Pobreza e riqueza

Dois destaques do INE de hoje, pobreza e “riqueza regional“, respectivamente:

“De acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) realizado em 2007, incidindo sobre rendimentos de 2006, a população residente em situação de risco de pobreza era de 18%, mantendo-se ao nível do valor estimado para o ano anterior. O impacto das transferências sociais (excluindo pensões) na redução da taxa de risco de pobreza foi de 6 pontos percentuais.
De acordo com o mesmo inquérito, o rendimento dos 20% da população com maior rendimento era 6,5 vezes o rendimento dos 20% da população com menor rendimento, observando-se uma ligeira redução face ao valor de 6,8 estimado no ano anterior. Verifica-se igualmente uma redução no Coeficiente de Gini de 38% para 37%.”

e

“Em 2006 e 2007, apenas a região de Lisboa superou a média europeia do PIB per capita avaliado em Paridades de Poder de Compra. No último ano, o PIB per capita das regiões Norte, Centro, Região Autónoma dos Açores, Alentejo, Algarve, Região Autónoma da Madeira e Lisboa correspondiam, respectivamente, a 61%, 65%, 68%, 73%, 80%, 97% e 106% da média da União Europeia (UE27), quando a nível nacional representava 76% desse valor.”

2 comentários

  1. “Estamos de facto em presença de uma verdadeira epidemia financeira que atinge vários países ou praças, com extensão e intensidade diferentes, como salta à vista do mais comum dos mortais.”
    Mais umas praças do que outras. Mais a América do Tio Sam do que a Europa. Mais os anglo-saxónicos do que os que não perfilham semelhantes doutrinas, e, assim, mais a Europa do Norte do que a do Sul. E há razões concretas que explicam isso: essencialmente a cultura regulatória adoptada, ou seja, a preferência pela auto-regulação contra a regulação administrativa. Trata-se também, no plano prático e individual, do deslumbramento provocado pela luxúria para que os media apelam: o sucesso no cinema, nas novelas, no futebol, no ténis, no golfe, na Fórmula 1 e fundamentalmente, nas empresas que evidenciam os mais ricos do país e do mundo, a excentricidade exaltada e venerada. O gosto pelo crescimento sem limites, quer seja o das famílias quer seja o das empresas. O limite… um inconsciente e não recomendável o inventou; e há quem, mediocremente, goste de repetir o slogan: o limite é o céu! Quem o apregoa, no seu fraco entender, julga que respeita Deus… não! Nega o bom senso e o respeito devido aos seus semelhantes. É um apelo ao espezinhar o vizinho, o companheiro, o colega, um incentivo à violência, ao vale tudo, e tudo sem limites. No início, eram as famílias as proprietárias das empresas. Depois foi a sofisticação e o mercado em bolsa conduziu à profissionalização, à competência, ao conhecimento. E a tecnologia evolui e o mundo abateu as barreiras económicas, financeiras e geográficas que afastavam as civilizações. E caiu o muro de Berlim. Mas como o limite para o crescimento era o céu, o que quer dizer não sem limites – ainda ninguém disse onde fica o céu – os gestores profissionais rapidamente tornaram-se proprietários, beneficiários dos seus honorários e de prémios pela valorização em bolsa das acções das empresas que administravam. A criatividade financeira explodiu. Tudo o que fosse fazer subir o preço em bolsa dos títulos valia para os accionistas sem responsabilidade na gestão, até para ao pequenos accionistas que valorizavam as suas pequenas poupanças, e, decisivamente, para os gestores com prémios associados e opções sobre o capital que se valorizavam. Todos ganhavam. Um mundo económico perfeito, mas insustentável. Um destes dias, o castelo, na verdade de cartas, que tantos cérebros, intuitivos e académicos erigiram e contemplavam, desmoronou-se:
    A “mão invisível”, afinal, não era mão, nada corrigiu, revelou-se ser apenas uma contrafacção. A auto-regulação, simplesmente uma miragem. O orçamento do Estado, uma vez mais: a salvação. Eis uma mão visível. Não vale a pena para a compreendermos a actual crise compará-la com outras crises passadas. Nenhuma crise é igual a outra: nem quanto às causas que lhe dão origem nem quanto ao ambiente, ou hospedeiro, em que se desenvolvem, nem quanto aos efeitos que produzem. Por isso, os remédios têm de ser diferentes. O actual paliativo, injecção de liquidez no mercado, é necessário e indispensável, mas, obviamente, não é a solução. No entanto, a recusa em aplicá-lo levará inexoravelmente à catástrofe económica, e nenhum remédio surtirá efeito, pela simples razão de que o corpo a que se destina já não tem vida. Porventura, vamos ter também que passar por um feriado concedido às bolsas de valores, podendo ser mais longo do que a normal “ponte” aproveitada pelos trabalhadores em dias úteis que se intrometem entres feriados e o fim-de-semana. A necessidade de uma organização internacional de concertação ou regulação dos mercados financeiros e das matérias-primas é já evidente. Precisa-se nesse dom ínio de uma mão visível.

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    Um Abraço

  2. Mais um comentário a “Pobreza e riqueza”.

    Foi-nos ensinado que a polarização do rendimento gera desigualdade, para muitos, uma autêntica filha bastarda da pobreza, mas para poucos, uma filha legítima da riqueza. Sabêmo-lo, mas pouco fizemos para evitar o aumento do abastradamento, preferindo preocuparmo-nos com os poucos legítimos. Uma família de favores e facções, maos do que de uniões e consensos, pese embora uma ou outra tensão. É esta a foto de família da pobreza vs riqueza, em Portugal e mais outros tantos países no mundo, que preferem a dissenção à união “familiar”.

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