Obrigações da dívida pública para particulares – novidade em breve?
Com os certificados de aforro a definharem por falta de atratibilidade e com o próprio Governo a não acreditar que haja um aumento líquido de aforro colocado pelos particulares através deste produto ao longo do corrente ano (apostamos mais na continuação do progressivo caminho para a extinção deste produto se nada mudar), eis que poderemos estar na eminência de se abrir a porta de acesso direta à dívida pública por parte de particulares através de uma emissão de Obrigações da Dívida Pública: “Estado vai emitir Obrigações de dívida pública para particulares“.
Quando e se se vier a concretizar este instrumento de captação de poupança contamos dar notícia detalhada neste espaço. Olhando para o histórico em arquivo percebemos que a poupança e o aforro, são assuntos muito cá de casa.
Certificados de aforro a forma mais barata de financiamento do Estado?
A ler “Fuga dos certificados de aforro vai estancar em 2010” por Susana Domingos no Jornal de Negócios, num tema que é muito cá de casa. Um excerto:
” (…) O Secretário do Tesouro Carlos Costa Pina apresentava em 2008 como argumento para a alteração das regras dos certificados de aforro, o facto de se tratar do meio de financiamento da dívida do Estado mais caro. No entanto, com a queda das taxas de juro entretanto observada (e que actualmente está bem abaixo de 1%) e com o aumento da yield das obrigações do Tesouro e Bilhetes do Tesouro os certificados de aforro podem, na realidade, ter-se tornado na forma mais barata de financiamento do Estado. “
Era uma vez um Certificado de Aforro
Há muito muito tempo, num país pequinino havia um instrumento de poupança chamado certificado de aforro… Qualquer dia é assim que se pode contar esta história. Sem surpresa, num ano (2009) em que a taxa de poupança subiu de forma muito expressiva no país, os certificados de aforro, ou melhor o Estado, perdeu 326 milhões de euros, feitas as contas entre novos subscritores e resgates neste tipo de poupança.
Este tema é quase tão antigo quanto o Economia & Finanças, e já em Novembro de 2006 (veja “Avizinha-se o fim dos Certificados de Aforro? (actualizado)“), quando se começou a falar numa alteração drástica dos certificados de aforro notávamos algumas incoerências no discurso:
“(…) Segundo cita hoje o Diário de Notícias (notícia não disponível on-line) o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças afirma que os Certificados de Aforro não passam de uma forma de subsidiação da poupança pelo Estado. Esta afirmação levanta-me uma dúvida: como perceber que ao mesmo tempo que se afirma isto dos certificados se tenha reintroduzido os benefícios fiscais nos Planos Poupança Reformado? (…)” Leia mais
A longa agonia dos certificados de aforro
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Política Económica
Temos acompanhado a novela dos certificados de aforro por aqui ao longo dos últimos anos. Há uns meses contudo que deixou de ser notícia no Economia & Finanças, afinal tudo isto é triste (saídas líquidas de capital atingem os 51 milhões de euros em Setembro), tudo isto existe (depósitos com remunerações que mais que duplicam o retorno dos certificados), tudo isto é fado.
Por estes dias, as instituições financeiras vão compondo o ramalhete de oferta dos depósitos a prazo com bonificações sobre a taxa de referência de mercado enquanto os certificados se mantêm agarrados a uma inflexibilidade trágica porque desenhada num patamar pouco competitivo, isto depois de um período de turbulência lesivo da confiança neles depositadas.
Saberá o Estado o que faz? Será inteligente desprezar esta forma de financiamento da dívida pública? Ou o objectivo era aceitar a progressiva erosão da base de aforradores enquanto, de caminho, se vendia gato por lebre, oferecendo uma remuneração bem abaixo da paga em empréstimos e outras opções de titularização da dívida do Estado?
Não sendo irrelevante para o contribuite eleitor, esta questão deve interessar pouco ao pequeno aforrador. O medo de depositar economias num produto inequivocamente conservador e seguro como um depósito a prazo já lá vai e a perspectiva de assegurar nos primeiros anos um retorno muito superior, nalgumas situações mais de duplo face aos certificados, deixam pouca margem para dúvidas quanto à opção a seguir para maximizar o retorno do capital com baixo risco.
