Aumento das pensões para 2010 confirmado (act.)

12/11/2009 por RCB · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Social Lending 

É oficial, o conselho de Ministro acaba de confirmar o que foi anunciado há dias pelo Primeiro Ministro de que aqui demos conta: “Alterações no Subsídio de Desemprego e aumentos das Pensões para 2010” .

Recorda-se que  o Primeiro Ministro anunciou que o Governo irá aumentar as pensões até 638,33 euros em 1,25% e as pensões até 1500 euros em 1%. As restantes não sofrerão alterações. Desta forma ultrapassa-se excepcionalmente a norma que estava em vigor, a qual a ser implementada, implicaria, fruto do actual cenário de descida de preços e de  crise económica, uma descida nominal do valor das pensões. Mais detalhes nesta peça do Negócios entretanto divulgada.

Foram também abolidas (a contar de 1 de Janeiro de 2010) as taxas moderadoras que incidiam sobre internamentos e cirurgia em ambulatório.

Novo código de trabalho (2009) – Lei 7/2009

Depois de em Novembro aqui termos reunido algumas ligações com informação sobre “Que alterações traz o novo código do trabalho (2009)“, hoje apresenta-se, finalmente, o próprio Código de Trabalho publicado há instantes no Diário da República: é a Lei nº7/2009 (clique aqui para ir para a lei). São 104 páginas de articulado.

Quantos meses demorará a mudar novamente?

Sugestão: Pedir dinheiro emprestado à família

Por estes dias é comum encontrar entre a imprensa Norte-Americana referências a fontes alternativas de financiamento. Alternativas aos Bancos que, ou deixaram de emprestar dinheiro a algumas pessoas, ou aumentaram os seus prémios de risco subindo as taxas de juro reais sobre os novos créditos. À escala, e atendendo à subida recente e aparentemente para ficar, dos spreads bancários em Portugal, julgo que é um assunto que nos poderá interessar.

Pedir emprestadoJá aqui referi no passado o Zopa, um sítio que promove uma solução de Social Lending, permitindo os empréstimos directos entre aforradores e investidores (ver aqui e aqui) permitindo-lhes acertar as respectivas condições contratuais. Tanto quanto sei o cenário não mudou por cá: este tipo de iniciativas não existe em Portugal.

Mas é sempre possível pedir dinheiro emprestado à família ou aos amigos mesmo não havendo intermediário pelo meio, afinal, o intermediário é útil quando não há uma relação de confiança prévia entre os intervenientes. Lendo “The benefits of borrowing from relatives or friends” hoje publicado no MarketWatch percebe-se desde logo que lá (nos EUA) como cá, há um custo emocional, ou diria social, associado a esta solução: pedir dinheiro emprestado à família pode ser visto como um sinal de insucesso, de claudicação na afirmação pessoal. Mas também lá, como cá, isso não passa de um disparate do qual beneficiam directamente terceiros (os Bancos), em prejuízo de todos: de quem precisa e de quem tem para emprestar.

No artigo já referido apresentam-se argumentos chave na defesa desta forma de financiamento com os quais concordo. Vejamos os principais:

Risco reduzido: se o seu filho, amigo ou outro familiar em quem confia não lhe paga o que deve quem irá pagar? Antes de emprestar tem uma vantagem enorme sobre qualquer instituição financeira: conhece exactamente (ou quase) o risco que corre pois tem anos e anos de história comum com a pessoa que lhe pede o dinheiro sabendo até onde pode ir e que risco está a correr. E, para dormir mais descansado (perante um divórcio inesperado, por exemplo) não é crime nenhum assinar-se um contrato simples onde se atesta a dívida.

Do lado de quem pede: poderá conseguir ajustar mais facilmente o peso do encargo ao fluxo dos seus rendimentos. O seu familiar terá à partida mais disponibilidade para receber pagamentos irregulares ou concentrados em certas alturas do ano ou do seu ciclo de vida/profissional. Mais facilmente compreenderá e o ajudará perante uma situação de desemprego do que um banco, por exemplo.

