Repartição da riqueza em Portugal: nunca os salários receberam uma fatia tão pequena

O jornalista Rui Peres Jorge assina hoje no Negócios uma peça sobre a repartição da riqueza em Portugal, “Queda histórica do peso dos salários puxa pela desigualdade” tendo por base investigação de João Leão (ISCTE) e Francesco Franco (Universidade Nova).

Segundo estes investigadores, Portugal terá registado a maior queda na Zona Euro em termos de percentagem de riqueza distribuída como salário, em benefício dos rendimentos sob a forma de juros, lucros e rendas.

Os dados para Portugal revelam assim um mínimo histórico e uma posição abaixo da média da Zona Euro. Esta evolução conjugada com outras tendências comuns ao período é potenciadora do aumento da desigualdade de distribuição de rendimentos existente no país e poderá contribuir para aspetos como a contração do mercado interno e o desequilíbrio estrutural das finanças familiares entre outros.

A tendência registada é contudo global no mundo ocidental e pode estar a centrar-se em vários aspetos como sejam: a gobalização que, associada ao desenvolvimento tecnológico, em alguns setores, potencia grandes retornos com baixo investimento em capital humano (menos empregados mas mais lucro) e que, em outros, permite explorar o recurso a mão de obra mais barata, via deslocalização geográfica de centros de produção. Esta tendência também pode estar a ser alimentada, a nível global, pela crescente financeirização da economia promovendo-se setores que conseguem gerar lucros elevados sem que haja, no geral, uma folha salarial muito elevada. As justificações para a repartição da riqueza em Portugal podem contudo ser diferentes um pouco diferentes.

Eis um dos gráficos que ilustra a peça do Negócios:

Repartição da riqueza em Portugal

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1 Comment

  • Manuel Gomes AlexandreResponder

    A trágica situação das assimetrias de bem -estar social das populações e dos povos, a nível mundial, resulta da subversão dos conceitos indissociáveis de Economia, Politica e Democracia,causada pela fraude da designada por economia de mercado, sob a tutela de um absurdo democrático, designado por DEMOCRACIA LIBERAL CAPITALISTA. Absurdo, porque o conceito de Democracia assenta na cooperação solidária entre as pessoas e os povos, sendo socialmente globalizante, mas o liberalismo, individualismo ou egoísmo assenta na discriminação social.
    Os conceitos de Economia e de Politica de qualquer comunidade são indissociáveis e integrados, competindo á Economia de qualquer comunidade nacional promover a satisfação das necessidades de todas as pessoas dessa comunidade, bem como a obtenção dos meios adequados a essa satisfação, pelo trabalho socialmente solidário de todas as pessoas capacitadas para esse efeito, significando isso, que a Economia de qualquer comunidade nacional é representativa de todos os direitos e de todas as obrigações individuais e sociais de todas as pessoas dessa comunidade, na medida das necessidades e capacidades específicas de cada uma.É, precisamente para garantir, plenamente, esses direitos e essas obrigações que se impõe a exigência da autoridade do poder político, democraticamente eleito. E nesse sentido, compete a esse poder politico motivar e apoiar, tanto quanto lhe for possível, o espírito empreendedor, criativo e criador da iniciativa privada existente, mas sempre limitada. Por isso, compete – lhe, também, como responsável pelas finalidades da Economia, designadamente a constante garantia de uma situação de pleno emprego, bem como o máximo aproveitamento de todos os recursos naturais, ser o agente político,económico, financeiro e social,necessário, complementar das limitações da iniciativa privada, intervindo em quaisquer ramos da actividade, para além do domínio dos sectores estratégicos da Economia, para o referido efeito.

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