Progressão de carreiras nas autarquias com novas regras

5 January, 2010 por RCB · Deixe um comentário
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Em artigos anteriores ao longo dos últimos meses temos vindo a acompanhar a evolução das carreirase salários  na função pública como aqui:” Nova tabela salarial para a função pública” e aqui “Novo Regime de Carreiras da Função Pública“. Hoje retomamos a questão pegando num excerto do Jornal de Negócios em jeito de lembrete: “O que muda na avaliação e salários“. Em particular, retemos esta nota sobre os funcionário públicos ao serviço das autarquias:

“PROGRESSÃO NA CARREIRA MAIS LENTA NAS CÂMARAS

A partir de 1 de Janeiro [2010] também os funcionários das autarquias terão progressões na carreira dependentes das novas regras de avaliação. Na prática, isso significa que a mudança de escalão salarial será mais lenta, pois está reservada aos funcionários que consigam notas de excelente e de muito bom (que por seu turno estão sujeitas a quotas).

Pela primeira vez haverá também prémios de desempenho e os dirigentes e os serviços serão avaliados. As regras abrangem mais de 126 mil funcionários das autarquias, dos serviços municipais e dos serviços municipalizados. Nas juntas de freguesia, o sistema só é aplicado aos trabalhadores licenciados. (…)”

Envelhecer depressa é meio caminho andado para crise profunda?

Podemos ser mais ou menos fãs de políticas natalistas, de mais ou menos intervenção do Estado em decisões como o número de filhos de cada família e as respectivas discriminações positivas ou negativas, mas convem ter bem presente o que está em causa para não nos surpreender um destino sombrio. Eis os dois primeiros parágrafos de um artigo de Cristina Casalinho no Negócios, não dispensa a leitura integral “A maldição do envelhecimento“:

“Nas últimas semanas, têm sido publicados dados sobre a demografia portuguesa, revelando uma população envelhecida, por via da baixa taxa de natalidade e da queda dos movimentos imigratórios. Paralelamente, a lista dos países mais envelhecidos é encabeçada por economias que, na última década à semelhança de Portugal, têm revelado crescimentos económicos débeis: Japão, Alemanha e Itália. Esta circunstância desperta interrogações sobre um eventual nexo entre envelhecimento e fraco crescimento.

Para Portugal, inevitavelmente, o envelhecimento coloca importantes desafios à sustentabilidade da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde, impondo a refundação dos regimes prevalecentes. Para além deste efeito, analisando o andamento das economias nipónica, alemã e italiana, emerge a ideia de que o envelhecimento poderá constituir um factor adicional para o empobrecimento da economia nacional ou obstaculizar a desejada reversão da tendência dos últimos dez anos. O diagnóstico das dificuldades da economia portuguesa condensa-se em reduzida produtividade com excessivo peso do sector dos bens não transaccionáveis, baixa poupança, limitado investimento em investigação e desenvolvimento, empreendedorismo mitigado, desadequação da qualificação da força de trabalho. Relembrando o modelo de crescimento económico de Solow: simplificadamente, o crescimento económico explica-se pela expansão da população, pela evolução do investimento/da utilização de capital e, por último, pelo progresso da produtividade ou inovação. Olhando para a economia portuguesa, a população definha, a utilização de capital é baixa e o investimento, no curto prazo, está comprometido pela escassa poupança. Restam acréscimos de produtividade. Ora, o envelhecimento da população, como a evidência empírica demonstra, implica alterações significativas nas preferências dos agentes económicos, resultando em impactos não negligenciáveis na produtividade. (…)”

Recursos humanos: trabalhadores de vistas curtas, provocações de horizontes largos

3 April, 2009 por RCB · 6 comentários
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A conversa que se segue fez-me lembrar o pavor de perder o emprego que vi em alguns colegas meus que me acompanharam num primeiro emprego (vai para 11 anos), na “extinta” Arthur Andersen.  Eis uma crónica interessante que li hoje na Agência Financeira, “Da «rádio-alcatifa» à «falta de mundo» dos licenciados“:

Um excerto:

“(…) A ligação universidades/necessidades do mercado de trabalho também mereceu críticas por parte de Miguel Portela e Luís Reis nas «conversas ao pequeno-almoço», organizadas pelo IPAM. O CEOO da Sonae.com sublinhou que as escolas «deviam pôr as pessoas a pensar, a saber reagir ao desconforto, à diferença». Os cursos superiores, acrescentou, «são demasiado fáceis. As pessoas só sabem até onde podem ir se forem levadas ao seu limite».

