NETPAY versus UNICRE (act.)

Durante quase 30 anos a Unicre foi a única instituição que emitiu cartões de pagamento em Portugal, nomeadamente os muito bem sucedidos cartões Multibanco, mas também cartões de crédito. Uma das explicações para a durabilidade deste monopólio estará na lista de accionistas da instituição: os principais bancos nacionais são donos da Unicre. Chegámos agora a um NETPAY versus UNICRE.

Durante muitos anos Portugal foi um dos – e não digo o porque não tenho a certeza absoluta – países com as mais altas comissões pagas ao emissor/gestor dos cartões de pagamento da União Europeia. Há apenas 5 anos por cada 100€ de compras feitas com cartão mais de 2€ iam directos para a Unicre.

Há poucos anos surgiu finalmente um concorrente, o Netpay, lançado, curiosamente, por um dos bancos que participa na Unicre (com uma pequena quota), o Banco Português de Negócios. Este serviço veio a oferecer uma opção de escolha aos comerciantes e hoje, juntamente com as pressões políticas que foram crescendo de tom (em jeito de ameaças de intervencionismo no mercado estabelecendo eventuais tectos para as comissões), serão os principais responsáveis por notícias como esta lida no Jornal de Negócios:

” (…) Os mais de 40 mil comerciantes clientes da Unicre vão pagar em média menos 10% em taxas pela utilização de dinheiro de plástico. Esta é a sétima descida consecutiva das taxas a pagar pela aceitação de pagamentos com cartões.

Os ganhos de eficiência que têm sido conseguidos pelos bancos emissores e pela própria Unicre – que no ano [que] passou reduziu os seus custos operativos em 11% – permitiram à empresa especializada na gestão e emissão de cartões de pagamento voltar a descer as taxas aos comerciantes.

As comissões pela aceitação de pagamentos com cartões aos mais de 40 mil comerciantes seus filiados desceram assim pela sétima vez consecutiva, estimando a Unicre que a taxa média em 2007 venha a situar-se abaixo dos 1,2%. (…)”

Infelizmente a Unicre não publica a tabela de preços por produto (os cartões de crédito têm uma comissão mais alta que os de débito) mas tendo por referência estes preços médios dados na notícias fui espreitar o preçário do Netpay. Vale o que vale (não sei se haverá descontos sobre a tabela) mas parece-me que o Netpay tem de facto puxado para baixo os preços da concorrência. E assim se dispensará muito provavelmente qualquer intervenção do Estado.

Adenda (31 de Maio 2007): por via de um comentário anónimo recebi indicação da localização do tarifário praticado pela Unicre (Abril 2007), fica aqui a ligação/informação.

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