Quer spreads baixos? Então não vá a bancos portugueses

Há poucos dias o presidente da CGD repetia mais uma vez que os spreads do crédito iriam ter de subir, novamente. Neste artigo, “Banca portuguesa ameaça fechar torneira ao crédito” ,temos outra forma de pôr as coisas .

E, de facto, no espaço de poucos meses, o spread mínimo praticado na CGD para crédito à habitação quadruplicou. Em outros bancos “locais” com o BES, BCP ou BPI para citar apenas os de maior dimensão o cenário foi parecido. Mas quer isto dizer que é hoje impossível obter spreads inferiores a 1,25% para contratar um crédito à habitação?

Não, de todo! Por estes dias há muitas famílias que são mais credíveis do que alguns bancos e podem com alguma surpresa financiar-se a mais baixo custo do que os bancos nacionais. Como? Batendo à porta de bancos estrangeiros a operar em Portugal. Deutsch Bank, Caixa Galícia, BBVA são algumas das instituições que ainda têm praticado spreads abaixo do ponto percentual.

É certo que para se obterem spreads de 0,5% ou mesmo inferiores, a relação financiamento garantia não poderá ser superior a 50% e a avaliação de risco do cliente terá de reflectir uma baixa probabilidade de risco. Ou seja, quem pede, tem que ter capital de arranque elevado, comprovando capacidade de poupança, oferecendo um bom colateral ao banco (imune a algum precalço no imobiliário), devendo ter emprego estável, em sector robusto com pelo menos alguns anos de carreira consolidado.

Em bom rigor, os spreads subiram em todos os bancos pois há pouco tempo era possível obter spreads de 0,3% com uma avaliação de risco bem menos exigente, contudo, os spreads inferiores a 1%, tanto quanto sabemos, desapareceram da oferta da banca nacional, mesmo para as condições acima descritas, mas o mesmo não sucede com instituições financeiras como as referidas. O caso do Deutsch Banco (banco alemão) é paradigmático: não estão interessados em aforro (remuneram depósitos e afins a cerca de 0,1%) contudo estão interessados em investidores qualificados (ou perto disso) disponíveis para produtos complexos e, claro, estão muito interessados em emprestar dinheiro (o tal que não estão muito interessados em emprestar a outros bancos) para ganharem quota de mercado e recolherem directamente nos mercados com bancos estrangulados retorno da sua capacidade de emissão de moeda via juros.

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