Qual vai ser a inflação em 2007? (revisto)

“ (…) o ministro das FINANÇAS, Teixeira dos Santos, disse que os novos dados não foram incorporados nas previsões orçamentais: “Só tomei conhecimento disto hoje [segunda-feira].” O ministro disse ainda que a revisão “não terá qualquer impacto” sobre a previsão do orçamento para a inflação em 2007 – que é de 2,1 por cento. (…)”

7 thoughts on “Qual vai ser a inflação em 2007? (revisto)

  1. Caro Rui, em conclusão, se a inflação for superior ao previsto pelo governo, tal implicará ou não um orçamento retificativo em 2007?

  2. O risco de ele vir a ser necessário aumenta substancialmente, tanto mais quanto maior o desvio mas não há uma causalidade directa. Tudo dependerá das folgas inscritas no prórpio orçamento e da execução do mesmo – nota que não sou especialista em finanças públicas.
    Se houvesse causalidade directa, este ano terias um rectificativo: o cenário previsto no OE de 2006 para a inflação era de 2,3% – página 53. A inflação deverá encerrar o ano próximo (senão acima) dos 3,0%. Um erro com uma dimensão próxima da que “calculei” para 2007.

  3. Antes de mais os meus parabens pelo blog.
    Interessantes analises “trocadas por miudos” para leigos no assunto como eu.
    Gostaria de fazer uma pergunta vinda de um leigo.
    Como se calcula a média do índice de preços no consumidor da qual se calcula a inflação? Que produtos/serviços se baseam para o cálculo? Onde é retirada essa informação. Obrigado.
    Continuação de bom trabalho
    Helder Barbosa

  4. Caro Helder obrigado pelas suas palavras. Ainda bem que lhe acha interesse.
    Sobre a pergunta que faz recomendo ir directamente à fonte, ou seja, ao site do INE, ainda que por vezes seja necessária alguma paciência e determinação para descobrir a informação que procura. Segundo sei estão-se a preparar algumas melhorias nessa área, no INE. De qualquer forma lendo as notas explicativas do último destaque sobre o IPC ou deste outro de Janeiro de 2004 obtém algumas das respostas que procura.

    Muito basicamente, ignorando algumas etapas mais técnicas e sem prejuizo de ler pelo menos o que vem nos destaques que refei acima:
    há que conhcer minimamente qual a destrutura da despesa dos consumidores portugueses (há um inquérito específico quinquenal para isso, chamava-se Inquérito aos Orçamentos Familiares, presentemente chama IDEF que representa algo do género: Inquérito à despesa das famílias).
    2 e 3º há que escolher um conjunto de preços de bens e serviços (centenas ou mesmo milhares, não tenho bem presente) alvo de consumo que cubram as várias categorias da despesa anteriormente identificadas;
    e há que identificar e selecionar os centros de recolha (concelhos) e os estabelecimentos onde proceder à recolha de preços.
    há que recolher os preços mensalmente nos estabelecimentos (há caso devido à fixação administrativa de preços, etc onde nãoo se exige este procedimento, tipo taxas moderadoras, etc)
    há que ponderar os preços recolhidos pelo peso de cada classe de despesa identificada no passo 1 e proceder a várias agregações (centro de recolha/concelho/ região/ total nacional).
    Simplificando, no final chegamos a índices de preços sobre os quais se apuraram as variações mensais.

    A taxa de inflação que serve de referência para muitas medidas de política económica é apurada conforme descrevo no texto ou, nas palavrass do INE: “A variação média dos últimos doze meses compara o nível do índice médio dos últimos doze meses com os doze meses imediatamente anteriores. Por ser uma média móvel, esta taxa de variação é menos sensível a alterações esporádicas nos preços. O valor obtido no mês de Dezembro tem sido utilizado como indicador de referência no plano da concertação social, sendo por isso associado à taxa de inflação anual.”

    Se pretender ter acesso à metodologia de cálculo com todos os passos explicados e com toda a matemática subjacente avise-me ou contacte directamente os serviços de comunicação do INE que ou lhe disponibilizarão o ficheiro ou lhe indicarão exactamente onde a pode encontrar. Não hesite, só assim garantimos que o INE melhore sistematicamente a qualidade do seu serviço 😉
    Espero que tenha ajudado.

  5. Caro Rui
    Muito obrigado pela sua resposta detalhada. Com certeza que ajudou. As minhas questões são de pura curiosidade de um leigo (desenvolvo trabalhos em biotecnologia e estes assuntos são para mim mais complicados do que os problemas que encontro no dia a dia, e por esta razão tenho estas dúvidas que admito básicas).
    E sim..Concordo consigo. Requesitando este tipo de informações neste tipo de serviços aumentamos a hipotese de ver estes serviços melhorados. Talvez o faça em tempo oportuno depois de aprender mais aqui no seu sitio 🙂
    Obrigado
    Helder

  6. Pingback: Taxa de inflação para 2006 muito supeiror ao perspectivado pelo Governo - Economia & Finanças - Todo o economista é um leigo e todo o leigo é economia

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