Já experimentou lançar o “car sharing” na sua empresa?

31/03/2009 por RCB · 6 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Recursos Humanos, Software 

car sharing é uma expressão inglesa que designa à letra “partilhando o carro” e é uma prática que vai fazendo escola em meio urbano em várias cidades espalhadas pelo mundo. Trata-se de uma iniciativa inspirada pela partilha e economia de recursos particularmente interessante para quem tem de efectuar viagens pendulares regulares e o faz em transporte particular sub-lotado, muitas vezes ocupado apenas pelo condutor.

EngarrafamentoMas você está disposto a dar ou receber boleia de um perfeito desconhecido? É aqui que entram os dispositivos de intermediação centrados em redes sociais. A Galp Energia numa inteligente jogada de marketing lançou uma plataforma (a energia positiva) que pretende oferecer os instrumentos indispensáveis para acertar oferta e procura e, de uma forma que me parece para já algo singela, diferenciar a dita oferta e produra com um esquema de classificação de participantes entre amigos e desconhecidos. Para começo de conversa a iniciativa parece-me meritória e provavelmente evoluirá para processos mais sofisticados de acreditação em que à medida em que cada um fôr usando e disponibilizando serviços poderá ser qualificado positiva ou negativamente pelos pares ganhando assim crédito que reforçará de alguma forma a segurança entre desconhecidos.

Tendo trabalhado em grandes empresas e estando correntemente numa instituição que caminha a passos largos para os 200 colaboradores ocorreu-me que este tipo de iniciativa de car sharing poderia ganhar em começar pelas “bases”. As associações de trabalhadores, grupos desportivos e demais associações que existem a muitas empresas poderiam ter um papel decisivo para, por um lado, difundir esta ideia e acertar ao nível micro um mecanismo de partilha e, por outro, numa fase seguinte proceder a contactos com congeneres de empresas vizinahs de modo a criar nucleos locais de acreditação de pessoas de moda a reduzirem o factor risco e simultaneamenteaumentarem a probabilidade de ajustamento entre procura e oferta. Criados estes grupos qualquer plataforma mais genérica poderia ser também utilizada seja ela da Galp Energia ou qualquer outra que venha a ser criada. Fica a dica. Em todo o caso, desconfio que no curto / médio prazo e a bem da nossa saúde física e financeira teremos discriminação de tráfego de acordo com a taxa de ocupação dos veículos pelo que este tipo de iniciativas poderão ajudar algumas pessoas a mudarem com ganho alguns hábitos de vida.

P.S.: E o Mob Sharing da Carris já conhece?

iPhone e iEstrategia

01/07/2007 por Antnio Dias · 7 comentários
Arquivado em: Consumo e Produtos, Software 
Desde a sua fundação que a Apple tem vindo a influenciar significativamente a indústria dos computadores pessoais, primeiro, e mais recentemente a indústria musical. Terá chegado a vez de o iPhone revolucionar a indústria das chamadas móveis?

Na slate argumenta-se que não, ainda não. Afinal de contas a Apple está nisto com a velha e nada simpática AT&T, os clientes são por ora forçados a um contracto de dois anos com a empresa e o iPhone coloca diversas outras restrições ao uso do telemóvel. Algo normal atendendo às políticas restritivas dos operadores para evitar perda de receitas, mas que seria de esperar que a Apple contornasse, ou não fosse o iPhone também um mini-computador.

É a longo prazo que a estratégia da Apple poderá ser revolucionária:

1. Escolha de uma indústria cujos mecanismos de mercado são extremamente ineficientes.
2. Alteração do equilíbrio no ecossistema com um produto que os consumidores desejam.
3. Alterando desta forma o equilíbrio de forças em favor do iPhone e da apple.
4. Usar o novo poder no mercado para redesenhar nova cadeia de valor, mais eficiente.

Foi esta a estratégia da apple com o iPod. Tal como o autor nota, nenhum operador aceitaria submeter-se aos ditames do iPhone se este pusesse directamente em causa o seu modelo de negócios. O iPhone foi até recusado por outros operadores, antes de a At&T aceitar vender o produto. Porém, uma vez aberta a caixa do iPhone não mais as operadoras poderão suster a procura.

