Fontes estatísticas – Um problema de comunicação

Fontes estatísticasFontes estatísticas: quando num dos principais jornais nacionais (ainda que não especializado em matérias económicas) se pensa que a informação divulgada pelo Eurostat sobre o PIB, relativa a Portugal, é distinta da do INE e se faz da coincidência entre os números matéria de notícias, algo vai muito mal no jornal (notícias deixou de estar disponível) e, provavelmente, no INE.

No jornal porque revela absoluta ignorância sobre a substância daquilo que noticía; no INE porque este problema é recorrente e duradouro.

Há alguns meses um inquérito realizado a alguns dos principais consumidores de informação estatística (empresários, políticos, académicos) divulgado na imprensa (e encomendado pelo INE), revelou que a grande maioria recorre ao Banco de Portugal e a outras organizações internacionais para recolher dados, confiando na credibilidade de tais instituições. Se bem me recordo muito poucos referiram o INE enquanto fonte primária de consulta.

A ironia disto tudo é que uma boa parte (seguramente a maioria) da informação recolhida junto do Banco de Portugal, do Eurostat e até mesmo da OCDE e outras instituições é produzida e posteriormente enviada pelo Instituto Nacional de Estatística sendo que, em muitos casos, o INE a disponibiliza antecipadamente no seu site.

Há muitas justificações para este problema de comunicação e para a ignorância, algumas são evidentes e seguramente estarão no topo das preocupações do INE. O que é um facto é que anedotas como as que hoje o Publico nos oferece inadvertidamente sucedem-se.

Claramente o INE precisa de aprender a pôr a cabeça a jeito para recolher os louros do trabalho próprio, já que o reverso: descobrir os culpados quando as coisas correm mal, é informação que circula muito rapidamente.

Deixo ainda um pequeno contributo para ajudar a resolver este problema de assimetria de informação: nas três ligações que se seguem encontrará o calendário de divulgaçãode informação estatística a realizar pelo INE em Outubro, Novembro e Dezembro.

 

Para memória futura fica aqui a notícia conforme foi divulgado cerca das 11h30m:

“Dados do Eurostat coincidem com os do INE
Economia portuguesa cresceu 0,9 por cento no segundo trimestre

11.10.2006 – 11h07 PUBLICO.PT
A economia portuguesa cresceu 0,9 por cento no segundo trimestre do ano, em comparação com o trimestre anterior, um valor idêntico ao desempenho da Zona Euro durante o mesmo período, indicou hoje o departamento de estatística da Comissão Europeia, o Eurostat.

Este número coincide com as previsões apresentadas há algumas semanas pelo Instituto Nacional de Estatística, que apontava o crescimento de sete por cento das exportações como o suporte para o desempenho da economia portuguesa nesse período.

Também a União Europeia cresceu ao mesmo ritmo no segundo trimestre do ano, face ao primeiro trimestre.

Em comparação com o segundo trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto cresceu 0,9 por cento em Portugal, 2,47 por cento na Zona Euro e 2,9 por cento na UE.

O Eurostat regista uma tendência divergente da evolução do investimento em Portugal e na Zona Euro e na União Europeia no segundo trimestre do ano face ao trimestre anterior. No caso nacional, o investimento terá recuado 2,5 por cento, enquanto na Zona Euro cresceu 2,1 por cento e na União Europeia 1,8 por cento.

Pela positiva, as importações caíram 3,1 por cento em Portugal e aumentaram 1,2 e 1,7 por cento, respectivamente, na Zona Euro e na União Europeia.”

Disclaimer: trabalho no INE há cerca de 8 anos.

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