Bilhetes de avião: qual o momento ideal para fazer a reserva mais barata

Qual o momento ideal para  momento ideal para fazer a reserva mais barata nos bilhetes de avião?

Há dias deparamo-nos com uma frase peculiar no twitter “Delete your browser cookies before you buy airline tickets. Ticket prices go up when you visit travel sites multiple times.” de €fact. Em português o significado será “Apague os cookies do seu navegador na internet antes de comprar bilhetes de avião. Os preços dos bilhetes sobem quando visita o mesmo sítio múltiplas vezes.”

Recordámo-nos de experiências pessoais, trocámos impressões com outros clientes frequentes de viagens aéreas e investigamos o que havia na internet sobre o tema da segmentação de preços.

Conclusões?

É inegável que a utilização de mecanismos de inteligência artificial no processamento da informação comercial das companhias de aviação está a atingir níveis elevados de sofisticação com impacto evidente na definição de preços. Este não é propriamente um fenómeno novo, inesperado ou sequer criticável. Acrescentar sofisticação não altera a natureza do negócio. A necessidade, a procura e a oferta continuam a ser as fontes geradoras de informação e as partes continuam como há milénios a procurar explorá-las em sua vantagem.

Mas será que os clientes perderam o comboio da tecnologia, será que as assimetrias de informação conhecida pelo operador e pelo cliente não está a desequilibrar demasiado os pratos da balança?

Talvez, mas os clientes também procuram contra-atacar estimulando reações constantes da parte dos operadores. O fenómeno é seguramente dinâmico.

E que reações pode o cliente ter?

Num artigo recente do Poupar Melhor evidenciam-se alguns sítios na internet que procuram fornecer informação útil aos passageiros para se defenderem das estratégica de definição de preços pelas companhias de aviação. Estes sítios procuram identificar padrões nos preços disponibilizados pelas companhias, acrescentando alguma inteligência e valor acrescentado a esse tratamento e assim, reequilibrando um pouco o jogo. Em termos gerais referem um padrão muito plausível: salvo promoções específicas, comprar com grande antecedência (a meses de distância) não é uma grande ideia e pior mesmo só comprar nos dias muito próximos da viagem, a menos que se trate de uma compra de última hora numa companhia que não seja low cost, altura em que se conseguem obter bons descontos. Contudo, como bem refere o autor do artigo, é muito provável que qualquer padrão enumerado publicamente seja negado pelos operadores e  que este padrão até que venha a ser intencionalmente destruído – pelo menos enquanto a atenção mediática for elevado – por forma a desincentivar os clientes a explorarem a revelação.

Num estudo recente citado no Poupar Melhor, que está a dar que falar no Reino Unido, o investigador Claudio Piga afirma que os preços da Ryanair têm um formato em U ao longo do tempo, descendo assim que o voo fica a apenas sete semanas de distância para subir de forma acentuada nos últimos dias de modo a sinalizar aos clientes que têm vantagem em comprar com antecedências e que nada ganharam em esperar até ao último minuto antes do voo para obterem descontos. Adicionalmente concluiu que os preços sobem cerca de 3% a cada novo bilhete vendido num dado voo. A Ryanair já desmentiu a exatidão desta análise garantindo que o único momento em que os preços sobem é durante o período seis meses anterior à partida do voo, altura em que os preços aumentam reagindo à venda progressiva das tarifas  de baixo custo e aproximando-se do preço final que se manterá enquanto houver lugares disponíveis.

Este investigador e alguns sítios que analisam o mercado (como o Cheapair, o Farecompare, o Airfarewatchdoge o Bing Travel) procuram aconselhar qual o dia ideia para comprar bilhetes com antecedência para alguns operadores com base no seu comportamento histórico. Alguns chegam a oferecer um serviço de alerta informando o cliente registado de quando um determinado voo que tinha em vista desce de preço. Se o inglês não é um obstáculo recomendamos a peça “The Best Time To Book A Plane Ticket, According To New Study” publicada em março de 2014 no Huffington Post. Em termos gerais, se o que se passa nos Estados Unidos pode fazer escola por cá, comprar os bilhetes a meio da semana será vantajoso, comprar na última quinzena antes do voo uma asneira e comprar pouco menos de dois meses antes do voo o momento ideal.

Uma parte da informação relevante para completar os modelos de fixação e segmentação de preços na internet é a informação relativa ao cliente. Os cookies (peças de software que registam o comportamento de um utilizador num sítio), a informação de perfil do utilizador, combinada com o histórico de compras, revelam muito mais do que se poderia supor e, analisados numa perspectiva de grandes números, submetida a exercícios mais ou menos complexos de análise de dados, informam o operador com dados preciosos para definir a política de preços adequada ao segmento do cliente e, no limite, ao utilizador individual. Ou seja, crescentemente, a política de definição de preço terá tantos segmentos quantos clientes diferentes.

Desligar os cookies de um navegador quando se pesquisam os preços pode ser uma forma de limitar o dispositivo de inteligência artificial sendo razoável admitir que, em alguns casos – na compra de viagens de avião, provavelmente – isso seja vantajoso para o cliente. Por exemplo, recebemos vários relatos consistentes de que quanto mais vezes um utilizador pesquisa combinações de voos num determinado conjunto de datas específicas, mais provável é que encontre preços mais elevados do que nos dias imediatamente anteriores ou posteriores. Naturalmente, isto estará condicionado a outros padrões concorrentes como os dias da semana ou as horas das viagens. Ou seja, em cima de um perfil tipificado, universal que ditará dias e horários de viagens mais caros e outros mais baratos associados à procura habitual e à época do ano, o interesse particular revelado pelo potencial cliente e registado pelos cookies pode criar um preço de viagem só para ele – mais caro.

Mas as dicas não acabam por aqui. Temos relatos de que além do cookie, os portais de vendas online seguem o tráfego e as pesquisas enviadas por um determinado IP (endereço de computador) mesmo quando os cookies estão desligados. O racional é ir aumentando o preço dos bilhetes à medida que o tempo de pesquisa no sítio aumenta.

Outra referência que é comum nesta compilação de mitos urbanos com provas dadas é o impacto que o próprio sistema operativo ou dispositivo através do qual se faz a pesquisa pode ter no preço que se encontra. Utilizadores de Mac ou clientes que façam pesquisa através de tablets, em particular com iOS podem ter uma surpresa se repetirem a mesma pesquisa num computador de secretária ou num portátil com Windows, Linux ou outro sistema.

Dicas adicionais:

Quando efetuar uma pesquisa exploratória teste datas que mimetizem o que lhe interessa mas não revele na primeira pesquisa as datas que mais lhe convêm.

Faça a pesquisa exploratória num computador mas faça a aquisição do bilhete posteriormente num outro, já conhecedor das condições prévias.

Em suma, há neste mercado – que se pode generalizar ao comércio online – um admirável mundo novo de pechinchas, regateios mas também margens elevadas e aproveitamento feroz de cada peça de informação. Em larga medida, o cliente está muito mais despido na internet do que numa transação fora dela. Reconhecer e adaptar-se às novas técnicas de regateio é fundamental. E você, tem algum truque que recomende?

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