Quantas horas gasta a trabalhar para os seus prestadores de serviços?
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Belíssimo texto de João Pinto e Castro: “O método Tom Sawyer da produtividade nos serviços“. Recomenda-se a leitura integral. Eis um excerto:
” (…) A IKEA vende mobiliário barato porque a montagem final corre por nossa conta. A economia conseguida corresponde euro por euro às horas de trabalho não contabilizadas que dispendemos no processo. Parte da fábrica foi transferida para nossa casa sem que disso nos apercebêssemos. Tornámo-nos funcionários subservientes das empresas que nos vendem produtos e serviços. Trabalhamos para elas sem horários, nem salários, nem direitos laborais. Mais: se o serviço funcionar mal, muito provavelmente a culpa será nossa.
O sistema consistente em pôr o público a trabalhar gratuitamente (ainda por cima pagando para isso) está generalizado na televisão e na rádio, cuja programação consiste cada vez mais em fóruns, reality shows, talk shows, concursos e entrevistas de rua. É o modelo Tom Sawyer de pintar a cerca da Tia Polly cobrando à garotada da rua maçãs ou berlindes pelo direito a dar umas pinceladas.
O aumento de produtividade de parte do sector dos serviços consiste em grande medida em persuadir-nos a suportarmos uma carga de trabalho cada vez maior; trabalho esse que, deixando de ser feito por empregados, assegura às empresas poupanças muito significativas. Inevitavelmente, porém, cada vez dispomos menos de genuíno tempo livre. Toda a gente se queixa de que esteve muito ocupada no fim de semana. A fazer o quê? Ora, a percorrer os corredores do supermercado, a lavar o carro, a fazer transferências bancárias, a esperar na bicha do fast food, a ensinar às crianças o que não aprenderam na escola, a reparar a impressora seguindo as instruções do call-center ou a montar estantes. Tanta modernidade deixa-nos esgotados. (…)”
O estranho caso dos 5000 estágios no Estado (act. II)
Há poucos dias, crente nas notícias, escrevia “por cá lançamos um programa de 5000 estágios no Estado em plena crise e descobrimos que o Estado é já um destino de emprego tão desinteressante que foram preenchidas pouco mais de metade das vagas.”
Pois que alertado para um “não será bem assim” nos comentários deste artigo “Despedimentos na Função Pública – um cenário cada vez mais provável? (act. II)“, fui investigar, ou melhor, fui dar com alguns factos e com muitas dúvidas.
O Portal do Cidadão divulgou na passada sexta-feira este aviso de onde cito:
” (…) O número de candidatos seleccionados ficou aquém das 5.000 vagas disponibilizadas, apesar das “respostas dos candidatos a 24.600 notificações de propostas de estágio, dirigidas a um total de 6.939 candidatos individuais. Ou seja, os candidatos que receberam proposta de estágio foram em número superior ao próprio número de vagas”. (…)”
Consegue entender? Eu não.
Progressão de carreiras nas autarquias com novas regras
Em artigos anteriores ao longo dos últimos meses temos vindo a acompanhar a evolução das carreirase salários na função pública como aqui:” Nova tabela salarial para a função pública” e aqui “Novo Regime de Carreiras da Função Pública“. Hoje retomamos a questão pegando num excerto do Jornal de Negócios em jeito de lembrete: “O que muda na avaliação e salários“. Em particular, retemos esta nota sobre os funcionário públicos ao serviço das autarquias:
“PROGRESSÃO NA CARREIRA MAIS LENTA NAS CÂMARAS
A partir de 1 de Janeiro [2010] também os funcionários das autarquias terão progressões na carreira dependentes das novas regras de avaliação. Na prática, isso significa que a mudança de escalão salarial será mais lenta, pois está reservada aos funcionários que consigam notas de excelente e de muito bom (que por seu turno estão sujeitas a quotas).
