Juros da dívida portuguesa nunca foram tão baixos a 2 e a 5 anos

Juros da dívida portuguesa nunca foram tão baixos a 2 e a 5 anos

Opinião:

Sim, a dívida pública provavelmente nunca foi tão alta;

Sim, a dívida privada é muito superior à dívida pública e está a diminuir muito lentamente;

Sim, o crescimento económico recente foi acompanhado de um reforço do consumo privado, das importações e uma desaceleração das exportações;

Sim, o país continua a apresentar défice orçamental acumulando dívida todos os anos;

Sim, as perspetivas de evolução económica para os próximos anos apontam para crescimentos marginalmente positivos a um rimo mais lento do que tem crescido a dívida;

Sim, o lastro do envelhecimento demográfico provavelmente vai-se agravar em termos económicos;

Sim, a perspetiva de termos uma taxa de desemprego duradoura acima do dois dígitos e uma população global de desempregados e desmobilizados a rondar pelo menos os 15% é quase inevitável durante muitos anos;

Sim, o país continua extremamente vulnerável a espirros da economia mundial e… contudo… nunca o Estado português teve de pagar tão pouco para pedir emprestado dinheiro a 2 e a 5 anos.

É isto que ditam os mercados hoje, 17 de abril de 2014.

Seria interessante que quem habitualmente gosta de estabelecer paralelos entre a gestão do orçamento familiar e o orçamento estatal hoje encontrasse um paralelo racional para explicar a razão dos mercados, como se o Estado fosse uma família.

Parece evidente que se está a formar uma bolha. Quanto mais baixo é o juro exigido para emprestar dinheiro mais elevado é o custo/menor é o ganho para quem empresta. Aparentemente, no mercado internacional atual, a dívida soberana dos países em dificuldades financeiras da periferia europeia, por ainda pagar juros mais elevados do que a generalidade das alternativas existentes, tornou-se apetecível para investidores mais amantes do risco. O fenómeno da descida abrupta das taxas de juro é generalizado a todos estes países, incluindo à Grécia.

A ler: “Bolha na dívida dos periféricos na ‘The Economist‘”.

Votos de boa Páscoa aos leitores que são de Páscoas e de bom fim de semana aos restantes.

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