Qual é a primeira despesa que vai cortar?

Atendendo ao actual momento económico do país, a pergunta do título ganha muita pertinência. Pouco depois de se conhecerem as recentes medidas de austeridade que irão ser impostas pelo Governo, muitos começaram desde logo a imaginar como conseguiriam acomodar a perde de rendimento disponível que se perspectiva. De uma breve sondagem que fizemos (na acepção menos científica do termo) junto de amigos e conhecidos (quase todos a trabalhar e empregados em algumas das zonas com rendimento mais elevado do país) surgiram alguns suspeitos insistentemente repetidos que, a confirmar-se este primeiro impulso, identificaram ramos de actividade que irão seguramente passar um mau bocado.

Mas antes de avançar com a nossa recolha pessoal deixamos-lhe a pergunta: e consigo, caro leitor, por onde começará por reduzir a despesa? Deixe-nos o seu comentário.

P.S.: Segundo notícia da semana que passou mais de metade dos portugueses não tem rendimentos suficientes para serem colectados através do IRS.

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3 Comentários

  • Hugo ViegasResponder

    Primeira despesa a cortar voltar a velhinha máquina de café em pacote, largar a nescafe e delta Q, corresponde a quase 50€ mês. Somos 2, 2 capsulas de manha e duas à noite mais umas quantas ao fim de semana e quando recebemos amigos. São 50€ por mês em café, quando antigamente nem chegava a 10€.

  • carlosResponder

    A primeira despesa a cortar, antes de alguma despesa própria, seria uma destas
    :
    – tachos injustificados políticos ineptos, uma vez que um sistema público de emprego num país pequeno e em crise, não pode comportar tal ineficiência;
    – revisão minuciosa de todas as parcerias público-privadas (nome pomposo para algo vergonhoso), tendo em vista a denúncia das cláusulas abusivas e das transferências dos cidadãos para o bolso de uns quantos;
    – e só mais uma: cancelamento dos consumos intermédios desnecessários e comabate à verdadeira crise e corrupção (30 mil milhões de euros de economia paralela – 5% de receita fiscal daqui seriam 7,5 mil milhões de euros, ou seja, praticamente não haveria défice e poderiamos pagar a dívida pública com mais tranquilidade).

    Estes são os cortes que se impõe antes de sacrificar o consumo interno e as economias dos cidadãos de um país decente.
    E esta hein
    😉

  • JPResponder

    Do que tenho ouvido, eis alguns dos cortes que os funcionários públicos se preparam para fazer (a ordem é arbitrária):

    1- Tirar os filhos do ensino privado.

    2- Reduzir os gastos com a medicina privada.

    3- Só comprar novo automóvel quando o que se já tem estiver a cair de podre.

    4- Utilizar transportes públicos, recorrendo ao passe social.

    5- Adiar upgrade/substituição do computador, da televisão e outros electrodomésticos (só substituir o que se avariar e já não justificar reparação).

    6- Reduzir as coberturas dos seguros.

    7- Reduzir despesa com o almoço para o valor do subsídio de refeição (4€).

    8- Zon / MEO : não contratar canais premium e reduzir para o pacote mais barato.

    9- Telemóveis: controlar estritamente os gastos e, caso exista, terminar contrato de internet móvel.

    11- Cafés e tabaco: controlar estritamente o consumo.

    12- Saídas à noite, restaurantes e outras actividades de lazer que custam dinheiro: controlar estritamente o consumo.

    13- Férias: controlar estritamente o consumo.

    14- Reduzir ou mesmo mandar embora a empregada doméstica.

    Não referi aqui a troca de casa, pois os funcionários públicos já deixaram, há algum tempo, de ter possibilidade de o fazer.

    De onde se conclui que:

    a) As importações mais afectadas serão as de produtos tecnológicos, em particular automóveis e equipamentos electrónicos de consumo.

    b) O sector dos serviços será bastante afectado; neste sector predominam os baixos salários e os contratos a prazo, pelo que não será difícil de prever o consequente aumento do desemprego.

    c) A economia entra em recessão devido às dificuldades do sector dos serviços.

    d) A importação de produtos de primeira necessidade sofre uma redução proporcional à redução da actividade económica.

    f) Redução de preços nos sectores mais afectados.

    e) Nova redução de salários.

    Conclusão: vai-se gerar uma espiral deflacionista.

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