Pela primeira vez haverá também prémios de desempenho e os dirigentes e os serviços serão avaliados. As regras abrangem mais de 126 mil funcionários das autarquias, dos serviços municipais e dos serviços municipalizados. Nas juntas de freguesia, o sistema só é aplicado aos trabalhadores licenciados. (…)”
Envelhecer depressa é meio caminho andado para crise profunda?
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Podemos ser mais ou menos fãs de políticas natalistas, de mais ou menos intervenção do Estado em decisões como o número de filhos de cada família e as respectivas discriminações positivas ou negativas, mas convem ter bem presente o que está em causa para não nos surpreender um destino sombrio. Eis os dois primeiros parágrafos de um artigo de Cristina Casalinho no Negócios, não dispensa a leitura integral “A maldição do envelhecimento“:
“Nas últimas semanas, têm sido publicados dados sobre a demografia portuguesa, revelando uma população envelhecida, por via da baixa taxa de natalidade e da queda dos movimentos imigratórios. Paralelamente, a lista dos países mais envelhecidos é encabeçada por economias que, na última década à semelhança de Portugal, têm revelado crescimentos económicos débeis: Japão, Alemanha e Itália. Esta circunstância desperta interrogações sobre um eventual nexo entre envelhecimento e fraco crescimento.
Para Portugal, inevitavelmente, o envelhecimento coloca importantes desafios à sustentabilidade da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde, impondo a refundação dos regimes prevalecentes. Para além deste efeito, analisando o andamento das economias nipónica, alemã e italiana, emerge a ideia de que o envelhecimento poderá constituir um factor adicional para o empobrecimento da economia nacional ou obstaculizar a desejada reversão da tendência dos últimos dez anos. O diagnóstico das dificuldades da economia portuguesa condensa-se em reduzida produtividade com excessivo peso do sector dos bens não transaccionáveis, baixa poupança, limitado investimento em investigação e desenvolvimento, empreendedorismo mitigado, desadequação da qualificação da força de trabalho. Relembrando o modelo de crescimento económico de Solow: simplificadamente, o crescimento económico explica-se pela expansão da população, pela evolução do investimento/da utilização de capital e, por último, pelo progresso da produtividade ou inovação. Olhando para a economia portuguesa, a população definha, a utilização de capital é baixa e o investimento, no curto prazo, está comprometido pela escassa poupança. Restam acréscimos de produtividade. Ora, o envelhecimento da população, como a evidência empírica demonstra, implica alterações significativas nas preferências dos agentes económicos, resultando em impactos não negligenciáveis na produtividade. (…)”
Recursos humanos: trabalhadores de vistas curtas, provocações de horizontes largos
A conversa que se segue fez-me lembrar o pavor de perder o emprego que vi em alguns colegas meus que me acompanharam num primeiro emprego (vai para 11 anos), na “extinta” Arthur Andersen. Eis uma crónica interessante que li hoje na Agência Financeira, “Da «rádio-alcatifa» à «falta de mundo» dos licenciados“:
Um excerto:
“(…) A ligação universidades/necessidades do mercado de trabalho também mereceu críticas por parte de Miguel Portela e Luís Reis nas «conversas ao pequeno-almoço», organizadas pelo IPAM. O CEOO da Sonae.com sublinhou que as escolas «deviam pôr as pessoas a pensar, a saber reagir ao desconforto, à diferença». Os cursos superiores, acrescentou, «são demasiado fáceis. As pessoas só sabem até onde podem ir se forem levadas ao seu limite».
«A muitos licenciados falta o mundo. Para muitos, o mundo acaba no fim da rua da aldeia dele». Esta imagem fornecida por Luís Reis serviu para demonstrar como os portugueses se «agarram desesperadamente ao seu cantinho».
O CEOO da Sonae.com deu um exemplo: «Num processo de recrutamento, perante a «ameaça» de que podem ser colocados em qualquer ponto do país, metade desiste. À metade que fica, dizemos que podem ser colocados em qualquer ponto do mundo e metade vai embora. Dos candidatos iniciais restam-nos normalmente 25 por cento». Daí o desabafo: «Devia ser proibido aos recém-licenciados namorar ou casar nos próximos dez anos». (…)”
Já experimentou lançar o “car sharing” na sua empresa?
