Aumentos salariais para 2010? (revisto II)
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ACTUALIZAÇÃO (28 OUT 2009): O Governador do Banco de Portugal sugeriu recentemente que os aumentos salariais para 2010 deverão rondar os 1 a 1,5%. Ver em “Salário Mínimo para 2010 – a dúvida persistirá por mais alguns meses“.
Termino hoje umas breves férias. No dia em que o Presidente da Republica promulgou o decreto-lei que estebelecerá um novo regime contributivo para segurança social, que aqui abordaremos dentro de dias, retenho uma notícia da tarde de hoje: a CGTP propõe aumentos salariais de 2% para 2010 (acima da inflação!), com passagem do salário mínimo para os 475€.
Habitualmente, o horizonte de aumentos aventado pela CGTP fica uns furos acima do que acaba por ser acordado (quando é acordado) em concertação social. Julgo que depois do fortíssimo aumento salarial em termos reais dos salários no sector público em 2009, e face ao elevado défice orçamental que se registará este ano, o sector público venha a não ter qualquer actualização salarial em 2010.
Taxa de Desemprego mantem tendência de agravamento (em actualização)
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“A taxa de desemprego estimada para o 2º trimestre de 2009 foi de 9,1%. Este valor é superior ao observado no período homólogo de 2008 em 1,8 pontos percentuais (p.p.) e ao observado no trimestre anterior em 0,2 p.p.. A população desempregada foi estimada em 507,7 mil indivíduos, verificando-se um acréscimo de 23,9%, face ao trimestre homólogo, e de 2,4% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados diminuiu 2,9%, quando comparado com o mesmo trimestre de 2008, e 0,4%, relativamente ao trimestre anterior.”
In INE.
PIB do 2º trimestre de 2009 continua em forte contracção
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INE revê em baixa a estimativa para o PIB do 1º trimestre, fixando-a agora a taxa de variação homóloga em -3,9% e avança com uma primeira estimativa para o PIB do 2º trimestre de -3,7% (dados em volume).
Ao contrário das interpretações que nos chegam, eu não teria a mínima razão para interpretar com surpresa positiva este novos dados. Sem dúvida desprezo largamente variações em cadeia de 0,3 quando a variação homólogo persiste num patamar de -3,7%. Estamos ainda em plena recessão. Podem não lhe chamar “técnica” porque face ao trimestre anterior houve crescimento, mas notem a volatilidade do fenómeno, mais que não seja pela imprecisão da informação estatística: o valor agora apurado para o 1º trimestre foi revisto significativamente em baixa à conta de uma revisão incomum que só pode ter sido muito forte no comércio externo de bens. Uma revisão que acabou por representar um termo de comparação bem mais baixo face aos dados do 2º trimestre.
A principal leitura positiva que faria seria a que advém da comparação entre os nossos indicadores e os valores médios dos nossos parceiros, aí sim, verifica-se que continuamos claramente com um comportamento global menos desfavorável. Não cresciamos nada que se visse quando andavamos em vacas gordas, mas, para já, também não afundamos tantos quanto os outros em época de vacas magras. Digamos que em plena crise o processo de divergência face à média comunitária se inverteu. Eis os dados com informação para os países que hoje divulgaram as suas estimativas.
Recenseamento Agrícola 2009 – Emprego temporário
Este ano é ano de recenseamento agrícola cujo trabalho de campo entre Novembro de 2009 e Maio de 2010 decorre um pouco por todo o país. O INE, entidade responsável por esta operação estatística está a contratar:
- 186 técnicos locais com contrato a termo certo e,
- 1540 entrevistadores em regime de recibos verdes.
Se conhece interessados pode encontrar a informação necessária aqui: INE RA09.
O INE não é propriamente uma entidade que prime pela competência em matéria de recrutamento e gestão de recursos humanos mas nesta altura de taxas de desemprego a rondar os 10%, estas mais de 1700 vagas que garantem rendimento até finais de Maio de 2010, não serão desprezíveis.
