Poderá o crescimento ser um vício?

Segue opinião de um leigo que remete para uma questão clássica em economia. Devemos seguir em busca de patamares de equilibrio onde a estabilidade é um bem em si ou prosseguir numa busca permanentemente pelo crescimento infinito?

“A doença do crescimento tomou conta da economia há muitos anos mas só agora se lhe reconhece o carácter de catástrofe. A imprensa espanhola fala de uma crise abominável no sector automóvel – parece que se venderam menos 450 mil carros do que no ano anterior e o alarme soou, gravíssimo. Os economistas de serviço (uma espécie de astrólogos de segunda categoria) choram, temendo desemprego e recomendando subsídios para a indústria automóvel. Recomendo ao leitor que imagine um milhão de carros novos vendidos todos os anos em Espanha e veja se não é um exagero. A doutrina do crescimento infinito, grata aos economistas e políticos, é que nos levou à crise, de bolha em bolha, exigindo mais camas ocupadas nos hotéis, mais livros vendidos nos supermercados, mais máquinas de lavar vendidas nas lojas, com menos população, pedindo mais população para poderem ser cobrados mais impostos. A economia, como a deixaram os anos noventa, em crescimento infinito, precisa de mudar. O mundo precisa de viver de outra maneira. Com menos crescimento infinito. “

Francisco José Viegas in A Origem das Espécies.

4 Comentários

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  • CarlosResponder

    O olhar de um leigo muito clarividente. O capitalismo fez do crescimento contínuo uma pedra angular e por aí singrou até à modernidade. Os limites do crescimento e os seus efeitos também foram sendo considerados quando as teorias da racionalidade limitada impuseram o seu crivo.
    O grande problema do crescimento está numa questão tão cara à própria economia: o preço do crescimento! Foi por vezes demasiado e pondo em risco as suas bases (um paradoxo não e?!).
    Aliás, as teorias do crescimento sustentável sempre foram mais vistas para embelezar do que para levar a sério, mesmo quando todos os factos já apontavam inequivocamente em sentido contrário…

  • CarlosResponder

    o problema é que o sistema monetário que temos hoje me dia requer crescimento infinito. Enquanto não se reformar esse sistema vamos continuar prisioneiros do mesmo até que todos os recursos naturais se esgotem. Para mais informação sobre o assunto ver: http://www.chrismartenson.com – Crash Course.

  • OKMIN DA CONCEIÇÃO CAMBLÉResponder

    Boa tarde chamo-me Okimi Conceição
    sou de são Tomé e pretendo formar em Economia, será que poderão me ajudar?

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