O Banco está a tentar aumentar o spread do seu crédito?

O Banco está a tentar aumentar o spread do seu crédito? É provável, mas antes de irmos aos exemplos um pouco de enquadramento. No passado dia 5 de setembro a euribor a uma e a duas semanas registaram valores negativos, ou seja, quem pedisse dinheiro emprestado a uma semana ainda recebia um juro em troca. Estranho?  Na realidade é uma consequência natural da fixação de taxas de juro negativas para as operações de aforro junto do Banco Central Europeu (BCE). Um banco que queira depositar dinheiro junto do BCE terá de pagar ao BCE 0,2% de taxa de juro ao ano. Um depositante que tem de pagar juros, portanto. É que o BCE não quer o dinheiro parado, quer que os bancos o coloquem a circular na economia através da concessão de crédito (a investimentos de boa qualidade, naturalmente). O problema é que os bancos parecem reticentes em arriscar, por um lado, e por outro parecem não abundar os investimentos de boa qualidade, afinal, muitos empresários afirmam que não há procura e sem procura ninguém quererá investir. Consta que os consumidores ou não têm capacidade de consumo por falta de rendimento disponível ou estarão eles próprios mais reticentes e a aforrar mais para precaver um futuro em que a segurança de uma reforma passou a ser muito mais incerta.

Independentemente da eficácia ou falta dela de se enfrentar a crise financeira e económica com estas medidas de política monetária, o que é um facto é que as taxas euribor estão a reagir à descida (a última que se fará segundo o presidente do BCE) das taxas de referência do BCE. E uma das taxas afetadas é a euribor a 3 meses, uma taxa usada como indexante para muito contratos de crédito em vigor, como sejam créditos à habitação, créditos à produção ou mesmo créditos a clubes de futebol.

E na passada segunda-feira, 8 de setembro, a Euribor a 3 meses fixou-se abaixo de mais uma fasquia, cotou-se nos 0,094%, menos de uma décima de ponto percentual. Praticamente nada. Quem tem hoje um crédito indexado à euribor a três meses estará a pagar essencialmente capital e o pouco juro associado será certamente mais justificado pelo spread do que pelo indexante.

Talvez por isto não seja surpreendente que algumas instituições financeiras estejam a tentar convencer alguns dos seus devedores com contratos de crédito com spreads muito baixos face aos agora praticados a renegociar os respetivos contratos. Uma das técnicas de que tivemos conhecimento (por exemplo praticada pelo Deutsche Bank) passa por, selecionados os clientes, enviar-lhes propostas de duplicação do crédito concedido (“para comprarem a casa dos seus sonhos”) com a oferta de um spread concorrencial, claramente abaixo dos valores médios agora praticados, mas claramente acima do spread que está definido no contrato antigo que o banco tem com esse cliente.

Da perspetiva do banco reforçam o crédito a um cliente com provas dadas de cumprimento e sobre o qual têm informação privilegiada para perceber se tem capacidade para arcar como mais serviço de dívida e aumentam várias vezes a rentabilidade da carteira de crédito ao duplicarem ou mais do que duplicarem o spread do contrato e o valor sobre o qual este incide. Por outro lado, pode aidna vir a cobrar mais alguma taxa associada ao novo crédito e ao processo de contratualização na qual incluirá mais alguma margem para recuperar proveitos/comissões junto desse cliente.

Da perspetiva do cliente bancário será caso para pensar muito bem antes de aceitar dado que estará a trocar um contrato de dinheiro extremamente barato por outro pior. Se “a casa dos seus sonhos” for mesmo argumento de valor, poderá fazer sentido, mas convém não esquecer que num contrato a longo prazo olhar para a taxa de juro atual para analisar da capacidade de cumprir com o contrato é uma má ideia, deverá simular o esforço que terá de fazer se daqui a por exemplo 5 anos a euribor estiver não perto de zero mas perto do seu máximo histórico.

O essencial é tomar decisões bem informadas para fazer bons negócios!

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  • silvaResponder

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol III
    No caso da farsa do despedimento coletivo do Casino Estoril,passam já quatro anos sem fim à vista por atraso da justiça a maior parte das pessoas estão na miséria e vão inevitavelmente por falta de ordem económica entrar em pobreza profunda este é o maior espectáculo de drama deste Casino Estoril.
    Os denominados poderosos que não é mais que o esterco de uma sociedade, são abençoados por uma vida, boa que o único divertimento é dar concertos para os traficantes de influências afim de desgraçar vidas humanas, pois nunca lhes dão valor.
    http://revelaraverdadesemcensura.blogspot.pt/

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