«A muitos licenciados falta o mundo. Para muitos, o mundo acaba no fim da rua da aldeia dele». Esta imagem fornecida por Luís Reis serviu para demonstrar como os portugueses se «agarram desesperadamente ao seu cantinho».

O CEOO da Sonae.com deu um exemplo: «Num processo de recrutamento, perante a «ameaça» de que podem ser colocados em qualquer ponto do país, metade desiste. À metade que fica, dizemos que podem ser colocados em qualquer ponto do mundo e metade vai embora. Dos candidatos iniciais restam-nos normalmente 25 por cento». Daí o desabafo: «Devia ser proibido aos recém-licenciados namorar ou casar nos próximos dez anos».  (…)”

Já experimentou lançar o “car sharing” na sua empresa?

31 March, 2009 por RCB · 6 comentários
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car sharing é uma expressão inglesa que designa à letra “partilhando o carro” e é uma prática que vai fazendo escola em meio urbano em várias cidades espalhadas pelo mundo. Trata-se de uma iniciativa inspirada pela partilha e economia de recursos particularmente interessante para quem tem de efectuar viagens pendulares regulares e o faz em transporte particular sub-lotado, muitas vezes ocupado apenas pelo condutor.

EngarrafamentoMas você está disposto a dar ou receber boleia de um perfeito desconhecido? É aqui que entram os dispositivos de intermediação centrados em redes sociais. A Galp Energia numa inteligente jogada de marketing lançou uma plataforma (a energia positiva) que pretende oferecer os instrumentos indispensáveis para acertar oferta e procura e, de uma forma que me parece para já algo singela, diferenciar a dita oferta e produra com um esquema de classificação de participantes entre amigos e desconhecidos. Para começo de conversa a iniciativa parece-me meritória e provavelmente evoluirá para processos mais sofisticados de acreditação em que à medida em que cada um fôr usando e disponibilizando serviços poderá ser qualificado positiva ou negativamente pelos pares ganhando assim crédito que reforçará de alguma forma a segurança entre desconhecidos.

Tendo trabalhado em grandes empresas e estando correntemente numa instituição que caminha a passos largos para os 200 colaboradores ocorreu-me que este tipo de iniciativa de car sharing poderia ganhar em começar pelas “bases”. As associações de trabalhadores, grupos desportivos e demais associações que existem a muitas empresas poderiam ter um papel decisivo para, por um lado, difundir esta ideia e acertar ao nível micro um mecanismo de partilha e, por outro, numa fase seguinte proceder a contactos com congeneres de empresas vizinahs de modo a criar nucleos locais de acreditação de pessoas de moda a reduzirem o factor risco e simultaneamenteaumentarem a probabilidade de ajustamento entre procura e oferta. Criados estes grupos qualquer plataforma mais genérica poderia ser também utilizada seja ela da Galp Energia ou qualquer outra que venha a ser criada. Fica a dica. Em todo o caso, desconfio que no curto / médio prazo e a bem da nossa saúde física e financeira teremos discriminação de tráfego de acordo com a taxa de ocupação dos veículos pelo que este tipo de iniciativas poderão ajudar algumas pessoas a mudarem com ganho alguns hábitos de vida.

P.S.: E o Mob Sharing da Carris já conhece?

Eu tenho dois empregos que em nada são iguais

20 February, 2009 por RCB · 1 comentário
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“Levanto-me, trabalho, como e durmo. Para já, é a única opção.” No banco, onde está há nove anos, tem um ordenado acima da média. Mas os 930 euros por mês deixaram de ser suficientes quando, por volta dos 30 anos, passou a suportar os encargos sozinha. Diz que nunca teve dificuldade em encontrar em emprego. O da loja, que paga o carro, é mediado por uma agência de trabalho temporário. “Hoje em dia, ter carro e casa só é acessível a um casal.” Ou a quem também trabalha ao fim-de-semana (…) O dinheiro não será a única motivação de todos os que procuram um segundo emprego.

O retrato traçado pelo INE denuncia, contudo, que os salários baixos ainda são muito frequentes. Apesar de uma significativa quebra – de 7% no ano passado -, os dados relativos ao ano passado apontam para a existência de mais de 1,6 milhões de pessoas com um rendimento mensal inferior a 600 euros. O equivalente a 42% de todos os trabalhadores por conta de outrem.

in Diário de Notícias
O Diário de Notícias leu os últimos dados do INE sobre o Emprego e apresenta hoje uma pequena reportagem que acaba por colorir e humanizar os sempre frio números e estatísticas. Cerca de 340 mil portugueses têm mais do que um emprego, muitos deles para conseguirem que os recursos obtidos sejam suficentes para equilibrar o orçamento no final do mês. Recomenda-se a leitura do artigo do DN e uma espreitadela às estatísticas de Emprego do INE.

