Quanto custa em juros ter os “cofres cheios”?

O EconomiaInfo, novíssimo blogue de informação económica (mas com história anterior no e.nomia.info), dinamizado por alguns dos melhores jornalistas de economia que escrevem nos media portugueses e desenvolvido por alguns informáticos da nossa praça, foi fazer as contas e chegou a um número redondo, como resposta à pergunta: “Quanto custa em juros ter os “cofres cheios”?” E o resposta é €40 milhões por ano só em juros negativos pagos ao BCE para ter lá o dinheiro parado. Se a estes €40 milhões somarmos o juro que se pagou para pedir o dinheiro emprestado (o tal que depois fica parado no BCE) o custo anual sobe para cerca de €500 milhões/ano (assumindo um custo médio de metade do que hoje é pago pelo totalidade da dívida pública).

Não pretendemos neste artigo opinar sobre o tema, mas apenas destacar esta peça de informação que nos parece bem fundamentada pelo EconomiaInfo. Eis o o excerto fundamental do artigo “Pagar 40 milhões por ano ao BCE para ter os “cofres cheios”:

“(…) No final de Janeiro, os depósitos acumulados pelo Estado ascendiam a um valor próximo de 24 mil milhões de euros. As vantagens: ter dinheiro suficiente para poder evitar ter de emitir dívida a qualquer custo num momento de conjuntura difícil e transmitir uma maior sensação de segurança aos investidores que investem em dívida portuguesa.Economiainfo

Mas há um problema, que se faz sentir sob a forma de euros perdidos. É que nesta era de taxas de juro muito baixas, aqueles que mais depósitos têm sem os investir em algo com um pouco mais de risco, não retiram qualquer rendimento do dinheiro que têm.

Para o Estado português, que só tem estes depósitos porque se endivida — e ainda a uma taxa média próxima de 4% — isso é particularmente grave.

Se não vejamos: dos 24 mil milhões de euros de excedentes, cerca de montante 18,5 mil milhões são colocados no banco central, onde a taxa de depósitos oferecida é de -0,2%. Isto significa que, para além de pagar juros pelos empréstimos que pede para ter este excedente, o Estado português ainda paga juros pelos depósitos que tem de fazer com este excedente. Ao ano, mantendo-se um nível de depósitos como os actuais, serão qualquer coisa como 40 milhões de euros que o Estado paga ao BCE para este lhe guardar os cofres cheios.”

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