Se todos os países apostarem na descida salarial como se ganha competitividade?

A pergunta é provocatória não tanto pelo sentido mas pelo “todos os países”. Contudo, podemos amenizar esse radicalismo reformulando a questão: “Se um número de países suficientemente significativo na economia mundial apostar numa política de redução salarial em quanto se traduzirá o ganho de competitividade de cada um?”.

Um dos objetivos que fundamenta a contenção salarial será a possibilidade de, por essa via, o produto do trabalho poder ser vendido a preços mais económicos e com isso conseguir ganhar mercado ao vizinho com salários mais elevados. Ora se esta estratégia for predominante ou se os parceiros que se apercebam dessa prática resolverem reagir na mesma moeda o resultado final será catastrófico: os salários descem, as posições relativas em termos de quotas de mercado mantêm-se ou mudam muito pouco e o que tivemos foi apenas uma transferência de riqueza dos trabalhadores para os detentores do capital. Mas mesmo estes últimos poderão ter a “surpresa” de ver a procura encolher dado que, tipicamente, no mundo que conhecemos, os salários e o seu volume é determinante para assegurar o consumo que dinamiza a atividade económica. Se os salários mirram de forma continuada e sucessiva, o consumo diminui e a atividade económica pode entrar numa espiral destrutiva.

Mas estará o mundo a enfrentar um cenário em que estaremos numa corrida para o fundo patrocinada pela contenção salarial?

No artigo “The global race to the bottom in wages” do Think Tank inglês Policy Network (conotado com a esquerda moderada inglesa) faz-se uma análise sobre este problema a nível mundial explorando, entre outros, informação recentemente divulgada pela Organização Mundial do Trabalho. Naturalmente este é um tema que deve interessar particularmente à Zona Euro Europeia e a Portugal.

Literatura adicional:

ILO Global Wage Report-2012/13. Onaran, Ö. and Galanis, G., “Is aggregate demand wage-led or profit-led? National and global effects”, (ILO, 2012).

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