Simulador para os Certificados do Tesouro e Certificados de Aforro – use com cautela (act.)
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ACTUALIZAÇÃO (30 de Junho de 2010): Preparamos um Simulador dos Certificados do Tesouro (Excel) da nossa própria humilde lavra. Quando o simulador oficial do IGCP estiver disponível daremos dele notícia.
Na corrida pelo primeiro simulador desta vez parece ter sido o Diário Económico a chegar-se à frente (ei-lo aqui). Acaba de disponiblizar uma ferramenta simples que permite comparar os certificados do tesouro (CT) com os certificados de aforro (CA) ainda que apresente falhas e erros provavelmente justificados pela rapidez com que foi desenvolvida.
Desde logo assume-se que a taxa de retenção na fonte de IRS será de 20% quando, como sabemos, esta passará dentro de escassos dias para os 21,5%. Quanto aos CT, caso sejam detidos durante menos de 5 anos, não é totalmente claro qual das duas taxas previstas no diploma será adoptada (provavelmente a menor das duas entre a euribor a 12 meses ou a dos bilhetes do tesouro e em que circunstâncias. Se bem entendemos, o Diário Económico simplificou e assume que será a euribor a 12 meses. Caso esta aposta não esteja correcta o simulador dará, naturalmente, resultados ligeiramente diferentes. Para já, trata-se de uma hipótese tão legítima quanto qualquer outra mas recomenda-se ao leitor que interprete os resultados com cautela.
Certificados do Tesouro: Novo produto de poupança para famílias a partir de Julho (act.II)
Foi hoje publicado em Diário da República a resolução do Conselho de Ministros n.º 40/2010 que define o enquadramento e as características do Certificados do Tesouro (CT), um instrumento de dívida pública agora criado que permite aos particulares colocar poupança de longo prazo neste produto do Estado.
Há já alguns meses que este produto havia sido anunciado (ver aqui “Certificados do tesouro à venda para particulares em Julho (act.)“) agora clarificam-se algumas das suas características. Do que lemos parece-nos uma proposta que poderá ser interessante a longo prazo (ainda não apurámos se será mais interessante que um Certificado de Aforro da série C para 10 anos de investimento). Para prazos inferiores a 5 anos, remunera por referência aos Bilhetes do Tesouro ou à Euribor a 12 meses (hoje a taxa foi de 1,271%). Neste caso, na actual conjuntura, é menos interessante que muitos depósitos bancários a 1, 2, 3 ou 4 anos. Em todo o caso, para quem queira investir a 1, 2 ou 3 anos, aceitando não poder mexer no dinheiro durante pelo menos 1 ano, será seguramente um produto mais interessante que os Certificados de Aforro da série C. Mas eis alguns destaques do conteúdo da Resolução:
- Estarão disponíveis a partir de 1 de Julho (junto do IGCP, e provavelmente dos CTT, à semelhança dos Certificados de Aforro);
- A subscrição mínima é de 1000€ e a máxima de 1 milhão de Euros;
- Prazo da aplicação de 10 anos;
- O investimento fica imobilizado durante 6 meses podendo ser resgatado depois disso;
- Haverá pagamento de juros anual, perdendo-se os juros entre o momento do resgate e o último vencimento de juros (isto caso o resgate se faça em data diferente da do vencimento de juros);
Certificados de Aforro – Persistir no erro
Eis um excerto de um artigo de Nicolau Santos publicado recentemente no Expresso, sobre um tema bastas vezes analisado ao longo dos últimos anos no Economia & Finanças:
“Pina e os certificados de aforro
Carlos Pina, secretário de Estado do Tesouro, defende, em artigo de opinião publicado na semana passada no Expresso, a sua opção de reduzir a remuneração dos Certificados de Aforro (CA), Série B. Além de alguns comentários infelizes, como ligar os CA a Salazar e o investimento nos ditos aos ricos, Pina insiste na legalidade daquela alteração. Contudo, nem tudo o que é legal é ético ou justo. E se o Estado celebra um contrato a dez anos com os aforradores não deve, como é óbvio, alterar as condições a meio desse prazo e a seu favor. Foi isso que o Governo fez – e mal. Pina tenta em seguida provar que os CA são uma forma de financiamento do Estado mais onerosa do que os Bilhetes do Tesouro a três meses. Faz mal, de novo. Não se pode comparar um instrumento de médio prazo com um de curto prazo. A boa comparação é com as Obrigações do Tesouro a médio prazo. E aí a vantagem volta a ser dos CA. Em resumo, a razão que Pina tem é pouca e não vale nada perante o êxodo em massa dos aforradores dos CA.”
