Não ter filhos condiciona crescimento económico?
Comparar economia distintas, nomedamente quando temos perfis demográficos radicalmente diferentes, num caso envelhecimento acelerado, noutros ainda um forte crescimento populacional, é o mesmo que comparar alhos com bugalhos. Olhar para as tendências demográficas é assim determinante para prever a evolução futura mas deverá sê-lo essencialmente para a projectar no sentido de agir, adaptar.
Temos muitos desafios pela frente à conta do envelhecimento (em particular por este ameaçar ser acelerado). A Europa e o Japão estão a ser os primeiros a enfrentá-los, mas outros se lhe juntarão paulatinamente à medida que o momentum demográfico se reduzir e as taxas de natalidade recuarem (na China e na América Latina, por exemplo). Via Direito & Economia chegámos a uma peça recente sobre este assunto no The Wall Street Journal (em inglês) que recomendamos: “The Demographics Driving Nations’ Wealth“. Um excerto:
“Demography is not destiny. In 1300, China was bigger than Europe and had the world’s most sophisticated technology. But China blew it. By 1850, its population was 65% larger than Europe’s, but—thanks to the Industrial Revolution—Europeans were far richer.
Yet demography does matter. “We never pay enough attention to demography because it’s so long term,” says Dominique Strauss-Kahn, head of the International Monetary Fund. So turn for a moment from angst about the disappointing pace of the economic recovery and daunting government budget deficits, and look over the horizon. (…)”
Mortos superam nascimentos: população cresce à custa dos imigrantes (act.)
O INE acaba de divulgar as estimativas para a população residente relativas a 2009, dando informação com o detalhe máximo ao nível concelhio. Esta a informação mais desagragada fornecida no período intercensitário que, recorde-se terminarã com o próximo censos a realizar daqui a menos de um ano. Segundoa estimativa agora divulgada o saldo entre mortes e nascimentos foi negativo em cerca de 5 mil individuos.
A população residente terá crescido marginalmente cerca de 10 mil individuos fixando-se nos 10 637 713, à conta de um reforço da imigração, mas note-se que os dados sobre migrações são significativamente menos fiáveis do que os relativos a nascimentos e mortos pelo que não é sequer seguro que a população tenha de facto aumentado.
A população portuguesa em 2008
O INE acaba de divulgar as Estatísticas Demográficas relativas a 2008 no seu portal. Eis alguns números:
- Em 2008 eramos 10 627 250 residentes.
- Nasceram e morreram cerca de 104 mil indivíduos.
- A “taxa de cobertura” de casamentos pelos divórcios foi de 61,5% tendo-se celebrado pouco mais de 43 mil casamentos civis.
- O INE estima que a população estrangeira seja de 4,2% da população total.
- A taxa de mortalidade infantil continua a ser das mais baixas do Mundo (morrem 3,3 crianças com menos de um ano por cada mil que nascem).
- A esperança média de vida à nascença continua a aumentar e a idade média da mulher ao primeiro filho e a idade média de mulher ao nascimento de um filho continuam a aumentar (28,4 e 30,2 anos respectivamente).
- Em cada 100 nascimentos verificou-se que em cerca de 12 um dos país é estrangeiro.
- Para cada 100 jovens há 115 idosos em Portugal.
