Remuneração bruta mensal média atinge os €1.473 no final de 2020

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Segundo o INE, a Remuneração bruta mensal média atinge os €1.473 no final de 2020. Este valor representa um aumento e é uma das informações extraída das Estatísticas do Emprego divulgadas em fevereiro de 2021 e relativas ao ano completo de 2020. No contjunto do ano também se registou um aumento, especilamente significativo no setor privado, aumento esse que foi o mais elevado desde, pelo menos, 2015.

 

Remuneração bruta mensal média atinge os €1.473

Este valor de €1.473 corresponde ao registado no trimestre terminado em dezembro de 2020 e representa um aumento de 3,5% na remuneração bruta mensal média. recorde-se que inflação homóloga neste período foi negativa em 0,2% pelo que o aumento real das remunerações foi um pouco superior aos 3,4% de aumento nominal (com reflexo num maior poder de compra). O INE destaca ainda que estes resultados dizem respeito a cerca 4,1 milhões de postos de trabalho, englobando, quer beneficiários da Segurança Social, quer subscritores da Caixa Geral de Aposentações.

 

Remuneração bruta mensal média em 2020

Já quanto a média de todo o ano o INE revela:

No ano de 2020, a remuneração bruta mensal por trabalhador foi de 1314 Euros, tendo aumentado
2,9% em termos nominais e em termos reais (aumentos de 2,8% e 2,5% em 2019).

No mesmo período, a remuneração bruta regular mensal foi de 1073 Euros, registando um aumento nominal e real de 3,3% (2,6% e 2,3% em 2019).

Ainda em 2020, a remuneração bruta base mensal registou um aumento nominal e real de 3,4%, para 1009 Euros (2,5% e 2,1% em 2019). Em 2020, o IPC teve uma variação nula (0,3% em 2019)

Detalhe por setor de atividade económica e dimensão da empresa

Alguns destaques:

“Em relação ao período homólogo de 2019, o maior aumento da remuneração total foi observado nas Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas (R; 8,7%), seguido das Atividades administrativas e dos serviços de apoio (N; 6,4%).

Os menores aumentos foram observados nas Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio (D; 0,1%) e nas atividades da Administração Pública e Defesa; Segurança Social Obrigatória (O; 0,4%) .”

Atendendo à dimensão das empresas as diferenças não forma tão expressivas entre segmentos mas destaca-se que foi entre as empresas mais pequenas (de 5 a 9 trabalhadores e de 1 a 4 trabalhadores) que houve um aumento ligieramente superior das remunerações médias. Aconteceu precisamente o oposto entre as maiores empresas (mais de 500 trabalhadores).

Um último destaque para o facto de os aumentos terem sido superiores no setor privado, o que levou a uma redução do diferencial da remuneração brutal média face ao setor público. Ainda assim, a diferença de nível mantém-se significativa sendo que, com ose sabe, a Administração Pública tende a contratar uma maior fração de trabalhadores com um nível médio de escolaridade superior (professores, médicos, quadros superiores).

No setor privado, a remuneração total registou uma variação homóloga superior à do setor das AP (3,7% vs. 1,1%), passando de €1286 em dezembro de 2019 para €1334 em dezembro de 2020 (€2124 na Administração Pública).

 

Impacto do COVID-19

Vale a pena sublinhar o que o INE destacou relativamente ao impacto do COVID-10 neste números.

A dinâmica recente das remunerações mensais médias foi significativamente influenciada pelo impacto económico decorrente da pandemia COVID-19 e, consequentemente, pelos mecanismos de proteção ao emprego com a instituição, em particular, do regime de layoff simplificado e, em menor grau, de apoio às famílias.

Efetivamente, o volume de remunerações pagas foi afetado pela aplicação do regime de layoff simplificado até julho de 2020, na medida em que este abrangeu um número substancial de empresas e trabalhadores e implicou uma redução em 1/3 da remuneração base (não podendo daí resultar uma remuneração inferior a uma Remuneração Mínima Mensal Garantia – RMMG – ou superior a três RMMG).

Aquele volume terá sido também afetado pelo regime layoff geral, previsto no Código do Trabalho, e pela adoção de outras medidas de proteção social face à COVID-19 que entretanto foram aplicadas, das quais se destacam as de apoio extraordinário à retoma progressiva e de incentivo à normalização da atividade empresarial.

Com a informação recebida da Segurança Social, porém, é possível distinguir apenas dois grupos de empresas: o das que recorreram, pelo menos num mês, aos regimes de layoff simplificado e de apoio excecional à família, doravante designado de “empresas layoff”; e, por diferença, o grupo de empresas que nunca recorreram a estes regimes, as “empresas não layoff”.

Uma vez identificados estes dois grupos de empresas, pode avaliar-se o seu comportamento relativo, em termos da remuneração média por trabalhador, antes de depois da pandemia.

Os dois grupos de empresas distinguem-se, antes de mais, pelo nível de remuneração bruta base mensal média por trabalhador, com os trabalhadores do grupo de empresas layoff a registar remunerações médias abaixo da média economia (11,4%, em dezembro de 2020) e os das empresas não layoff acima daquela média (15,1%, em dezembro de 2020).

A partir de julho, o número de empresas em situação de layoff diminuiu acentuadamente, abrangendo 26,7% em junho de 2020, 3,2% do total das empresas em setembro de 2020 e apenas 0,1% em dezembro de 2020 (0,3% do total de trabalhadores).

De julho a novembro observa-se uma convergência da taxa de variação homóloga da remuneração base dos dois grupos de empresas. Em novembro de 2020 aquela taxa foi de 3,8% para o total da economia, 3,7 para as empresas não layoff e de 3,4% para as empresas layoff.

Em dezembro de 2020, as empresas layoff registaram a mesma variação que o total da economia (3,5%) e as empresas não layoff registaram o crescimento mais baixo desde setembro de 2018 (2,5%). Estas diferenças na evolução remuneratória das empresas podem ser explicadas pelo comportamento de expansão/contração do número de trabalhadores destes dois grupos de empresas.

O número de trabalhadores das empresas não layoff foi relativamente estável entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2020. Em março de 2020, o número de trabalhadores diminuiu 0,5% em relação a março de 2019. Em junho de 2020 observou-se a maior diminuição no número de trabalhadores (menos 3,2% comparado com um ano antes). Em novembro e dezembro de 2020, o número de trabalhadores aumentou (0,2% e 1,9%), representando o aumento de dezembro o mais elevado desde o início da série.
Por oposição, as empresas layoff observaram aumentos no número de trabalhadores acima de 5% até março de 2020.

No trimestre terminado em maio, o número de trabalhadores permaneceu inalterado e desde então tem diminuído cada vez mais: menos 2,3% em junho de 2020, menos 3,1% em setembro e menos 4,8% em dezembro de 2020.

Pode encontrar muito mais detalhes na informação estatística do INE sobre o Emprego.

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