Mínimo histórico na poupança das famílias

O crescimento do PIB ao longo dos últimos trimestres tem sido largamente sustentado pelo dinamismo da procura interna na qual se inclui o consumo das famílias. Com a fração da riqueza gerada a chegar às famílias a cair em termos relativos face à remuneração do capital e o rendimento disponível praticamente estagnado no segundo trimestre de 2015, onde estão as famílias a encontrar recursos para sustentar este crescimento do consumo do qual a aquisição de automóveis é uma das escolhas mais exuberantes?

Há várias hipóteses que podem contribuir para esta explicação. Uma passa por alguma recuperação do emprego mas não é líquido que com o salário médio de novos contratos a ser particularmente baixo sejam estas famílias a explicar o referido dinamismo. Como o INE revela, o último trimestre conhecido, o rendimento disponível aumentou apenas 0,1%.

Outra hipótese passa pelo aumento do recurso ao crédito, em particular do crédito ao consumo. Esta hipótese parece ser mais consistente até porque as taxas de juro continuam em queda livre, muito à conta da política monetária do Banco Central Europeu que procura dinamizar a inflação que se arrasta por valores  próximos de zero, um pouco por toda a zona euro.

Uma outra hipótese que pode acumular com a anterior passa pelo esmagamento da poupança por parte das famílias. Ou seja, mais confiantes ou saturadas com a austeridade ou ainda com reais necessidades de repor bens duradouros indispensáveis para a vida do seu agregado familiar, cuja compra adiaram durante anos, as famílias estão a usar as suas poupanças para suportar o consumo.

Ora estes dados hoje divulgados pelo INE revelam que a taxa de poupança das famílias (5%) está no nível mais baixo desde que há registo (1999) o que é um forte indício de que esta hipótese é razoável e é também um sinal de alarme quanto à sustentabilidade do crescimento recente e sua manutenção futura.

Mais detalhes no sítio do INE.

Mínimo histórico na poupança das famílias

Fonte: INE

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