Nicolau Santos in Expresso.
Obrigações da dívida pública para particulares – novidade em breve?
Com os certificados de aforro a definharem por falta de atratibilidade e com o próprio Governo a não acreditar que haja um aumento líquido de aforro colocado pelos particulares através deste produto ao longo do corrente ano (apostamos mais na continuação do progressivo caminho para a extinção deste produto se nada mudar), eis que poderemos estar na eminência de se abrir a porta de acesso direta à dívida pública por parte de particulares através de uma emissão de Obrigações da Dívida Pública: “Estado vai emitir Obrigações de dívida pública para particulares“.
Quando e se se vier a concretizar este instrumento de captação de poupança contamos dar notícia detalhada neste espaço. Olhando para o histórico em arquivo percebemos que a poupança e o aforro, são assuntos muito cá de casa.
Certificados de aforro a forma mais barata de financiamento do Estado?
A ler “Fuga dos certificados de aforro vai estancar em 2010” por Susana Domingos no Jornal de Negócios, num tema que é muito cá de casa. Um excerto:
” (…) O Secretário do Tesouro Carlos Costa Pina apresentava em 2008 como argumento para a alteração das regras dos certificados de aforro, o facto de se tratar do meio de financiamento da dívida do Estado mais caro. No entanto, com a queda das taxas de juro entretanto observada (e que actualmente está bem abaixo de 1%) e com o aumento da yield das obrigações do Tesouro e Bilhetes do Tesouro os certificados de aforro podem, na realidade, ter-se tornado na forma mais barata de financiamento do Estado. “
Era uma vez um Certificado de Aforro
Há muito muito tempo, num país pequinino havia um instrumento de poupança chamado certificado de aforro… Qualquer dia é assim que se pode contar esta história. Sem surpresa, num ano (2009) em que a taxa de poupança subiu de forma muito expressiva no país, os certificados de aforro, ou melhor o Estado, perdeu 326 milhões de euros, feitas as contas entre novos subscritores e resgates neste tipo de poupança.
Este tema é quase tão antigo quanto o Economia & Finanças, e já em Novembro de 2006 (veja “Avizinha-se o fim dos Certificados de Aforro? (actualizado)“), quando se começou a falar numa alteração drástica dos certificados de aforro notávamos algumas incoerências no discurso:
“(…) Segundo cita hoje o Diário de Notícias (notícia não disponível on-line) o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças afirma que os Certificados de Aforro não passam de uma forma de subsidiação da poupança pelo Estado. Esta afirmação levanta-me uma dúvida: como perceber que ao mesmo tempo que se afirma isto dos certificados se tenha reintroduzido os benefícios fiscais nos Planos Poupança Reformado? (…)” Leia mais
A longa agonia dos certificados de aforro
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Temos acompanhado a novela dos certificados de aforro por aqui ao longo dos últimos anos. Há uns meses contudo que deixou de ser notícia no Economia & Finanças, afinal tudo isto é triste (saídas líquidas de capital atingem os 51 milhões de euros em Setembro), tudo isto existe (depósitos com remunerações que mais que duplicam o retorno dos certificados), tudo isto é fado.
Por estes dias, as instituições financeiras vão compondo o ramalhete de oferta dos depósitos a prazo com bonificações sobre a taxa de referência de mercado enquanto os certificados se mantêm agarrados a uma inflexibilidade trágica porque desenhada num patamar pouco competitivo, isto depois de um período de turbulência lesivo da confiança neles depositadas.
Saberá o Estado o que faz? Será inteligente desprezar esta forma de financiamento da dívida pública? Ou o objectivo era aceitar a progressiva erosão da base de aforradores enquanto, de caminho, se vendia gato por lebre, oferecendo uma remuneração bem abaixo da paga em empréstimos e outras opções de titularização da dívida do Estado?
Não sendo irrelevante para o contribuite eleitor, esta questão deve interessar pouco ao pequeno aforrador. O medo de depositar economias num produto inequivocamente conservador e seguro como um depósito a prazo já lá vai e a perspectiva de assegurar nos primeiros anos um retorno muito superior, nalgumas situações mais de duplo face aos certificados, deixam pouca margem para dúvidas quanto à opção a seguir para maximizar o retorno do capital com baixo risco.
Que descansem em paz, certificados da série C e… bons negócios.