Que descansem em paz, certificados da série C e… bons negócios.
Certificados de Aforro em vias de extinção
A acreditar nesta peça do Diário Económico “Certificados de aforro perdem 74 investidores por dia” estamos a assistir inexoravelmente ao desaparecimento dos Certificados de Aforro.
Comprar dívida pública com um mínimo de interesse parece ser coisa vedada aos particulares, só com intermediários pelo meio, como muito bem lembrava ontem João Duque, no mesmo jornal, a propósito da impossibilidade de particulares comprarem directamente Obrigações do Tesouro ao Estado.
Taxa de juro e rendimento dos Certificados de Aforro – Séries A, B e C
Desta vez é o Diário Económico que oferece mais um mimo para quem precisa de ajuda a calcular o rendimento das suas aplicações. Nesta página está disponível uma calculadora ou simulador para as rentabilidades dos certificados de aforro, já considerando as actualizações recentes aqui referidas recentemente em “Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro“.
Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Pobreza / Riqueza, Política Económica
O experimentalismo num instrumento de captação de poupança de longo prazo continua, desta vez respondendo ao status quo que aqui apresentámos há dois dias em “Certificados de Aforro com taxa líquida abaixo da inflação esperada“, e que era claramente desfavorável e desmotivador para aplicar dinheiro neste produto. Hoje, o Governo recua face à alteração efectuada há cerca de 13 meses (ver “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse) – actualizado“) e volta a colocar os Certificados de Aforro no mercado das opções interessante. Eis as alterações conhecidas:
À cabeça as novas subscrições sobem 0,5 pontos percentuais. Ou seja, a taxa de juro aplicável continua a ser de
0,85*E3-0,25 mas agora adicionada de 0,5 ficando:
0,85*E3+0,25
em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal (Fonte: IGCP)
Por outro lado, o prémio de fidelidade ou de permanência é reforçado em 0,25 pontos percentuais do 2º ao 8º ano de antiguidade.
Os novos prémios brutos serão assim de (pontos percentuais):
0,50, no 2.º ano
0,75, no 3.º ano
1, do 4.º ao 7.º ano
1,25, no 8.º ano
1,5, no 9.º ano
2,5, no 10.º ano
Finalmente, o montante máximo de subscrição sobe de 100.000€ para 250.000€ (Fonte: Jornal de Negócios). Ou seja, tudo o que foi dito no ano passado, todo o processo de diabolização dos Certificados de Aforro enquanto aplicações para ricos foi enfiado na gaveta, ao ponto de agora mais do que se duplicar o limite máximo de subscrição para cada pessoa sob o bizarro pretexto de se estar a responder à subida do montante garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos que, como sabemos subiu de 25000€ para 100000€ há alguns meses.
As mudanças parecem ir no bom sentido e creio que defendem o melhor interesse do Estado, perdeu-se foi uma boa oportunidade para ficar quieto há cerca de um ano. Entre o que então se fez e o que agora de emendou tivemos duas alterações que por si só não abonam nada em favor de uma das características e vantagens históricas desta forma de captação de poupança e de financiamento da dívida pública que é, precisamente, a sua estabilidade contratual e, consequentemente, a sua simplicidade e maior apelo a todo o tipo de aforradores independentemente do respectivo grau de instrução. Será que daqui a 12 meses tudo mudará de novo? E será que voltaremos a ter efeitos retroactivos sobre o que foi contratualizado conforme sucedeu há um ano? Algum dia as taxas hoje prometidas para quem faça hoje o aforro e o mantenha durante 10 anos serão efectivamente pagas?
Esperemos que a volatilidade normativa volte a estabilizar, mas a dúvida é legítima. Nem sempre uma emenda consegue corrigir inteiramente um erro.
Estas alterações entram em vigor para subscrições iniciadas em 1 de Março de 2009 e serão aplicadas aos restantes certificados da série C no momento da actualização das respectivas taxas. A taxa de juro aplicável às subscrições feitas em Março será de 1,874%.
