Ainda as taxas de juro na União Europeia

Rumo da economiaAs taxas de juro na União Europeia. Já por aqui falámos neste assunto, até mais do que uma vez. E na altura já as perplexidades se iam avolumando, à medida que se ia conhecendo a evolução da inflação na zona euro.

Recentemente, o Eurostat divulgou a primeira estimativa da inflação na zona euro para o mês de Outubro, que se deverá ter fixado em 1,6% em termos homólogos. Face ao mês anterior (no qual tinha sido 1,7%) trata-se da segunda desaceleração consecutiva da taxa de inflação (relembre-se que em Agosto este mesmo indicador registou 2,3%).

Na sua reunião de ontem, a autoridade monetária europeia, BCE, decidiu manter a taxa de juro de referência nos 3,25%. Contudo, o seu presidente, Jean-Claude Trichet, não deixou de lançar diversos avisos em tom de ameaça na conferência de imprensa que se seguiu à reunião.

A subida da taxa de juro de referência na zona euro para 3,5% em Dezembro é bem provável. Trichet refere não apenas os riscos imediatos de aumento da inflação, pois diz estarmos actualmente a beneficiar de um efeito de base conjuntural (comparamos com os meses de 2005 em que os preços do petróleo subiram muito), mas alerta ainda para os potenciais efeitos futuros na inflação da zona euro dos anunciados aumentos do IVA na Alemanha em 2007. Verdade. Verdade é também que a única classe de produtos que tem comprometido a “meta” do BCE, os energéticos, viu os seus preços descer 20% recentemente.

O que não deixa de ser curioso foi o movimento recente das taxas de juro nos mercados monetários, que registaram diminuição para os prazos mais curtos, algo que não acontecia há algum tempo.

Sigo esta “novela” com atenção e alguma apreensão, pois os objectivos centrais do BCE em termos de estabilidade de preços podem condicionar fortemente as perspectivas de crescimento na zona euro, nomeadamente de um pequeno país como Portugal. Sofremos não apenas com o efeito directo de aumento das taxas de juro (maior sufoco das famílias e menos investimento das empresas), mas iremos também sofrer de forma indirecta, pois se vier por aí uma desaceleração mais ou menos generalizada do crescimento nos principais países da UE, nossos principais parceiros comerciais, as nossas exportações irão sofrer. E relembre-se, as exportações (felizmente) têm sido o nosso principal motor do crescimento nos trimestres mais recentes.

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