Todos ganham: em regra, quem pede emprestado pode pagar menos que ao banco e ainda assim estar a oferecer uma remuneração acima daquela que quem aforrou alguma vez conseguiriam numa aplicação de baixo risco (como os depósitos a prazo).

Os custos de contratualização diminuem drasticamente: custo de dossier, comissão de apoio jurídico, custos com hipotecas, imposto sobre o valor emprestado, anualidades de cartões de crédito, comissões por-que-sim, tudo isto faz parte de outro cenário que não o de um empréstimo directo entre conhecidos com confiança mútua. E no caso de empréstimos entre pais e filhos as próprias obrigações fiscais são mínimas. Mesmo havendo um contrato onde se atesta a dívida, os custos serão infinitamente inferiores aos cobrados por uma instituição financeira.

Em suma, há prós e contras, mas ultrapassando o estigma social e havendo familiares com capacidade para emprestarem (o que infelizmente não está ao alcance de muitas famílias), é caso para pensar duas vezes antes de ir ao banco.

Diferentes matizes de Social Lending: um exemplo norte americano

Ainda acerca do Social Lending aqui referido a pretexto do serviço britânico Zopa, o Miguel Caetano do Remixtures deixou nos comentários uma outra iniciativa concorrente na área sedeada nos Estados Unidos da América: outro banco peer-to-peer, o Prosper.com.

O exemplo replica-se! 

Adiconalmente para termos uma imagem mais equilibrada dos prós e dos contras, bem como as diferenças que separam o conceito do Zopa e do Propser deixo aqui as sugestões adicionais do Miguel. A saber:

P2P Foundation de onde cito :

"(…) At first impression, there is a definite change of feeling-tone if you compare ZopaWeb to Prosper. The Zopa bank presents itself as an exchange, which implies a conscious interconnection between parties; Prosper defines itself as an online marketplace.

In the New York Times article, the arguments used by the founders are that the new model is leaner, and there is also a bidding process, which makes the market a pure power play just as in ordinary capitalism, the difference being that the process is more distributed."

Bem como este (finance) e este (banking) artigo.

Zopa: Crédito directo entre indivíduos à moda peer-to-peer (última parte)

(continuação daqui

A auto-promoção do Zopa sublinha desde logo as principais vantegens: taxas muito mais baixas para os devedores e mais interessantes para o credores (algo possibilitado pela ausência de spread bancário), ausência de pagamento de penalizações por amortização antecipada do empréstimo, a rapidez e agilidade disponibilizada pelo serviço online e a "humanidade" do processo afinal: "Your money helps real people rather than the banks."

Resta então a segurança. Numa troca directa como confiar? Quem certifica o risco associado à outra parte? O Zopa anuncia que os devedores são "credit-checked" e "risk-assessed" e que o dinheiro colocado por um credor é depois disperso por vários devedores e não concentrado apenas num número limitado. Aliás, o montante máximo emprestado a cada candidatod a devedor é definido directamente pelo candidato a credor. Se esta última regra me parece interessante resta explorar o que é que é feito em termos de "credit-check" e de avaliação de risco.

O Zopa garante que todos os candidatos a credores têm de enviar informação que permita confirmar a identidade, a história de crédito e de cumprimentos de crédito e um rendimento anual mínimo acima de um determinado montante (£10,000). Recolhida a informação, o Zopa classifica o devedor de acordo com uma tabela de 4 níveis, faz algumas verificações adicionais (não especificando a que informação recorre ou em que consistem) e apresenta o potencial devedor a potenciais emprestadores que previamente definiram que taxa de juro querem receber de retorno e qual o nível de risco que estão dispostos a aceitar para os indivíduos entre os quais será distribuido o seu dinheiro.

Concluidos os procedimentos e iniciada a relação de crédito, efectuam-se pagamentos mensais que remuneraram o credor à taxa acordada sendo que o Zopa apresenta soluções de seguro para os devedores que tenham mais receio de cair numa situação de incumprimento.