Taxa de inflação fixa-se em 0,5% em Agosto de 2009
Não é comum no espaço de um mês a taxa de inflação (que é uma taxa média anual que depende de informação registada ao longo dos últimos 24 meses) cair 0,4 pontos percentuais. Era de 0,9% em Junho, passou para 0,5 em Julho. Mas também não é normal a taxa de variação homóloga estabilizar em valores claramente negativos, foi de -1,6% em Junho e agora é de -1,5% em Julho. Mesmo estando potencialmente perante o início de um período de desaceleração da queda dos preços, seguramente ainda teremos alguns meses em que a taxa de inflação manterá o seu perfil descendente, não sendo improvável que feche o ano em valores negativos, ou seja, registando valores deflaccionistas.
Ainda assim, o receio de se entrar numa espiral deflaccionista parece hoje menos razoável. A expectativa de podermos ter de vir a enfrentar pressões inflaccionistas nas matérias-primas ao longo dos próximos anos (que se esperam de retoma mais ou menos moderada em termos internacionais) justificadas por uma expectativa de escassez de oferta de combustíveis fósseis, voltou claramente à agenda dos mercados. Aconteça o que acontecer, aproximamo-nos de momentos históricos para quem acompanha esta coisa das estatísticas monetárias e financeiras. Preços a descer em vez de preços a subir? É uma forma de mundo ao contrário.
Subsídio de desemprego: 6 meses para procurar emprego na União Europeia
Acabou de ficar desempregado? Quer procurar emprego em Espanha, Inglaterra ou outro país da União Europeia, contactar com empresas de recrutamento, ir a entrevistas, mas só o pode fazer à distância para não perder o direito ao subsídio de desemprego pois tem de se apresentar regularmente no seu centro de emprego? Segundo notícia recente do Diário de Notícias essa perspectiva de mobilidade em busca de emprego ficará mais facilitada em 2010:
“Os desempregados que quiserem procurar trabalho noutro país da UE vão poder manter o subsídio de desemprego durante três a seis meses. A medida, que alarga o regime actual, consta de um regulamento europeu já aprovado e que deverá entrar em vigor em Março do próximo ano. Nessa altura, o desemprego deverá registar máximos históricos. (…) A medida consta de um regulamento europeu aprovado no final de Julho, que deverá entrar em vigor a 1 de Março [de 2010], estando a data apenas dependente da publicação do diploma. (…)
O regulamento em vigor garante o subsídio por um período máximo de três meses. A partir de Março, serão os serviços nacionais a decidir quem terá direito a um período mais alargado. “Depende da instituição competente do Estado membro decidir, caso a caso, se deve conceder três ou mais meses. É uma decisão discricionária, mas deve ser objectiva e proporcional”, refere ao DN fonte oficial da Comissão Europeia. Contactado pelo DN, o Ministério do Trabalho remete a definição dos critérios para mais tarde. (…)“
Dívidas, doença, carestia futura: são os negócios do dia-a-dia, ou quase
- As ondas de choque da crise económica, nomeadamente por via do desemprego, estão ainda em franco processo de propagação. Hoje a notícia é o aumento da dívida incobrável sob responsabilidade das famílias.
- Nos próximos meses, provavelmente, bem mais cedo do que o perspectivado ainda há pouco tempo, estaremos concentrados e condicionados por uma desgastante doença colectiva (esperemos que o inuendo desta frase se fique pela Gripe A…). Um fenómeno cujas consequências internas e externas são ainda difíceis de antecipar.
- A médio-prazo e num cenário de recuperação económica paira a ameaça de um retorno das pressões inflacionistas sobre combustíveis, matérias-primas minerais e alimentares.
Como conviver perante estas perspectivas? Talvez as palavras de ordem sejam capacidade de antecipação e moderação.
Enquanto comunidade recusar o fatalismo e exigir melhor discernimento político, empresarial e laboral. A nível individual seguir o provérbio “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra“. Se tiver posses e/ou se vislumbrar uma oportunidade com o fundamental para funcionar, não adiar tudo para “depois”, mas também não viver como se não houvesse amanhã. Palavrinhas singelas, ideias simples, que procurarei seguir e dar de empréstimos para os próximos tempos.