Nova tabela salarial para a função pública

1 January, 2009 por RCB · 24 comentários
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Economia & FinançasO aviso chegou por e-mail, quase à meia-noite e assim se faz o primeiro post de 2009 dando nota que, através da portaria nº1553-C/2008, se apresenta publicamente a tabela remuneratória única dos trabalhadores que exercem funções públicas (contendo o número de níveis remuneratórios e o montante pecuniário correspondente a cada um e actualizando os índices 100 de todas as escalas salariais).

São 115 níveis salariais começando no valor do RMMG, vulgo, salário mínimo, e terminando no 115º para um nível remuneratório de € 6 350, 68. A tabela completa está disponível aqui.

Um último sublinhado retirado da portaria:

“Cumprindo o que oportunamente se acordou em sede de negociação sindical, fixa -se em € 28 o mínimo do primeiro acréscimo remuneratório resultante de alteração de posição remuneratória que deva ter lugar após a transição dos trabalhadores para os novos regimes de vinculação, carreiras e remunerações.”

Menos desemprego no 4º trimestre de 2007

Economia & FinançasMenos activos, menos desempregados, mais empregados (em termos homólogos), menos desemprego que no período homólogo. O 4º trimestre foi bom em termos de redução do desemprego. Ainda que parte da quebra possa de facto encontrar explicação num aumento da emigração.

O ano 2007 como um todo, esse foi, sem surpresa, pior do que o ano anterior.

Eis os dados do INE; um excerto:

“A taxa de desemprego estimada para o 4º trimestre de 2007 foi de 7,8%. Este valor é inferior ao observado no período homólogo de 2006, em 0,4 pontos percentuais (p.p.), e ao observado no trimestre anterior, em 0,1 p.p.. A população desempregada foi estimada em 439,5 mil indivíduos, verificando-se um decréscimo de 4,2%, face ao trimestre homólogo, e de 1,1%, em relação ao trimestre anterior. O número de empregados aumentou 0,9%, quando comparado com o mesmo trimestre de 2006, mas diminuiu 0,2%, relativamente ao trimestre anterior.
Em média, em 2007, a taxa de desemprego foi de 8,0%, o que se traduziu por um acréscimo de 0,3 p.p. face ao ano anterior. A população desempregada situou-se em 448,6 mil indivíduos, tendo aumentado 4,9% em relação ao ano anterior. A população empregada registou um acréscimo anual de 0,2%. “

“Throughout the industrialized world, unemployment and home ownership go hand in hand”

“Here’s an odd fact,” Landsburg writes. “Throughout the industrialized world, unemployment and home ownership go hand in hand.” Unemployment is low in Switzerland, where renting is the norm, and high in Spain, where most people own their homes. The pattern also holds within differentregions of individual  countries, and it persists over time. As homeownership rises, so does joblessness. Landsburg considers a couple ofharmless explanations — coincidence, bad statistics — but also somecausal ones. For instance, people who own their homes may be lesswilling than renters to move after they lose a job, making it more difficult to find new work. Another possibility is that countries orstates with a lot of regulations, like rent control and strict labor laws, may be simultaneously encouraging home buying and discouraginghiring. “It’s not easy to sort out causes from effects,” he says. But“it’s not always impossible either.”

In The New York Times.

Em jeito de brincadeira há uns anitos comentei este fenómeno com colegas de outros países (europeus). Agora chega ao NYT. Havendo tempo tentarei discorrer sobre o assunto durante a semana. 

Novo código de trabalho – o caso da Autoeuropa

Tirando testemunhos da minha lavra e experiência, é raro aqui destacar os de outrém. Não é estilo, trata-se de um acaso. E por acaso, navegando pela vizinhança, chego a um testemunho de António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e operário naquela fábrica, difundido por Daniel Oliveira no seu blogue, que faz todo o sentido mencionar, sublinhar, publicitar.

O pretexto foi (e é) a pré-proposta de alteração a código de trabalho e as recentes declarações ministriais e dos demais parceiros da concertação social, alguns dos quais referindo a Autoeuropa como um exemplo de organização de trabalho e empresarial que só se disseminará por via de alterações legais significativas.

O testemunho de António Chora recentra a questão e torna evidente que, mais uma vez, o afã legislativo, esconde, atrasa e distrai do essencial que nos deveria ocupar e que pode desde já (desde ontem, para ser exacto) estar a fazer-se. Atentem nos detalhes. Ficam dois excertos  que não dispensam a leitura integral.

"Nos últimos dias várias referencias tem sido feitas ao acordo de 2003 na Autoeuropa a propósito das conclusões do livro branco para as relações laborais e da anunciada flexigurança.

