Spreads médios mais altos e bancos mais rentistas penalizam economia nacional

Setembro de 2015 trouxe taxas de juros de novos empréstimos em queda e a  constatação de que spreads médios mais altos e bancos mais rentistas penalizam economia nacional.

Quanto à queda referida, sublinha-se a que ocorreu nos empréstimos até 1 ano dos bancos a operar em Portugal às sociedades não financeiras Bancos (SNF ou empresas): atingiu os 50 pontos base face ao mês de agosto. O valor da taxa de juro média para estes empréstimos foi de 3,64%. Note-se que o aumento das taxas de juro para empréstimos comparáveis em Espanha e na Alemanha em idêntico período (passaram de 2,43% e 1,51%, para 2,60% e 1,77% respetivamente) levaram a que o spread entre o que paga uma empresa residente em Portugal face a congéneres espanholas e alemãs diminuísse. Ainda assim, as empresas portuguesas continuam a pagar um prémio de risco muito significativo, partindo em desvantagem para um negócio equiparável.

Spreads médios mais altos e bancos mais rentistas penalizam economia nacional

Taxa de Juro de Novos Empréstimos dos Bancos. Fonte: BCE


 

Se considerarmos todos os novos empréstimos independentemente dos prazos, constatamos que a taxa de juro média praticada em Portugal para empréstimos às empresas diminuiu mas de forma menos exuberante do que nos empréstimos até um ano. De facto, a taxa que em agosto havia sido de 3,68% contraiu-se para 3,55% – menos 13 pontos base. No empréstimos acima de um milhão de euros chegou mesmo a subir de 2,69% para 2,91%.

Na nota do GEE que analisamos para escrever esta peça sublinha-se de forma clara que, apesar destas descidas, os spreads das taxas de juro de novos empréstimos continuam muito acima dos valores médios da Zona Euro.

A comparação com as taxas de juro do novos depósitos a prazo de empresas e famílias praticados em setembro revelam um diferencial muito menor em termos de taxas médias praticadas quando a comparação é feita com Espanha e Alemanha. A título de exemplo, com a redução de taxas ocorrida entre agosto e setembro nas remunerações dos novos depósitos  em Portugal (tendo-se taxa sido de 0,46%) constata-se que praticamente não há diferença face à taxa praticada em Espanha para a generalidade dos novos depósitos: 0,45% (0,75% na Alemanha).

O que os bancos portugueses cobram a mais em empréstimos face ao que pagam em depósitos agrava assim a desvantagem comparativa para a economia portuguesa à qual se junta o spread face ao que em termos médio é praticados em termos de custos do dinheiro em cada um destes países.

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