O car sharing é uma expressão inglesa que designa à letra “partilhando o carro” e é uma prática que vai fazendo escola em meio urbano em várias cidades espalhadas pelo mundo. Trata-se de uma iniciativa inspirada pela partilha e economia de recursos particularmente interessante para quem tem de efectuar viagens pendulares regulares e o faz em transporte particular sub-lotado, muitas vezes ocupado apenas pelo condutor.
Mas você está disposto a dar ou receber boleia de um perfeito desconhecido? É aqui que entram os dispositivos de intermediação centrados em redes sociais. A Galp Energia numa inteligente jogada de marketing lançou uma plataforma (a energia positiva) que pretende oferecer os instrumentos indispensáveis para acertar oferta e procura e, de uma forma que me parece para já algo singela, diferenciar a dita oferta e produra com um esquema de classificação de participantes entre amigos e desconhecidos. Para começo de conversa a iniciativa parece-me meritória e provavelmente evoluirá para processos mais sofisticados de acreditação em que à medida em que cada um fôr usando e disponibilizando serviços poderá ser qualificado positiva ou negativamente pelos pares ganhando assim crédito que reforçará de alguma forma a segurança entre desconhecidos.
Tendo trabalhado em grandes empresas e estando correntemente numa instituição que caminha a passos largos para os 200 colaboradores ocorreu-me que este tipo de iniciativa de car sharing poderia ganhar em começar pelas “bases”. As associações de trabalhadores, grupos desportivos e demais associações que existem a muitas empresas poderiam ter um papel decisivo para, por um lado, difundir esta ideia e acertar ao nível micro um mecanismo de partilha e, por outro, numa fase seguinte proceder a contactos com congeneres de empresas vizinahs de modo a criar nucleos locais de acreditação de pessoas de moda a reduzirem o factor risco e simultaneamenteaumentarem a probabilidade de ajustamento entre procura e oferta. Criados estes grupos qualquer plataforma mais genérica poderia ser também utilizada seja ela da Galp Energia ou qualquer outra que venha a ser criada. Fica a dica. Em todo o caso, desconfio que no curto / médio prazo e a bem da nossa saúde física e financeira teremos discriminação de tráfego de acordo com a taxa de ocupação dos veículos pelo que este tipo de iniciativas poderão ajudar algumas pessoas a mudarem com ganho alguns hábitos de vida.
P.S.: E o Mob Sharing da Carris já conhece?
Eu tenho dois empregos que em nada são iguais
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“Levanto-me, trabalho, como e durmo. Para já, é a única opção.” No banco, onde está há nove anos, tem um ordenado acima da média. Mas os 930 euros por mês deixaram de ser suficientes quando, por volta dos 30 anos, passou a suportar os encargos sozinha. Diz que nunca teve dificuldade em encontrar em emprego. O da loja, que paga o carro, é mediado por uma agência de trabalho temporário. “Hoje em dia, ter carro e casa só é acessível a um casal.” Ou a quem também trabalha ao fim-de-semana (…) O dinheiro não será a única motivação de todos os que procuram um segundo emprego.
O retrato traçado pelo INE denuncia, contudo, que os salários baixos ainda são muito frequentes. Apesar de uma significativa quebra – de 7% no ano passado -, os dados relativos ao ano passado apontam para a existência de mais de 1,6 milhões de pessoas com um rendimento mensal inferior a 600 euros. O equivalente a 42% de todos os trabalhadores por conta de outrem.
in Diário de Notícias
O Diário de Notícias leu os últimos dados do INE sobre o Emprego e apresenta hoje uma pequena reportagem que acaba por colorir e humanizar os sempre frio números e estatísticas. Cerca de 340 mil portugueses têm mais do que um emprego, muitos deles para conseguirem que os recursos obtidos sejam suficentes para equilibrar o orçamento no final do mês. Recomenda-se a leitura do artigo do DN e uma espreitadela às estatísticas de Emprego do INE.