ADENDA: Como remedeio adicional o Governo veio anunciar que a remuneração dos Certificados da Série C “não poderá ser alterada num sentido desfavorável ao aforrador“. Muito bem, sucede que essa era já a expectativa dos investidores da série A e B, expectativa que veio a sair gorada. As condições da série A e B não sofrem alteração com esta mudança.
Certificados de Aforro com taxa líquida abaixo da inflação esperada
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Pobreza / Riqueza, Política Económica
ADENDA: As condições dos Certificados de Aforro mudaram a 1 de Março de 2009, leia aqui o que mudou: “Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro“
Já há largos meses que não refiro por aqui os certificados de aforro (provavelmente desde que os passei a achar amáveis mas sem interesse nenhum).
Em Março, assinalo contudo o marco “histórico” de passarem a remunerar abaixo da taxa de inflação esperada para 2009. Com uma taxa de juro líquida para o trimestre começado em Março de 1,099%, só num cenário de fortíssima contração de preços (que não é impossível), aforrar em certificados garantirá conseguir comprar no final do ano o mesmo que se conseguia comprar quando se lá colocou o dinheiro.
Um depósito a prazo no Banco Popular, no Banif e na generalidade dos bancos a actuar em Portugal será sempre mais interessante do que ajudar a sustentar directamente a dívida pública. Continuo sem perceber a racionalidade do tratamento que o actual governo votou a este instrumento. Um instrumento de captação de poupança para o Estado que este Governo chegou a apelidar de ser para ricos. Não consigo acreditar que seja inviável desenhar certificados de aforro altamente concorrenciais no mercado sem que com isso o Estado esteja a subsidiar os micro aforradores- uma das justificações para a mudança que ocorreu nos certificados há alguns meses. Entre o que havia antes e o que temos hoje é uma enorme diferença, pelo meio muito se poderia fazer certamente.
Entretanto, as instituições financeiras agradecem e o contribuinte lá pagará a devida factura em devido tempo.
Olha ali um certificado de aforro! Fujam!
Tio Manel e Tia Maria, eu sei que não me estão a ler mas aqui fica uma notícia nada surpreendente “Certificados de aforro com fuga recorde“.
Ainda a mentira do Governo sobre os Certificados de Aforro (act.II)
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Legislação, Política Económica
1) Para o secretário de estado Carlos Costa Pina um pequeno investidor é alguém que tem até 1000€ nos certificados de aforro.
2) Para o secretário de estado Carlos Costa Pina os certificados de aforro continua a ser a aplicação mais atractiva sem risco.
Um comentário:
Quanto à primeira afirmação, palavras para quê?
Quanto à segunda, o secretário de estado fala de uma taxa média ao longo dos 10 anos de 4,5% sendo que só se obtem este rendimento se a poupança se mantiver por 10 anos. Ou seja, sem poder haver mobilização, o que tem um custo muito superior ao que encontramos, por exemplo, num depósito a prazo mais curto. Por falar em depósitos, conhecerá o senhor Secretário de Estado oferta de taxas de juro de depósitos a prazo do Banco Português de Negócios? E do Banco Popular? Já espreitou as do Banco Best? E refiro-me exclusivamente a depósitos não promocionais, naturalmente. Estas instituições terão muito gosto em “subsidiar” os seus clientes.
A mentira descarada já não rende tanto quanto no passado, mas os políticos acham que ainda vale a pena. Mais honestidade. Um investidor estrangeiro que empreste ao Estado dinheiro por via da compra de títulos também paga ao estado 20% sobre os juros?
Nos próximos dias apresentarei aqui de forma mais sistematizada as aplicações alternativas sem risco com melhor oferta face aos certificados. Infelizmente são tantas que levará algum tempo.
O que mais me desgosta é saber que haverá milhares de aforradores, habituados desde sempre a pôr dinheiro nos Certificados de Aforro e pouco propensos a gerir activamente as suas poupanças (até por ignorância) que serão progressivamente penalizados, ficando a financiar o Estado a desconto face qualquer tubarão das finanças que compre títulos do tesouro. Seria mais honesto acabar com os Certificados de Aforro de forma imediata. Modestamente tentaremos aqui alertar para essa situação. Avise os seus familiares menos conhecedores, é a dica que deixo.
Mais informação sobre as alterações aqui: “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse) – actualizado“.



