Se lhe propusessem este novo horário de trabalho aceitava?

Imagine que lhe propunham alterações no seu horário de trabalho. Se lhe propusessem este novo horário de trabalho aceitava?

  • Dividir o ano em dois períodos distintos.
    • O primeiro – chamemos-lhe Inverno – compreendido entre os meses de outubro e maio. Neste período nada mudaria face ao seu horário atual;
    • O segundo – chamemos-lhe Verão – compreendido entre junho e setembro. Ora neste período passaria a ter fins de semana de três dias e jornadas de trabalho com mais uma hora do que atualmente. 
  • Adicionalmente, para compensar quase na totalidade os dias de trabalho a menos por via das semanas de apenas 4 dias durante quatro meses, o número de dias de férias anuais passaria de um valor médio de 23 dias (estamos a considerar a média nacional aproximada) para 18 dias (ou uma redução proporcional se tiver mais ou menos do que 23 dias de férias). Note que se gozar férias no Verão continuará a poder gozar pelo menos quatro semanas de férias e ainda lhe sobram alguns dias; um cenário próximo do atual.
  • Por outro lado, o número de feriados que andará numa média de 6-7 dias úteis anos, deveria passar para 5-6 dias úteis anos, reduzindo-se um feriado no verão.

No final (ver quadro), fazendo as contas e usando por referência o número média doe horas trabalhadas por empregado em Portugal (segundo a OCDE)  deveria haver um ganho ligeiro em tempo de lazer (estimado em cerca de 29 horas a menos por ano), ajustável com alguma mexida nos parâmetros da simulação. A simulação pressupõe que a esmagadora maioria das férias se continuaria a gozar no verão, como sucederá agora.

Que lhe parece? Esta alteração seria do seu interesse? Melhoraria ou pioraria o seu bem estar? Seria indiferente? E qual acha que seria o impacto na economia? Que desvantagens encontra? E vantagens? Sugestões?

Calendário de Trabalho

Calendário de Trabalho. Simulação.

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11 Comentários

  • polikResponder

    A pergunta que ponho é como se diferenciava os dias de férias de verão e inverno? afinal o dia de inverno teria menos 1 hora,,,

  • pauloaguiaResponder

    Tendo em conta que eu costumo tirar férias sobretudo nos meses de “inverno”, eu seria dos que sairia a perder… e bastante…
    Numa primeira abordagem, dir-se-ia que o facto de haver um dia a mais no fim de semana quer dizer que se poderia aproveitar para tratar de outros assuntos, diminuindo as horas de trabalho perdidas para ir ao banco, a uma consulta, etc. Mas o mais provável é que tudo o resto fechasse também nesse dia e ficava tudo na mesma (a menos que houvesse uma divisão entre a escolha de 2ª e 6ª feira).
    Quem provavelmente sairia a ganhar seriam os restaurantes, os hoteis, as concessionárias das praias, etc, com o aumento do afluxo de trabalhadores que ainda não estão de férias e o aumento das escapadinhas de fim de semana prolongado. Mas, por aquilo que tenho lido ultimamente, este não é propriamente o sector que mais precisa de ajuda…
    Por curiosidade, este cenário foi inspirado em algum caso ou proposta real?

  • Armando MiguezResponder

    Não vejo interesse nenhum . Acho muito mais interessante trabalhar mais 1h de 2º a 5ªf e à 6ªf sair ás 13h.

  • Vasco FariaResponder

    Já tinha pensado em algo do género, mais mais “agressivo”.
    Trabalhar + 2 horas por dia (4 dias) e ter durante todo o ano 3 dias de fim de semana.
    Qualquer uma delas seria mais vantajoso para mim, já que as segundas são dias terríveis….
    E vendo pelo lado patronal, também poderia ser uma vantagem, trabalhar mais tempo seguido (por dia) pode em alguns casos aumentar a produtividade semanal, mesmo com menos 1 dia de trabalho.

  • estrangeiroResponder

    Eu aceitava – teoricamente. Porque esta proposta nao dá para pessoas que têm deadlines de trabalho, p.ex. dias/horas de fecho de uma publicacao, nem para quem trabalha no ensino etc

  • LPResponder

    Seria óptimo!

  • LMResponder

    Permitir que o trabalhador possa optar, poderia aumentar a motivação.
    Pessoalmente, o meu horário já é flexível, exceptuando os períodos onde não é, nem nunca poderia ser (?).

  • Paula RomanoResponder

    Acho esta sugestão muito interessante. Eu concordo. Em Espanha já fazem algo semelhante á muitos anos.