FUD: Medo, Incerteza e Dúvida – armamento pesado da Microsoft

17/05/2007 por Antnio Dias · Deixe um comentário
Arquivado em: Empresas, Software 
DeleteA empresa que nos anos 90 se tornou exímia no Vaporware parece apostar agora no Scareware. O recente anúncio da Microsoft (MS), de que o software livre infringia 235 das suas patentes gerou a reacções que se esperavam junto da comunidade de informáticos, que vão da mais pura indignação à habitual chacota. Todavia não é a eles que a mensagem se destina. Com o software livre a ganhar terreno nas empresas, que finalmente percebem que mais do que poupança no custo do software é na libertação dos grilhões do produtor monopolista que está o verdadeiro ganho, a empresa pretende enviar um sinal bem claro àquelas empresas que não se tendo decidido ainda, estão tentadas a seguir o exemplo de outros: metam-se com o software livre e arriscam-se a pagar caro. Sublinhe-se, contudo, que esta ameaça não tem "validade" em Portugal pois as licenças em causa só são aplicáveis no Estados Unidos.
Apesar de empresas como a redhat chamarem o bluff da MS, oferecendo-se para pagar possíveis custos por infracções de empresas de quem instala o seu software, o mal está feito nas cabecinhas receosas que ditam a lei nas empresas, a julgar por testemunhos como este que encontrei no /.:
Unfortunately, the damage is done. I work for a large financial organization that was *just* venturing outside of Microsoft operating systems and the lawyers sent out a notice today that we are to remove all traces of "open source" software, effective immediately.

Para os que não se deixam intimidar com ameaças vazias e possivelmente desesperadas da Microsoft deixo um video de uma bibliotecária a instalar Ubuntu Linux, que está a fazer furor na internet e que demonstra a facilidade com um sistema operativo livre pode ser instalado numa hora em dois PCs. Os menos arrojados podem, como eu, aguardar que finalmente a Dell lance a sua linha de portáteis com Ubuntu instalado para cortar o mal pela raiz.

Pirataria informática promove crescimento económico

De uma associação que responde pelo nome ASSOFT poder-se-ia pensar que teria cuidado para não chamar os portugueses de burros. Mas foi o que a Assoft tentou na semana passada. O truque é conhecido: uma press release com um argumento absurdo e previamente formatada para servir em copy&paste a redacções sôfregas por mostrar serviço e sem a devida formação  para enviar a press release directamente para o caixote do lixo ou pelo menos indagar por alguém independente que possa verificar ou refutar as alegações. Para maior impacto ensaia-se a defesa do bem comum, neste caso o IVA que o Estado "perdeu". Com base na última "notícia" da Associação Portuguesa de Software os media produziram artigos com os seguintes títulos: 

Os 91,5 referem-se ao IVA que supostamente terão ficado por cobrar à conta do software pitata. Como o leitor já deverá ter percebido tal não corresponde à verdade.

Primeiro, porque se os portugueses que usam software pirata tivessem de pagar pelo software em vez de o obterem gratuitamente teriam comprado uma quantidade consideravelmente menor de software e optado por soluções mais económicas; nada mais elementar que a lei da oferta e da procura. Quem usa o Photoshop pensaria duas vezes antes de desembolsar várias centenas de euros pela licença do programa e poderia muito bem concluir que o Paint Shop Pro serve perfeitamente para as necessidades e custa apenas 20%. Outros dar-se-iam por satisfeitos com software livre, como o Gimp

Segundo, o dinheiro que os portugueses deixam de gastar para comprar software gastam-no na compra de outros bens ou serviços, sobre os quais incide IVA ou poupam-no, promovendo o investimento.

Sendo o software português ou a componente do produto produzida em Portugal que é pirateado uma percentagem extremamente reduzida do seu preço final, pode-se afirmar que a pirataria informática promove o crescimento económico, via o aumento da despesa e da poupança? Pode ser verdade ou não. O que se pode certamente afirmar é que o título desta entrada faz mais sentido do que as notícias que a Assoft colocou a circular.

Convém não esquecer que, sem pôr em causa a responsabilidades de quem instala e utiliza software não licenciado, estes actos são muitas vezes facilitados pelas próprias empresas do sector, seja pela presença activa nos canais dedicados à pirataria, seja pelo forma acessível como muitas das protecções anti-pirataria podem ser contornadas. Os incentivos das empresas para este aparente tiro no pé são o aumento da quota de mercado, externalidades de rede e o efeito lock-in sobre utilizadores e empregadores. Nas palavras do próprio Steve Ballmer, presidente da Microsoft, "se vai piratear software, ao menos que seja da Microsoft".