Portugueses detêm 25% da dívida nacional; em Espanha e Itália valor é superior a 56%

Em várias artigos na edição de hoje do Jornal de Negócios analisa-se a dívida pública e a história recente lusitana da sua posse por particulares. Num dos artigos refere-se uma iniciativa do Estado Italiano conhecida como o “Dia das Obrigações” no qual havia uma “promoção” que isentava os aforradores nacionais que subscrevessem títulos do tesouro italiano do pagamento das habituais comissões. A iniciativa insere-se numa tradição de forte aquisição interna das emissões de dívida do próprio estado italiano pelos residentes. Segundo o Negócios, o BCE indica que em Itália cerca de 57% da dívida pública está na posse de nacionais, descendo esse número para 25% no caso de Portugal. Esta realidade italiana (e também Espanhola: 58%) é apresentada como uma vantagem por parte destes países em tempos de incertezas e de encerramento dos mercados internacionais à emissão de dívida pública pois, objectivamente, a dependência face ao exterior é menor.

Por cá, nos últimos anos, têm-se somado disparates (recordamos a brutal perda de confiança nos Certificados de Aforro depois da reforma Costa Pina, há alguns anos – recorde o fundamental desta história em “Era uma vez um Certificado de Aforro“) e reações tardias (é ainda recente a criação dos certificados do tesouro, que após um arranque muito interessante, se revelam hoje incapazes de cativar os aforradores nacionais na dimensão de que o Estado necessitará). Ainda durante o consolado de Teixeira dos Santos ficou no ar que em 2011 surgiriam novos produtos/modalidades de subscrição da dívida pública, por parte de particulares, que potenciasse um aumento do rácio de detenção da dívida pelos nacionais (e da taxa de poupança), contudo, caiu o governo, surgiram novos governantes e, até ao momento, não identificámos qualquer indício de que algo do género esteja a ser cogitado.

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Quanto custa o dinheiro para o Estado? 4,823%

Há 8 anos que o Estado não pagava tão caro pelo dinheiro que pede emprestado. A notícia é de quarta-feira e refere-se à emissão de 3 mil milhões de euros em obrigações do tesouro que o Estado português levou ao mercado. A taxa de juro final para remunerar os obrigacionistas que se mantenham titulares das respectivas obrigações durante os 10 anos de duração do empréstimo é de 4,823% ao ano.

A CGD hoje admite como referencial de taxa fixa a 10 anos para um crédito à habitação um valor na ordem dos 3,65% aos quais adiciona um spread que poderá começar, na melhor das hipóteses, nos 0,8% não devendo o valor médio fugir muito das redondezas do ponto percentual. Ainda assim uma taxa final cobrada inferior à que o Estado ontem aceitou pagar aos financiadores institucionais. Se a CGD se financiar a taxas próximas das obtidas ontem pelo Estado português, dificilmente poderá manter esta oferta, pois se ofizesse ou não teria qualquer proveito ou teria mesmo prejuízo.

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Obrigações da dívida pública para particulares – novidade em breve?

Com os certificados de aforro a definharem por falta de atratibilidade e com o próprio Governo a não acreditar que haja um aumento líquido de aforro colocado pelos particulares através deste produto ao longo do corrente ano (apostamos mais na continuação do progressivo caminho para a extinção deste produto se nada mudar), eis que poderemos … Ler mais