  • Alfredo CoelhoResponder

    Para quem o fim de semana é um dia igual aos outros, esta proposta nada altera. Para quem é funcionário público, talvez agrade. Secalhar iriamos ter serviços públicos fechados durante a semana. Continua-se a falar de fim de semana em Portugal, como se fosse algo que todos têm, mas não é verdade. É quase um luxo da função pública. Se trabalho 40 horas por semana no Sector privado, a função pública, para servir o povo deveria trabalhar 45 ou 50. No sector privado, a carga horária anual é de 2088 horas, por isso, ver aqui cargas horárias inferiores só me leva a crer que se trata de uma proposta para a função pública.

  • Márcio GuerraResponder

    Eu sou comunista, mas tenho a minha própria visão, creio que «mais além» da do PCP, nesta questão. O PCP defende, e bem, 35 horas semanais, tal como a CGTP também defende. Eu defendo, com base no que já percebi, horários de 20 ou 30, no máximo, horas semanais, mas com uma questão em cima da mesa. Não pode haver alteração do valor salarial, ou seja, o salário mínimo de 505 euro para 40 horas, seria o mesmo, 505 para 20 ou 30 horas.
    Porquê 20 ou 30 horas semanais?
    Dois motivos:
    1) Permite, em primeiro lugar, usufruir da nossa condição social, lazer, família, no fundo, honrar o que nos torna seres sociais. Não deixa de nos tirar a satisfação de realização pessoal por fazermos algo de que gostamos ou necessitamos para nos realizarmos profissionalmente, sentirmos que contribuímos para a sociedade, mas também nos dá esse tempo para fruir, descansar, gozar, passear, estar com os amigos, estar sozinho, enfim, sermos nós o que quer que sejamos.
    2) Permite, em segundo lugar, um ajuste social, para colocar no mercado de trabalho grande parte da força de trabalho que está parada. Criticamos que haja pessoas a receber apoios sociais (eu não critico, pois defendo que devemos, enquanto sociedade, proteger quem precisa dessa protecção, desempregados, pessoas que precisam do rendimento social de inserção, até porque no caso do subsídio de desemprego é um direito acordado por se estar a trabalhar e já se fizeram descontos, patrão e empregado, para tal, e no caso do RSI quero uma sociedade que proteja quem menos tem ou menos pode e aceito descontar para essa situação), e depois nada fazemos, nomeadamente os partidos do poder (não o PCP, cujas propostas concordo e defendo), quanto à criação de emprego e à necessidade de, ao invés de termos pessoas a contribuir socialmente, temos pessoas apenas a usufruir, ou pelo menos, sem capacidade de também contribuírem, sabendo nós que se se «tira vinho de um pipo pela torneira e não se lhe lá coloca mais dentro, um dia o vinho acaba», portanto, se não entram novos contribuidores para o bolo, o bolo acabará.
    Isto tem como defesa algumas coisas que fui vendo, e que também ajudaram a sedimentar a minha formação política e ideológica, como por exemplo, em 2012 a Jerónimo Martins teve perto de 600 milhões de euros de lucro. Lucro. É depois de todas as despesas pagas. Pode ser usado para reinvestir na empresa ou dividir pelos accionistas.
    À data haviam-me dito que eram cerca de 22 mil pessoas no grupo JM. À data também eram-nos pedidos, em nome da Troika, sacrifícios enquanto portugueses. A JM tem sede fiscal na Holanda. Eu proporia, se mandasse, que metade, cerca de 300 milhões, apenas «for the sake of argument», fossem «sacrifício» de uma empresa do calibre da JM. O resto seria para o mesmo que foram a totalidade dos 600 milhões, fosse reinvestir ou dividir lucros.
    A esses 300 propunha uma de 3 soluções, eventualmente de lei, fixa para todos, ou à escolha da empresa.
    a) divisão, em partes iguais, por todos os funcionários do grupo. Com base em quê digo isto? Quer dizer, produzimos, a nível de PIB, pelo menos 10x mais do que há 30 anos. Mas ganhamos, em proporção, menos do que nessa altura, revertendo para o patrão mais lucro do que antes. Com esta medida dividiríamos, visto que era valor fixo significando mais para os que menos ganham, o valor dos 300 milhões e dava uma quantia bastante significativa a mais, que cada trabalhador da empresa teria para reinvestir à sua maneira na economia. É curioso que há medidas, «de boca», pois na prática não são aplicadas pela UE, que determinam que países com superavit como a Alemanha, tenham que subir os salários, objectivamente, também em relação ao PIB, produção, etc., para que possam com essa força económica extra, canalizar a produção de outros países, no fundo para ajudarem a equilibrar a balança comercial de países que têm que exportar para crescer. Só que ao não o fazer colocam a pressão dos salários nesses países, como Portugal, e depois é o que se tem visto, pois a responsabilidade de dívidas soberanas não é apenas do país que deve, é também dos outros países, ainda por cima integrados numa UE que de solidária, como se vê hoje em dia, nada tem. Podem refazer as contas, mas sei que esses milhões davam muito dinheiro a mais, mensalmente, a cada funcionário. Era um óptimo complemento. Era uma medida semelhante a essa do ter que aumentar salários à medida do nosso país e não à medida europeia ou da UE.