Uma última informação sobre o serviço: o que acontece ao dinheiro depositado junto do Zopa oferecido para empréstimo pelos candidatos a credores? Até encontrar um devedor interessado recebe uma remuneração de tabela (4,5% – atenção que o serviço é Britânico e por lá as taxas de referência estão acima dos 5%) com pagamentos mensais.

Resumindo e concluindo, eis um serviço original que teria muito gosto em ver por cá e em incluir por exemplo na listagem de possibilidades de aforro dos investidores nacionais. Para já, tanto quanto consegui apurar, só está disponível no Reino Unido (e na Alemanha?) ainda que estejam para breve expansões internacionais, nomeadamente para os Estados Unidos da América. Seguramente um assunto a acompanhar aqui no Economia & Finanças e que chegará mais cedo ou mais tarde aos media tradicionais (indo além de uma breve nota num suplemento de Sexta-Feira- ver página 2).

Informação adicional: para ir acompanhando o que se diz e comenta sobre o Zopa e sobre o conceito espreitar aqui.

Zopa: Crédito directo entre indivíduos à moda peer-to-peer (1ª parte)

Chegou aqui em busca da melhor taxa de juro para depósitos a prazo? Então tudo bem é só passar a esta página e usar as ligações para procurar mais rapidamente a melhor oferta. Mas se chegou aqui em busca da melhor taxa de juro para pedir um empréstimo, infelizmente ainda não tenho por cá algo similar para essa area… Contudo, se vivesse no Reino Unido apresentava-lhe uma alternativa viável. Algo que mais cedo (ou mais tarde) deve chegar cá.

Zone of Possible Agreement - Peer to peer lendingHá muito, muito tempo atrás (em Dezembro do ano passado) o Ricardo, vizinho da TubarãoEsquilo, meteu-se comigo no seu Web 2.0 a propósito do serviço Zopa. O que é o Zopa? Talvez o nome se inspire em ZOone of Possible Agreement e é um serviço de empréstimos pessoa a pessoa sem um intermediário bancário pelo meio. Uma espécie de peer to peer para emular a terminologia da troca directa de ficheiros entre dois internautas. Neste caso o que se pretende trocar não são ficheiros mas sim direitos e compromissos traduzidos em dinheiro. Citando o sítio:

"Zopa is the Social Lending marketplace. People lend and borrow money with each other, and by cutting out the banks, everybody gets a better deal."

Uma das vantagens inegáveis de existirem intermediários advém da sua função de repositório de informação que lhes permite ajustarem, com satisfação geral e rapidez, procuras e ofertas compatíveis que de outro modo poderiam, no limite, nunca se satisfazerem mutuamente.

Outra das vantagens que me ocorre é o capital de segurança que um intermediário estável e com provas dadas transmite a ambas as partes. Tanto quem empresta como quem pede têm interesse em poder confiar na outra parte, de preferência sem perder um ror de tempo a investigar o parceiro. O intermediário ocupa-se desses detalhes agilizando aquilo que de outro modo seria uma tarefa trabalhosa e mais arriscada, afinal o intermediário pode especializar-se em análisar o risco.

Ok. Chegado aqui como encarar este Zopa que se propõem substituir a banca na sua função de intermediação? Bom, não custa admitir que a primeira função enunciada, a recolha de informação que ajusta procura e oferta, pode de facto ser suprida na Internet bastando para tal que os interessados publicitem num sítio com visibilidade e extensamente conhecido quais os respectivos interesses. Um local onde cada um pode afixar o seu anúncio e o seus termos e procurar desde logo se há por lá quem tenha interesses complementares. E é exactamente isso que vêmos de imediato na página de apresentação onde se pergunta, por exemplo, quanto dinheiro quer pedir e por quanto tempo quer ficar a dever?

(Este artigo conclui-se amanhã)