Recorde histórico: crédito malparado atinge os 4,44% em abril de 2015

Mesmo com o novo crédito a habitação a aumentar em 50% entre janeiro e abril de 2015 face a janeiro e abril de 2014 e, portanto, mesmo com supostas regras mais exigentes na concessão de crédito, o peso do crédito que fica por pagar, o malparado, deixa de bater recordes históricos. Muito provavelmente, são os restantes tipos de crédito, como o reforço do crédito ao consumo (incluindo o automóvel) e para outros fins, a anular a expectativa positiva. Em abril, por cada €100 emprestados em crédito (à habitação, ao consumo, etc) €4,44 tinha de ser dado como perdido face às dificuldades das famílias que contraíram o crédito em cumprirem com o contratado.

No crédito à habitação a percentagem de malparado face ao total também continuou a bater recordes superando o antigo máximo registado no mês anterior. Em abril de 2015, 2,52% do total de crédito à habitação era malparado.

Segundo o Banco de Portugal, as famílias portuguesas têm em malparado junto ao banco o correspondente a €5,4 mil milhões.

E quanto às empresas? O cenário é ainda mais negro dado que os níveis de malparado são historicamente mais elevados e também entre elas se voltou a registar novo máximo: 15,69% o que corresponde a cerca de €13,38 mil milhões. Ou seja, entre famílias e empresas, a banca esta a “arder” com €18,78 mil milhões, um valor que é mais de duas vezes e meia o défice público registado em 2014, ou o suficiente para financiar o Ministério da Saúde durante cerca de dois anos e meio,  por exemplo.

Note-se que a expectativa há alguns meses era de que estes indicadores relativos ao malparado estivessem já em claro decréscimo, contudo, apesar de estarem em desaceleração (o ritmo de crescimento do malparado está a abrandar) as estatísticas teimam em prolongar as más notícias bem adentro do ano 2015.

Temos uma sociedade crescentemente dual, onde alguns, muitos, continuam sem acesso a recursos e a um mínimo de dignidade, incapazes até de manter a sua habitação, mas outros conseguem promover mais consumo em bens duradouros (como a habitação e o automóvel), uma boa parte dele movida a crédito, outra movida a redução das poupanças e ainda uma fração proveniente de alguma recuperação do rendimento disponível. Temos de novo mais compra de casas e automóveis em simultâneo com uma degradação da carteira de crédito dos bancos que continuam com imensas dificuldades em regressar a lucros sólidos, mesmo com incrementos expressivos em várias taxas e comissões.

Numa perspetiva de médio e longo prazo não há propriamente grandes sinais de robustez da nossa economia: quem não tem continua com graves dificuldades e quem tem ou consegue aceder a recursos é convidado a repetir ciclos do passado.

Tagged under:

1 Comentar...

  • Gabriele TrapassoResponder

    eso por causa do aumento da eta’ das reformas che muinta gente esta sim trabalho a 63-64 anos sim redito sim reforma como pode pagar us imprestimos vai robar. os aumento das reforma son feitos so’ para robar u che estan para jegar as reformas con as anticiptaciones y as penalizaziones so’ por eso u stato fez esa porcaria. de lei para robar a gente. nate’ u final na esperanza che caion duentes primero asi levano a reforma de duenza che es una grande merda anziche levar a reforma che le espeta legal. son tudos ladrones

Deixe um comentário

O seu email não vai ser publicado.