    b) entrarem directamente para o Orçamento de Estado. Era dinheiro, não muito, mas se isto fosse feito a todas as empresas à medida do seu tamanho era bastante significativo, Sonae, etc.., que entraria para Saúde, Educação, Serviços Sociais, etc. e que aliviariam a carga dos trabalhadores e do povo significativamente. E atenção, só estamos a falar de lucros, não estamos a falar da totalidade dos lucros nem do aumento de qualquer um dos outros impostos, eram medidas temporárias, excepcionais, visto haver austeridade para toda a gente.
    c) reduzir, como propus acima, o horário de trabalho dessa empresa, de 40 para 20 horas semanais. Obrigaria à contratação de cerca de outros tantos trabalhadores para a empresa, por forma a cobrirem as necessidades de mão de obra que faltariam pelo facto das pessoas apenas trabalharem metade do tempo. Ajudaria a que saíssem do desemprego pelo menos uma pessoa de 22 mil famílias. Na pior das hipóteses 11 mil famílias teriam agora 2x o Salário Mínimo Nacional para fazerem face às suas despesas, para saírem da crise. As lojas poderiam escoar o que produzem, visto que 98% das empresas nacionais são micro, pequenas e médias empresas, e cujo grosso, muito grosso do que produzem, é para ser consumido no mercado interno e não para exportação. O Pingo Doce venderia mais, pois mais gente compraria, enfim, era mais gente no mercado a comprar e a vender, logo, sem a economia contrair e sim crescer.
    Isto implicava tudo uma opção de classe diferente. Era preciso taxar, sem medo, como neste caso, os grandes lucros. Dizer que ao fim de 8 meses a Galp já havia lucrado tanto quanto o que havia sido pago por ela, ou seja, que o seu actual dono recebem o que pagou por ela em 8 meses é um caso gritante de dolo à população portuguesa. Quando se vende algo que nos dá uma renda mensal, e que é, teoricamente, infinita (sem contar com o facto de que um dia o petróleo acaba), por um valo fixo, algum dia, em rendas, esse valor é ultrapassado, seja ele maior ou menor. Demoramos mais ou menos tempo é a chegar lá, a ele.
    Por isso, uma taxa realmente extraordinária, ao grande capital, aquele que resulta, sem qualquer sombra de dúvida, da produção de outros, da exploração de outros, ou seja, lucros sobre a produção alheia, para ajuste da economia, mesmo sem estarmos no comunismo ou sequer no socialismo, é uma medida justa para cobrir isso. Mas não há que ter medo, e sabemos, pelos ciclos viciosos, que os administradores andam sempre num corrupio entre governo e meia dúzia de grandes empresas ou bancos, logo, estão ao serviço dos interesses dessas mesmas grandes empresas ou bancos e não governos pelo povo… Enfim.
    Já agora, a título de curiosidade, produzimos pelo menos 10x mais do que há 30 anos, a nível de PIB. Porque é que esse valor acumulado de produção reverte apenas para os patrões e não entre patrões e empregados, os responsáveis por se produzir mais? É que hoje, com computadores, robots, etc., conseguimos fazer em 10 minutos, com centenas de fotocópias o que antes demoraria horas ou dias a fazer, se fossem necessárias essas cópias todas, logo, porque é que se se produz mais, se se cresce mais (PIB), não há mais rendimento disponível para quem cria, produz, e proporcionalmente ainda se ganha menos? Fica a questão.
    Desculpem o longo texto.
    Márcio Guerra

  • MapariResponder

    Muito obrigado pelas reações e comentários até ao momento. Já aqui temos algumas ideias interessantes. Umas complementares, outras alternativas, outras opostas, mas várias pistas úteis.
    Algumas notas:
    Esta proposta não é baseada em nenhum exemplo de que tenhamos conhecimento;
    Os valores de horas ano são uma média nacional apurada pela OCDE, consideram todas as profissões;
    E obviamente este tipo de alteração não alteraria apenas a vida dos funcionários públicos, estamos em crer que a larga maioria dos trabalhadores descansa ao sábado e domingo e mesmo para os que não o podem fazer estamos em crer que poderia haver vantagens dados que o desenho do horário semanal também deveria ser ajustado nomeadamente prevendo três dias de descanso por semana nos quatro meses identificados;
    Seria necessário haver alguma atenção especial com a articulação do horário escolar (ainda assim estamos em crer que marginal);
    Nenhuma proposta de alteração da organização do tempo de trabalho algum dia agradará a todos, contudo resolvemos questionar até que ponto o cenário base não poderá ele próprio ser alterado com vantagem para uma maioria. Pelo que vamos recebendo de reações, há aqui algum potencial.

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