Houve mesmo quem, com responsabilidades, tivesse garantido que face à lei actual o acordo que assinamos não seria legalmente possível. Não é verdade. Tal acordo de ilegal não tem nada. Baseado num acordo de não aumento salarial por dois anos (de 2003 a 2005), ele só foi possível porque as tabelas salariais da Autoeropa estão muito acima das negociadas com os sindicatos.

Ao contrário do que se tem dito, a Autoeuropa não tem adaptabilidade de horários. O que temos é a possibilidade de, havendo trabalho normal, trabalhar 230 dias por ano. Não havendo, o trabalhador fica em casa os dias que forem necessários, cobrando exactamente o mesmo. Não é simples de explicar mas tentarei: todos os anos temos direito a 22 dias “não trabalháveis”. São dias em que recebemos na mesma e podemos trabalhar ou não, conforme a empresa decida. Recebemos sempre. No fim do ano são feitos acertos. Houve, por exemplo, um ano em que ficámos 36 dias sem trabalhar e a receber. Os 14 dias que não estavam incluídos nos dias “não trabalháveis” passaram para o ano seguinte como dívida dos trabalhadores. O que quer isto dizer? Que no ano seguinte ficámos apenas com 8 dias “não trabalháveis” em vez de 22. Se o saldo for positivo (infelizmente ainda não aconteceu à maioria), a empresa paga por isso. E se o saldo for nulo, os trabalhadores recebem, na realidade, 15 meses de salário em vez de 14. É isto que se propõe para o resto das empresas? Não me parece. (…)

Qualquer activista sindical, principalmente os que estão dentro da empresa e que, por isso, dependem da empresa para o seu sustento, está em condições de avaliar, caso a caso, as necessidades de acordos sem interferências governamentais. Mas para isso tem de receber informação e saber passar essa informação para os trabalhadores, discutindo-a com eles, para estar certo de que contará com o seu apoio quando chega e quando não chega a acordo com a administração.

Só que todos sabemos que os patrões portugueses e os administradores da maioria das multinacionais aqui implantadas não querem dar este salto: partilhar informação com as estruturas representativas dos trabalhadores. Preferem continuar, em pleno século XXI, a portar-se como pequenos ditadores, escondendo a situação da empresa, deturpando a informação que dão aos sindicatos e às Comissões de Trabalhadores, trocando a negociação pela imposição, não cumprindo os acordos firmados. É isto e não a lei vigente que leva à desconfiança e a situações de conflito inultrapassáveis dentro das empresas. (…)"

Continua aqui: Querem mesmo aprender com a Autoeuropa?

Gerir a reputação online

4 May, 2007 por Antnio Dias · 2 comentários
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Já procurou no Google informações sobre o seu chefe ou patrão? Algum cliente ou contacto do trabalho? E sabe que resultados encontra quem o procura a si no Google? O comum internauta que diariamente efectua  buscas na internet não está normalmente consciente que também ele poderá ser alvo da curiosidade de terceiros.

A informação que colocamos online sob o nosso nome, ou que é disponibilizada por terceiros deixa um rasto, nem sempre o mais positivo. E graças ao poder mágico do algoritmo do Google, o comentário infeliz que você ou alguém deixou num fórum ou blog poderá emergir à superfície para lhe arruinar a candidatura a um emprego ou criar dificuldades na sua vida pessoal -acredite que não é invulgar ver casos destes publicados nos jornais de língua inglesa.

Informação negativa online é algo com que teremos de aprender a viver, mas não sem antes dar-lhe luta.

A forma mais imediata de o fazer consiste em monitorizar os resultados de busca e tentar apagar a informação ou dissociá-la do seu nome através do recurso a diversas técnicas. O sucesso desta abordagem, chame-mo-lhe de reactiva, dependerá dos seus recursos diplomáticos e da boa vontade dos responsáveis de outros sites.

Existe, todavia, uma forma de transformar a ameaça dos motores de busca em oportunidade – uma abordagem complementar à anterior. Consiste em trabalhar activamente a nossa presença online de forma a obter a confiança tanto de quem visita o(s) nosso(s) espaço(s) como dos mediadores, neste caso os motores de busca. Criar um site, o cartão de visita online, um perfil numa rede social como o linkedIn e fazer com que ele apareça nos resultados cimeiros dos motores de busca. 

Para saber mais sobre a gestão da reputação online consulte o guia para gestão da reputação online no Marketing de Busca. 

Sobre o autor: António Dias é blogger em www.marketingdebusca.com, blog dedicado aos motores de busca e search marketing, e o mais novo colaborador do Economia e Finanças.