Comércio Intracomunitário – Janeiro 2005 a Julho de 2006

Seguem-se algumas das curiosidades estatísticas prometidas como o Comércio Intracomunitário.

Atentemos à evolução das trocas comerciais com os nossos principais parceiros da União Europeia, baseando-nos nos dados disponibilizados até ao momento pelo INE.

No gráfico seguinte (prima aqui ou sobre a imagem para aumentar) sintetiza-se a situação registada ao longo dos últimos 19 meses, referindo-nos exclusivamente ao universo do comércio intracomunitário na componente de Exportações.

Comércio IntracomunitárioPode verificar-se que, descontando alguns eventuais efeitos da sazonalidade aqui não corrigida, algumas tendências surgem bem vincadas. Relativamente à Alemanha constata-se que, depois de em 2005 ter perdido relevância enquanto destino para as nossas exportações, tem vindo a recuperar importância durante o corrente ano, fixando-se em Julho num nível superior ao registado nos 18 meses anteriores. A confirmar-se a manutenção desta tendência, bem como a tendência de quebra sucessiva ao longo do período em análise em relação às exportações com destino à França, é plausível que antes do final do corrente ano a Alemanha volte a ser o segundo destino mais importante para as nossas exportações dentro da União Europeia.

Ainda que não tão fulgurante quanto nos meses anteriores, a Espanha lidera destacada a lista dos destinos preferidos para as nossas exportações.

Dito isto convém ter bem presente que se alargarmos o âmbito da análise além das fronteiras das União Europeia concluimos que o peso relativo das troca intracomunitárias tem vindo a perder relevo face às transacções extracomunitárias, representando estas últimas quase 1/4 do total (23,9% em Julho). Sublinhe-se a este propósito que o peso relativo destes dois blocos geográficos do comércio internacional praticamente estabilizou nos últimos quatro meses.

Nos próximos meses, com a redução de algum efeito de base relativo a algumas alterações conjunturais/estruturais (?) das nossas exportações e importações, e com os sinais contrários em termos de aceleração / desaceleração das Exportações e Importações (dependendo do âmbito geográfico que se considere), será particularmente interessante acompanhar qual a evolução espacial e qualitativa do nosso comércio internacional. Já para não falar do seu desempenho e relevância face à evolução do Produto Interno Bruto, naturalmente.

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4 Comentários

  • PLBGResponder

    E quanto a Portugal não temos nada para comentar nesta matéria?

  • adminResponder

    Teremos, além do que está implícito, afinal é das exportações portuguesas que se fala. A seu tempo, com ponderação. Os próximos meses serão particularmente instrutivos para tentar perceber o que é conjuntural e o que poderá ser estrutural. Recordo que há muito ruído no ar: petróleo (oscilação de preços e a novidade que é a sua relevância nas exportações de); autoeuropa (novo veículo); GM … Além do ruído político e de um certo afã jornalístico em captar novidades mais ou menos bombásticas.
    Obrigado pelo comentário, se quiser ser mais específico…

  • PLBGResponder

    PLBG são afinal as iniciais do nome do teu primo Pedro Luis Branco Gomes, vou mudar para Pedro Gomes, é mais pessoal.
    Antes de mais, estou orgulhoso por ti, Economista activo e “critico” a tudo o que se passa, não caindo na tentação do comodismo e banalização, Parabéns e um abraço.

    Agora gostaria também de dar um contributo para esta página, com um comentário fresquinho da minha área, aqui vai:

    A Sonaecom solicitou ontem à CMVM que confirme que a Sonaecom está obrigada a lançar a oferta com a contrapartida de apenas EUR9.41 por acção e não a contrapartida de EUR9.50 prevista no anúncio preliminar. Esta solicitação tem em conta que a decisão do lançamento da OPA pela Sonaecom sobre a PT se baseou no pressuposto de que não seriam aprovadas deliberações no sentido de distribuir bens ou reservas em excesso da distribuição de EUR38.5ct por acção, a título de dividendos relativos ao exercício de 2005, e na sequência da aprovação pela Assembleia Geral da PT de um dividendo de EUR47.5 por acção. Caso a CMVM assim não entenda, a Sonaecom solicita que a CMVM autorize a Sonaecom, caso assim venha a ser deliberado pelo seu Conselho de Administração, a lançar a oferta oferecendo uma contrapartida de EUR9.41 por acção e não EUR9.50.

    Na opinião do mercado, este pedido é uma forma adicional de a Sonaecom colocar pressão sobre o preço de PT. Parece que, caso se venha a verificar esta redução do preço proposto, que as probabilidades de sucesso da oferta serão mais reduzidas. Com efeito, ficaria surpreendido caso a Sonaecom obtivesse sucesso na OPA a EUR9.50 e mais ainda a EUR9.41. Finalmente, parece-me ser importante referir que esta opção de consolidação do mercado das telecomunicações criada pela Autoridade da Concorrência permite que a Sonaecom a PT se apropriem, com um valor de EUR1.5bn e que seja pouco provável que esta opção não venha a ser exercida pelos players em causa.

    Pedro Gomes

  • adminResponder

    Ora, ora! Bem me parecia que as iniciais não me eram estranhas! Obrigado, ainda me deixas encavacado.
    Vou passar a editar uma categoria com a opinião dos leitores. Que tal? Aproveito o teu comentário para a estreia.

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