Já a taxa de desemprego real caiu um pouco mais do que os dados oficiais, ou seja, 10,6 pontos.

Assim sendo, os indicadores oficiais e o desemprego real apresentam claramente a mesma tendência, sendo que o indicador real, apesar de historicamente e por definição, captar sempre um conjunto de desempregado maior, revela que saíram mais pessoas do desemprego real do que as que saíram do desemprego oficial. Por outras palavras, o diferencial entre as duas medidas diminuiu.

Uma análise mais detalhada ao estudo permitirá perceber onde é que a queda do desemprego real (na parte não captada pelo oficial), terá ocorrido uma melhoria mais significativa da situação em pouco mais de quatro anos.

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